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Ceará é o segundo do País com menor taxa de migração

O cearense carrega na mala a imagem de imigrante. São anos de histórias de partidas e chegadas decorrentes da peleja por oportunidade, da sempre dura convivência com a seca e na tentativa incansável de ver os sonhos realizados. Contudo, um cenário novo vem se desenhando. O cearense está ficando mais do que indo, e o percentual de migrantes, pessoas não naturais em relação ao estado ou município onde residem atualmente, caiu no Estado de 5% para 4,2% entre 2014 e 2015. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na verdade, esse processo de queda no número de pessoas de fora que escolhem vir morar no Ceará ocorre desde 2006, quando se registrou 5,6% de imigrantes no Estado. A realidade nacional também se revela semelhante. As pessoas não naturais em relação ao estado de residência somavam o contingente de 31,4 milhões, representando 15,3% da população do País em 2015, contra 15,8% em 2014. Em relação ao município de residência, o contingente de pessoas não naturais foi de 78,3 milhões, ou seja, 38,2% da população. Já em 2014, esse percentual era de 39,5%.

A região Nordeste, tradicionalmente considerada "área de expulsão ou emigração", foi a que registrou os menores percentuais de pessoas não naturais, tanto em relação à unidade da federação (7,2%) como ao município de residência (30,4%). O Ceará tem o segundo menor índice, com 4,2%, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul, com 4,1%. Se considerarmos os não naturais em relação ao município de residência, Piauí (27,0%) e o Ceará (27,9%) obtiveram os menores percentuais.

O professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio Gentile, explica que o Estado passou por um momento de expansão econômica e se tornou atrativo para imigrantes brasileiros e, sobretudo, estrangeiros. "Durante a crise na Europa, que começou por volta de 2011, muitos europeus migraram para cá para procurar trabalho ou para investir. Eles queriam fazer dinheiro e negócios. Já a migração interna aconteceu com o surgimento de postos de trabalho na indústria da construção civil e serviços", explica ele.

Foi em busca dessas oportunidades que o administrador Edinelson Santos, a professora Monique Santos e o filho Davi deixaram o Rio de Janeiro e chegaram a Fortaleza em novembro de 2014. Ele passou no concurso público e escolheu a cidade como novo lar. "Viemos por causa do emprego, mas escolhemos o destino por causa do clima, porque era uma cidade grande e pela praia", confessa Monique.

No entanto, em julho de 2016, a família voltou para casa. A saudade dos parentes apertou e a possibilidade de retorno foi mais atraente. "A gente sentiu falta de casa, da família. Mas aqui a gente também sente falta dos amigos que fizemos aí, de andar no calçadão, de comer camarão no Mercado dos Peixes", conta a professora, que não teve dificuldade de conseguir emprego aqui, mas se surpreendeu com a violência e com as poucas opções culturais disponíveis.

Oportunidade

A redução da migração mostra que a falta de oportunidade causada pela crise econômica vivenciada atualmente no Brasil estimula que as famílias fiquem em suas terras natais. "A migração faz parte da humanidade. Mas ficar no lugar em que você nasce, que se construiu raízes é positivo. O que leva uma pessoa a sair do lugar onde tem suas referências? Oportunidades. Se não tiver isso é muito difícil que haja a mudança", pondera ele, que reforça que esse movimento migratório é menor também quando avaliamos o percurso Interior e Capital.

Existia antes maior procura pelas grandes cidades. Hoje, de acordo com Gentile, as políticas sociais, como Bolsa Família, deram mais força para que a população mais pobre consiga resistir a arrancar suas raízes. Muitos emigrantes que saem do Ceará não conseguem, no entanto, tirar o Ceará deles. Embora não cite números relacionados a esses retornos por região, o levantamento feito pelo IBGE sobre os "Deslocamentos Populacionais do Brasil" revela que "as principais correntes migratórias observadas no passado estão perdendo intensidade e observa-se também um movimento de retorno às regiões de origem".

O documento cita os imigrantes de retorno - aqueles que chegam de volta à terra natal após passar algum tempo fora - por estado e revela que a participação relativa dos imigrantes de retorno no total de imigrantes no Ceará, por exemplo, foi de 19,66%, em 2004, e de 13,34%, em 2009.

Voltar para casa é o plano que o advogado Claudio Medeiros, 47 anos, acalenta há anos. Nascido em Fortaleza, saiu de casa para São Paulo em 1986, com 15 anos. Um dos cinco filhos de um mecânico e uma dona de casa, viu no curso de formação da Aeronáutica, a possibilidade de vencer as dificuldades financeiras. Apesar da dureza e do rigor da rotina militar, ficou por não enxergar alternativas. Morou em Belém e, há 20 anos em Natal, construiu família e lar. Estudou e ampliou as possibilidades. Agora, sente que está perto de voltar. "Essa ligação com as raízes existe sim", justifica ele.                    (Diário do Nordeste)                       Principal

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