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Zika: diagnóstico de bebês e grávidas infectados é alterado

O acompanhamento e trabalho de
reabilitação que acontecem hoje
nas 19 policlínicas têm uma demanda de
profissionais. 
FOTO: Elizângela Santos
O Ministério da Saúde anunciou alteração no protocolo de diagnóstico e do cuidado de gestantes e bebês infectados com zika - que podem ter microcefalia ou outra malformação. A partir de agora, as crianças cujas mães foram infectadas pelo vírus durante a gestação passam a ser acompanhados até os três anos. Outra recomendação da Pasta, divulgada no último dia 18, é a de que crianças com perímetro encefálico considerado normal podem ter o diagnóstico da zika congênita, se outras malformações forem detectadas.

A Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) aguarda comunicado oficial para estabelecer novas diretrizes e reorganizar os pontos de atenção. Para a supervisora do Núcleo de Sáude da Mulher, Adolescente e Criança da Sesa, Silvana Napoleão, a decisão é acertada e vem balizada a partir de descobertas recentes que envolvem, inclusive, médicos e pesquisadores do Ceará, que apontaram esse novo cenário da zika congênita. No entanto, é preciso mais informações e suporte para as mudanças.

Até então, o diagnóstico é realizado em cinco das 19 policlínicas do Estado, no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) e no Hospital e maternidade José Martiniano de Alencar.

Será preciso, de acordo com ela, ampliar o número de policlínicas com condições para o diagnóstico e de trabalhar com a atenção primária de saúde (postos) para que os profissionais estejam mais sensíveis e atentos ao novo protocolo. "Como pode acontecer o aparecimento de sintomas tardios em bebês, a detecção deve ser na atenção primária. A confirmação vai para a policlínica com todos os exames exigidos e, então, para a estimulação precoce e reabilitação", explica ela.

Esse é outro desafio. O acompanhamento e trabalho de reabilitação que acontecem hoje nas 19 policlínicas têm uma demanda de profissionais. Apenas cinco estão habilitadas e recebem recursos federais. As demais atendem com recurso do Estado. "Nós já pedimos várias vezes que tivéssemos um aumento dessas unidades habilitadas. Mas, como o Ceará foi pioneiro, estamos atendendo nossa demanda", justifica ela.

O Ministério também divulgou que, até dezembro, haverá a habilitação de 16 novos serviços, por meio do Plano Estratégico de Apoio aos Estados e Municípios, mas nenhum no Estado.

Entre as novidades no protocolo está a realização de uma segunda ultrassonografia no pré-natal para identificar alterações neurológicas durante a gestação. Assim, o exame deverá ser realizado no primeiro trimestre, como já era previsto, e repetido por volta do sétimo mês de gravidez. Os repasses federais para esse atendimento serão de R$ 52,6 milhões por ano. O Ministério ainda não tem a quantia que será repassada para o Ceará.

Investigação

Outra medida já divulgada, orçada em R$119 milhões, é de que a investigação dos casos nas gestantes e nos bebês será reforçada com a disponibilidade do Teste Rápido de Zika, que mostra se já houve infecção pelo vírus. Em outubro deste ano, o Ministério anunciou a compra de 3,5 milhões de testes, e o primeiro lote, de 2,5 milhões, deverá chegar até o fim do ano. Para a supervisora da Sesa, o teste rápido, que não é feito aqui no Ceará, deverá auxiliar a identificação precoce do problema.

"Estamos já nos articulando para fazer a reestruturação na rede para essas mudanças, mas não temos como definir porque os detalhes desse novo protocolo não foram divulgados. Não temos ainda o documento oficial, mas devemos estar com tudo organizado em janeiro", acredita Silvana, que também não sabe quanto de recursos e de testes virão para o Ceará. "O que recebemos foi um repasse a partir de uma portaria que auxilia o diagnóstico rápido. Não é um valor fixo, varia de acordo com o número de diagnósticos finalizados. Mas foi muito importante".                       (Diário do Nordeste)

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