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Um dos mais importantes rios do Ceará, Acaraú morre aos poucos

Embora a paisagem seja bonita, os frequentadores
lamentam a poluição. FOTO: Marcelino Júnior
O Rio Acaraú, um dos mais importantes do Ceará, também é um dos mais degradados, em quase todo o seu percurso de 315Km, até o município de mesmo nome, para depois desaguar no mar. Ao longo dos anos, o Rio, que nasce no município de Monsenhor Tabosa, em pleno Semiárido cearense, tem sofrido também os efeitos da natureza, com o forte calor, que causa grande evaporação e o sério problema da constante restrição de chuvas, tão comum à região, que tem causado colapso hídrico.

Ao avançar pelo sertão em busca do Oceano Atlântico, o Acaraú, que na língua Tupi significa Rio das Garças, banha 25 municípios; entre outras cidades, estão as da região Norte: Acaraú, Pires Ferreira, Santana do Acaraú, Morrinhos, Marco, Bela Cruz, Cruz, Sobral e Tamboril (da microrregião do Sertão de Crateús).

Em sua bacia, estão construídos alguns dos mais importantes açudes cearenses como o Carão, em Tamboril; o Edson Queiroz, em Santa Quitéria; o Forquilha, no município de mesmo nome; o Aires de Sousa (ou Jaibaras), em Sobral; além do Paulo Sarasate (Araras), construído sobre o próprio leito do Rio Acaraú, cuja barragem se localiza no limite dos municípios de Varjota e Santa Quitéria.

Travessia

Todos os dias, por volta das 5h30 da manhã, um pequeno movimento se inicia num trecho às margens do Acaraú, na altura do Centro de Sobral. Em pequenos grupos, pessoas se preparam, mais uma vez, para atravessar o rio em busca de resolver as mais variadas questões. O valor do transporte é algo simbólico, podendo variar de 50 centavos a R$ 1, por deslocamento. A velha canoa serve como uma opção aos transportes comuns de muita cidade do interior, como ônibus e mototáxi, considerados um pouco mais onerosos ao bolso de muitos moradores. A dona de casa Maria Holanda da Cruz, sempre faz a travessia de canoa. "Tenho 33 anos e desde pequena eu uso esse tipo de transporte, bem mais barato e rápido, já que a gente não precisa enfrentar o trânsito pesado; além de ser bem barato e rápido", diz.

A estudante Maria das Graças de Sousa, 14, é outra que se beneficia do passeio de canoa. Moradora do Bairro Dom Expedito, um dos mais populosos de Sobral, a jovem se desloca todos os dias à escola, localizada à margem esquerda do Rio Acaraú. Além da economia no bolso, Maria das Graças diz que a vista da margem ainda encanta, apesar da poluição. "O custo é pouco e eu prefiro encarar como um passeio. Sempre que faço essa travessia. Apesar do avanço da poluição, e muitas vezes do mal cheiro que sentimos, esse trecho ainda rende boas fotos para quem gosta de apreciar paisagens", garantiu.

O barqueiro Antônio Ripardo, que repete o mesmo percurso há quase 20 anos, se orgulha do trabalho que faz. Aos 56, ele afirma que não encara a travessia como algo cansativo, até porque ainda se diverte com o que considera como passeio. "Eu levo gente de um lado a outro todos os dias. Aqui o tempo passa tão rápido que a gente nem sente, quando vê, já é quase noite e tem que parar. O trabalho vai até umas 5h30, 6h da tarde. Esse dinheiro é que ajuda num gasto ou outro em casa", diz.

Às margens do rio, a aposentada Maria Ripardo se equilibra entre uma pedra e outra, em busca da posição certa para lavar roupas, ofício, que realiza desde que se entende por gente. Antes, ela recorda, o espaço era bastante disputado por muitas donas de casa que buscavam uma melhoria na renda familiar. Hoje, os tempos são outros e o velho Acaraú nem de longe lembra o colosso que foi anos atrás. Época lembrada com saudade pela senhora de 76 anos. "Isso aqui era uma beleza. A água era corrente e cristalina. As crianças brincavam na areia, enquanto a gente trabalhava. Hoje, está difícil continuar, mas a gente precisa. Ainda tenho saúde, e sempre que puder vou vir lavar roupa aqui, nessas águas", garante.

Abastecimento

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), até o início do segundo semestre de 2015, ainda fazia a captação das águas do Rio Acaraú para o abastecimento humano dos moradores dos bairros Sinhá Sabóia, Cohab I e II, Dom Expedito, Parque Santo Antônio, distrito de Caioca e adjacências, beneficiando cerca de 40 mil habitantes em Sobral.

Devido ao fechamento das comportas do Açude Araras em meados de 2015, agravado pela forte estiagem que diminuiu drasticamente as águas represadas no reservatório, o rio deixou de ser perenizado. Para evitar o desabastecimento da população, a empresa, com o apoio da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) e do poder público municipal, construiu uma adutora de engate rápido, e a ETA Dom Expedito passou a ser beneficiada pelas águas do Rio Jaibaras, que, por sua vez, recebe águas do Açude Jaibaras, que opera atualmente com apenas 10,54% de seu volume hídrico.

Hoje, o SAAE mantém um poço de captação no Rio Acaraú, com pequena vazão 60 m³/h, utilizada para auxiliar o fornecimento de água da ETA Dom Expedito. O volume total de água tratada é de 360m³/h, quando somada às águas captadas do Rio Jaibaras.                          (Diário do Nordeste)

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