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Sem transposição, apenas chuvas evitarão colapso hídrico no Ceará

Se não houver atrasos, obras do São Francisco
deverão ser entregues no segundo semestre
de 2017. 
FOTO: Eduardo Queiroz
Agora prevista para o segundo semestre de 2017, a entrega da obra foi adiada mais uma vez. De acordo com o governo federal, a empreiteira responsável pelo trecho que traz águas para o Ceará, a Mendes Júnior, desistiu do contrato em julho.
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) alerta que a quadra chuvosa de 2017 pode ser não ser tão boa quanto o esperado. Isso porque estudos indicam que o fenômeno La Niña, que costuma trazer chuvas, pode ser mais curto e influenciar pouco nas precipitações no Estado. As previsões do órgão sobre a quadra chuvosa, que começa em fevereiro, só serão divulgadas com mais precisão em janeiro.

O representante do Ministério da Integração Nacional, Jonathan Assunção, veio a Fortaleza para dizer que o cronograma não poderá ser alterado. Portanto, se não houver contestações, a licitação que será aberta em dezembro deverá contratar nova empresa em fevereiro e entregar as obras seis meses depois.

Jonathan participou de reunião com produtores, empresários e deputados ontem à noite na Assembleia Legislativa. Ele explicou que uma consulta pública está sendo feita antes da abertura da licitação, que ainda não tem valor definido, mas deverá ficar na casa dos R$ 600 milhões.

Faltam cerca de 10% das obras para concluir o trecho do Eixo Norte que liga o São Francisco ao Ceará, através da entrada no município de Jati, a 545 km de Fortaleza.

Dispensa de licitação
Parlamentares cearenses e empresários cobraram que o governo federal considerasse uma dispensa de licitação, que pode ser realizada quando a previsão de conclusão de obras é de até 180 dias.

Uma comissão será criada para pressionar o Ministério da Integração Nacional a fazer a dispensa de licitação, o que poderia adiantar em cerca de um mês a entrega das obras e evitar recursos de empresas perdedoras na licitação. “Com a dispensa de licitação, os valores são os mesmos, não seriam atualizados. Sairia até mais barato”, diz Teixeira.

NÚMEROS
124 municípios cearenses, dos 184, estão em situação de emergência

Exército
O deputado Danilo Forte (PSB) diz que sugeriu ao governo federal que usasse o exército e seu corpo de engenheiros para agilizar a obra e encurtar o prazo. No entanto, o secretário de recursos hídricos, Francisco Teixeira, explica que partes do processos exigiriam licitação, o que teria pouco impacto no prazo final de entrega da obra.

Encaminhamentos
De acordo com o deputado estadual Carlos Matos (PSDB), haverá reunião da bancada cearense na próxima sexta-feira, às 15 horas, para discutir a pauta e encontrar formas de pressionar o ministro Hélder Barbalho a resolver o problema de água no Estado. “Essa reunião serviu para vermos o que seria possível de ser realizado”, disse.                (O POVO)

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