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Agricultores têm dificuldades para fornecer ao PAA do Crato

Os produtores rurais cadastrados no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em Crato, não estão conseguindo garantir 100% do fornecimento devido à queda na produção agrícola. O motivo é a crise hídrica. A água utilizada no cultivo dos plantios, procedente de cacimbas, cacimbões, açudes e rios, está secando. Por conta da queda na produção dos produtos agrícolas fornecidos ao programa, a coordenação gastou somente R$128 mil dos R$258 mil disponibilizados pelo Governo Federal, não chegando nem a 50% do valor total dos recursos.

O PAA é uma iniciativa do Governo Federal para colaborar com o enfrentamento da fome e da pobreza no País. Jéssica Taiane, coordenadora municipal do programa, disse que o PAA começou 2016 sem fazer novos cadastros. Há, atualmente, 32 agricultores cadastrados, que enfrentam muitas dificuldades. Segundo Jéssica, se não chover suficientemente em 2017, o Programa de Aquisição de Alimentos ficará lamentavelmente comprometido. “Mas, como o município tem suas variantes situações hídricas, pode até ser que o quadro não seja assim tão drástico”, afirma.

O agricultor João Calixto Neto, morador do Sítio Faustino, fornece ao PAA hortaliças, legumes, milho e feijão verde. Ele conta que, devido à falta de chuvas, sua produção caiu em 70% e já não tem mais como cumprir a meta estabelecida. Já João Sabino dos Santos é agricultor do Romualdo e trabalha com a produção e o fornecimento de coco, goiaba, banana, uva, manga, laranja e maracujá. Ele disse que as frutas estão se acabando e que aquelas que ainda resistem à estiagem não são de boa qualidade em sabor e tamanho.

Como afirmou Sabino, entre 2015 e 2016, a sua produção de goiaba e manga foi reduzida em 60%. Ele estima que, se não chover logo, os plantios de coco e maracujá vão desaparecer e o único a resistir será o mangueiral, mesmo com um manufaturamento em torno de 5%. Para garantir a produção atual, foi preciso racionar água em seu roçado, de 100 mil litros/dia para 50 mil litros/dia, o que ocasionou a redução na produção e qualidade. Na mesma situação estão todos os produtores de frutas, legumes e demais produtos agrícolas do município cratense, até mesmo aqueles que mantêm seus parques de produção próximos ao Sopé da Serra do Araripe.

Diassis Leite de Pinho Filho reside na fazenda Agrifama, no Sitio Malhada, distrito de Ponta da Serra. Ele conta que está preocupado com a situação de estiagem, sem inverno regular. Sua produção de legumes e verduras diminui a cada ano, desde 2012. A água que ele utiliza é do Rio Carás, perenizado pelo açude Thomas Osterni (Umari), que está com apenas 7% de seu volume. Para amenizar o problema, ele mudou o sistema de irrigação de aspersão para gotejamento e, mesmo assim, entre janeiro e novembro, sua produção caiu para 30%.

O PAA foi implantado em Crato no 1º semestre de 2013 e começou com dois agricultores familiares, R$1 mil em caixa e uma entidade beneficiada. No 2º semestre eram cinco entidades beneficiárias, sete fornecedores e R$14 mil para aquisição de alimentos. Em 2015, o programa começou a sentir os efeitos das crises hídrica e econômica, recebendo apenas R$ 98 mil para investir e teve que reduzir de 45 para 28 o número de fornecedores.         (Jornal do Cariri)

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