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59% das mortes infantis no Ceará poderiam ser evitadas

A falta de uma assistência adequada ao recém-nascido na hora do parto, ao pré-natal, à gravidez na adolescência, principalmente entre usuárias de drogas e cesárias desnecessárias, estão entre os desafios do Ceará no combate à mortalidade infantil. Tanto que, neste ano, dos 634 óbitos infantis registrados até junho, 59,1% poderiam ser evitados, sendo que 70% destes ou 449 aconteceram em bebês com até um mês de nascidos. No ano passado, dos 1.586 mortes, 1,1 mil deveriam não ter acontecido se a rede da atenção básica estivesse funcionando adequadamente nos municípios. Desse total, 890 tinham menos de uma semana.

A especialista de programas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Francisca Maria Oliveira Andrade (Tati Andrade), ressalta que a mortalidade infantil é um dos melhores indicadores da qualidade da assistência à saúde e de vida de uma população, entretanto reconhece que existe preocupação com o cenário atual. "O Ceará conseguiu de fato reduzir as taxas de perdas fatais de crianças de 18,1 para cada grupo de mil nascidos vivos em 2006 para 12 em 2015. Mas nosso foco está nos bebês com até 28 dias. O índice nessa faixa ainda é alto porque os números diminuíram para os pós-neonatal (de um mês até 365 dias) e permaneceram o mesmo para os abaixo disso, o que percentualmente aumenta a proporção".

Segundo ela, reduzir a mortalidade neonatal exigirá, em especial, a melhoria da assistência ao pré-natal, parto e puerpério. "Atualmente, temos mais o desafio das crianças com a Síndrome congênita do zika vírus (especialmente no Nordeste), além do excesso de cesarianas desnecessárias o que aumenta o risco de mortes prematuras" aponta a especialista.

Tati avalia que é fundamental o compromisso das gestões municipais com a primeira infância. "Se conseguimos diminuir as principais causas da mortalidade infantil como a diarreia, desnutrição, sarampo, pneumonia, ainda nos chamam a atenção as que levam a óbito ainda antes de 30 dias, como a síndrome congênita de zika, sequelas deixadas pela falta de manuseio correto na hora do parto, pré-maturidade, além daquelas já citadas".

Seminário

O assunto será pauta de um dos principais eventos relativos à infância no Ceará, o Seminário Mortalidade Neonatal: desafios da atenção à saúde da criança, que a Secretaria da Saúde do Estado realiza com o apoio do gabinete da primeira-dama do Estado, Onélia Leite Santana, das 8 às 17 horas da próxima quinta-feira, no Hotel Plaza Suítes, na Praia de Iracema.

Segundo a supervisora estadual do Núcleo de Saúde da Mulher, Criança e Adolescentes, Silvana Leite, o objetivo é debater essas questões e iniciar um planejamento para os próximos anos. "Vamos reorganizar a Rede Materno Infantil, o reforço da qualidade no pré-natal e na assistência ao parto, além da expansão das UTIs neonatais. As ações, como a qualificação de profissionais de saúde, são desenvolvidas pelo projeto Qualifica SUS", informa.

A supervisora salienta que é preciso destacar a redução das taxas de mortalidade infantil nos últimos anos e relaciona, entre os motivos para o sucesso, o aumento da cobertura vacinal da população, o uso da terapia de reidratarão oral, da cobertura do pré-natal, a ampliação dos serviços de saúde, a redução contínua da fecundidade, a melhoria das condições ambientais, a ampliação do grau de escolaridade das mães e das taxas de aleitamento materno.

Mas para ir além, aponta, especialmente para a redução do componente neonatal. O Ministério da Saúde, em parceria com os estados e municípios, implantou algumas estratégias, como a Rede Cegonha, reforçando a qualidade no pré-natal e na assistência ao parto, além da expansão das UTIs neonatais.   (Diário do Nordeste)

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