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Cariri tem seis municípios com áreas degradadas e improdutivas

Área infértil e inadequada ao cultivo chega a quase
16 mil quilômetros quadrados. FOTO: Serena Morais
O Ceará é a única unidade da federação sentenciada pela natureza a ter cem por cento de todo seu território desertificado. As cinco regiões do Estado apresentam visíveis sinais de perda da sua capacidade produtiva e já chega a quase 16 mil quilômetros quadrados inférteis e inadequados ao cultivo de quaisquer plantas ou atividades agrícolas. As informações estão no documento apresentado por Margareth Benício, gerente de Recursos Hídricos da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). Sterpheson Ramalho, engenheiro florestal, acredita no que previu a meteorologista Margareth. Para ele, é possível, caso não exista políticas públicas voltadas para investimentos no uso dos recursos naturais, que, num futuro bem próximo, o Ceará seja a primeira região do Brasil com área totalmente deserta. 

Os municípios de Canindé e Irauçuba apresentam as maiores áreas de solo degradado. Para Sterpheson Ramalho, o Ceará possui esta possibilidade por ter a maior parte de seu território em região semiárida. O processo de desertificação se encontra em estado evolutivo e preocupante, muito embora, segundo ele, não se trate ainda de desertificação totalmente diagnosticada, mas em áreas de estágio bem avançado que, provavelmente, em bem pouco tempo, se tornarão desertas e, por conseguinte, improdutivas. 

“Não é somente a falta de chuvas a causadora do problema, mas um conjunto de fatores. Alguns deles produzidos pela própria natureza, que se isola e não consegue ter vidas, nem fauna, nem flora, tendo seus microrganismos levados pela erosão. Esses fatores estão associados às ações do homem que, na maioria das vezes, desconhece regras ambientais e não procura enxergar o fenômeno”, explica o especialista. 

Ao contrário do que muitos pensam, o Cariri já possui vasta área com sintomas de desertificação. Para Sterpheson, uma das ações da natureza que vem promovendo o fenômeno na região é o fato dela ter mais sol do que precisamos, causando um déficit muito grande de evaporação, notadamente nas áreas mais secas, de base cristalina, onde os índices pluviométricos são abaixo do aceitá- vel, a exemplo de Lavras da Mangabeira, Aurora, Nova Olinda, Várzea Alegre, Altaneira e Assaré, que se encontram em estágio bem adiantado de desertificação. 

O engenheiro disse que a atual situação é grave, porém não alarmante em comparação as outras quatro regiões que possuem impacto bem maior. Sterpheson Ramalho disse que uma área ganha a condição de desertificada quando ela perde totalmente sua capacidade produtiva e, quando isto acontece, é possível seu restabelecimento. “É uma operação caríssima do ponto de vista de recursos financeiros. Melhor é gastar o dinheiro preventivamente, na preservação das áreas com sintomas”, disse ele. Sterpheson Ramalho foi secretário municipal de Meio Ambiente do Crato e é ex-secretário geral da Fundação Araripe. 

Em 2013, aconteceu o I Encontro Regional de Enfrentamento da Seca e da Desertificação da Biorregião do Araripe, quando foi discutido o tema e levantadas questões que foram apresentadas no Encontro Nacional realizado na Paraíba e depois no Mundial ocorrido na Namíbia. Na ocasião, o Cariri apresentou algumas importantes iniciativas reverenciando a região com projetos tecnológicos. Quatro anos depois começam a ser colocadas em práticas algumas ações no Cariri e em todo o Ceará. O Fundo Nacional do Meio Ambiente, o Ministério do Meio Ambiente, a Fundação Araripe e o Instituto Xingó estão empenhados na articulação de recursos para que sejam implementados os investimentos na conservação dos solos e nas formas de uso da vegetação. 

(Jornal do Cariri)

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