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Carência de urânio não agiliza exploração no CE

Produção em Santa Quitéria atenderia ao mercado de
combustível nuclear e ainda ao mercado de fertilizantes
e ração animal, como fosfato. FOTO: Antonio Carlos Alves
Detentor da sexta maior reserva de urânio do planeta, o Brasil teve a única mina ativa do País - a de Lagoa Real/Caetité, na Bahia - paralisada e deve continuar importando todo o minério consumido em território nacional de Alemanha, Estados Unidos, Holanda e Reino Unido. Enquanto isso, as reservas cearenses de Itataia - as maiores do País, localizadas no município de Santa Quitéria - sequer possuem a licença de instalação emitida pelos órgãos ambientais e tem previsão de início da exploração apenas para 2020.
O chamado Projeto Santa Quitéria, originado da parceria público privada (PPP) entre a mineradora Galvani, a fabricante de fertilizantes norueguesa Yara e a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), tem potencial de exploração estimado em 1.600 toneladas de concentrado de urânio anualmente.
Aliado às demais reservas, isso supriria as 161,1 toneladas de urânio natural e compostos comprados do exterior em 2015 e as 33,8 toneladas do minério adquiridos de outros países até outubro deste ano, conforme o jornal O Globo informou com base em dados da a consultoria Barral M Jorge, na última semana.
Necessidade de recursos
O problema, segundo fontes do setor, é o INB conseguir recursos para garantir a exploração e também o enriquecimento do minério. O montante previsto para executar o projeto de extração de urânio em outras minas na Bahia, além de expandir a unidade química onde acontece o enriquecimento pela estatal, foi estimado em R$ 531 milhões.
Soma-se a esse valor ainda a necessidade de mais US$ 510 milhões para aumentar a produção do combustível nuclear. Atualmente, o INB só consegue dar conta de 16% do que é consumido no País. Também em entrevista ao jornal carioca, o consultor Técnico da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Francisco Rondinelli, seria necessário investir R$ 5 bilhões para tornar o Brasil autossuficiente e também exportar o insumo.
Orçamento e licenças
Em toda essa contabilidade, o orçamento para fazer da usina de Itataia uma realidade não entra. Em julho deste ano, quando foi feita a última estimativa de funcionamento do Projeto Santa Quitéria, o montante orçado para viabilizar a exploração de urânio no Ceará era de R$ 900 milhões. A PPP possui dinamismo operacional para garantir os recursos, mas está empacada no licenciamento ambiental.
"Só é permitido fazer qualquer atividade na área após a obtenção da licença de instalação, razão pela qual ainda não se iniciaram as obras de implantação do empreendimento. Os trabalhos atuais se concentram na elaboração de estudos sobre o melhor aproveitamento da jazida e a melhoria das condições operacionais", informou a Galvani também em julho deste ano. Além da licença ambiental, de responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é necessária também a obtenção da licença relativa à área nuclear, de responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
Combustível nuclear e mais
Mas não só à geração do combustível nuclear para alimentar as usinas Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro, estariam destinados os minérios explorados no Ceará. O urânio encontrado na mina de Itataia está associado ao fosfato, o que proporciona mais uma oportunidade de negócio para a PPP, a de fabricação de fertilizantes e ração animal - motivo pelo qual a norueguesa Yara resolver participar do negócio.
Estudos desenvolvidos pelas três empresas formadoras da PPP indicam que a mina cearense poderá gerar 800 mil toneladas de rocha fosfática por ano, que serão direcionados ao mercado nordestino, principalmente em Ceará, Piauí, região Sul do Maranhão, Oeste da Bahia, e ainda Tocantins.
Os benefícios gerados pela operação do Projeto Santa Quitéria ainda rendem divisas anualmente ao governo cearense: R$ 92,6 milhões em tributos, R$ 2 milhões em compensação financeira pela exploração de recursos minerais, mil empregos diretos e mais três mil postos de trabalho indiretamente.
Reservas Nacionais
Santa Quitéria (CE)
142.500 toneladas de urânio
Lagoa Real/Caetité (BA)
100.770 toneladas de urânio
Caldas (MG)
4.500 toneladas de urânio
Outras
61.600 toneladas de urânio
Total Brasil
309.370 toneladas de urânio
(INB/ Diário do Nordeste)                                                  Principal

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