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Precariedade no CAPS Crato inclui a falta de receituário médico

Vereadores cratenses relataram a insatisfação
popular durante sessão na
Câmara Municipal. FOTO: Serena Morais
Desde a reforma psiquiátrica, que resultou no fechamento de hospitais como o Santa Tereza, em Crato, a forma de tratamento daqueles que sofrem com doenças mentais vem sendo alterada. Como serviço substitutivo ao modelo dos hospitais psiquiátricos, o Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) recebe a demanda e engloba a rede pública de saúde. No Crato, a unidade que atende mais de 2,4 mil pacientes se tornou alvo de críticas em sessão legislativa.

A aposentada Valéria Carvalho tem dois familiares que enfrentam problemas desde dezembro, diante da precariedade dos serviços ofertados pelo CAPS II. Ela denunciou falta de receituário e remédios e até condições de trabalho precárias para os atuais servidores que lotam a unidade. “Falta tudo. Doutor Carlos Ticiano é um médico excelente. Mas ele não tem condição de passar sequer um medicamento para o paciente, porque falta papel”, desabafa.

Valéria afirma que os parlamentares devem ter consciência da situação da rede psicossocial municipal e tomar providências. A aposentada relata, ainda, ausência de transporte, alimentação e de profissionais capacitados e humanizados para o serviço. Ela, que também é representante do Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), afirmou que o movimento vai elaborar um relatório sobre a atual condição de prestação de serviço para ser entre à gestão municipal, cobrando melhorias.

“Não estou denunciando isso por conta só dos meus familiares, mas pelas mais de duas mil famílias que também precisam dos serviços. É inadmissível ouvir de um funcionário do CAPS que temos que conter, ou seja, amarrar os pés e mãos do paciente em surto, porque não há receituário para o médico indicar o remédio. Não é isso que preconiza nossa legislação. Cadê as terapias para socialização desses pacientes? Cadê o condomínio dos juízes, onde iria funcionar os serviços?”, questiona Valéria.

Repercussão na Câmara

Assim como os familiares de Valéria, a vereadora Vicencia Leando (PMN) relatou que dois pacientes estavam em surto por falta de medicamento, que está em falta na unidade. O edil Maurício Almeida (PDT), que é psiquiatra, acrescentou a insatisfação sobre a cobertura do serviço que previa atendimento 24h nos hospitais gerais. “A reforma psiquiátrica fechou os manicômios, mas determina que hospitais gerais tenham médicos e leitos específicos para os pacientes em sofrimento mental”.

O vereador Renan de Almeida (PEN) observou que os hospitais locais não se credenciaram para ofertar esse atendimento pelo SUS. Já o Caps III, que fica em Juazeiro do Norte e disponibiliza de atendimento 24horas, não comporta a demanda das duas cidades. Para o vereador Amadeu de Freitas (PT), é preciso que uma comissão de edis seja formada para debater alternativas que melhorem o serviço no Município.
Roberto Anastácio (PTN) acusou a gestão anterior de ter “desviado” a verba que era destinada ao Hospital Santa Tereza, cerca de R$ 200 mil, e que deveria estar empregada no CAPS II e no AD (Álcool e Drogas) de Crato. Para ele, é necessário abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os desvios na saúde na gestão do prefeito Ronaldo Mattos. Bebeto, como é popularmente conhecido, criticou a falta de licitação para a aquisição de medicamentos e receituários.

No CAPS, funcionários confirmam a falta de remédio, mas negam as demais denúncias e afirmam que os serviços seguem normalmente.             (Jornal do Cariri)

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