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Construção da Igreja da Colina do Horto em Juazeiro foi retomada

Em maio deste ano, a administração do Horto do Padre Cícero lançou um projeto, abraçado pela distribuidora de energia do Estado, a Enel, para captar doações por meio da conta de energia elétrica. FOTOS: André Costa
Juazeiro do Norte. Projetada para ser o quarto maior templo católico do Brasil, a Igreja Bom Jesus do Horto, na colina do Horto, neste Município do Cariri cearense, teve suas obras retomadas no mês passado.
Além da arquitetura imponente, em forma de espiral, a Igreja carrega consigo o peso de ter sido um desejo antigo do Padre Cícero Romão Batista, patriarca juazeirense. "Ele sempre sonhou em ter uma Igreja construída na Colina, no ponto mais alto da cidade", recorda Antônio José da Silva, morador do Horto há 30 anos.
Apesar de seus 90 anos de vida, seu Antônio preserva a memória que remete à criação do bairro do Horto e as lendas que envolvem a comunidade. "Desde pequeno acompanho a história do 'Padim Cíço' e sei o quanto ele queria a construção dessa Igreja. Ele sempre teve o desejo de tornar Juazeiro a Capital da Fé e, para isso, acreditava ser necessário fortalecer as romarias e ter uma Igreja à altura da fé católica", lembra. As obras, no entanto, passaram por diversos problemas financeiros. Iniciada em fevereiro de 1999, a construção avançou a passos lentos, por falta de recursos. Hoje, está com apenas 33% de execução.
A perspectiva futura, porém, é animadora. Em maio deste ano, a administração do Horto do Padre Cícero lançou um projeto, abraçado pela distribuidora de energia do Estado, a Enel, com o objetivo de captar doações por meio da conta de energia elétrica. Os recursos provenientes das doações, segundo explica Carmina Freitas, administradora do Horto e idealizadora do projeto, "serão investidos, não só na construção da Igreja, mas na requalificação da Colina do Horto e manutenção da estrutura e obras sociais do Padre Cícero". Atualmente, a fundação desenvolve atividades que beneficiam 400 crianças, adolescentes, jovens e suas famílias de baixa renda, totalizando cerca de 2.000 pessoas.
Luz do Horto
A adesão é feita de forma espontânea, diz Carmina. "Basta o contribuinte informar, por meio de um formulário que será entregue em sua residência, a aceitação ao programa e o pagamento será anexado à conta de energia pela Enel", detalha.
O contribuinte pode doar a partir de R$ 2 por mês e a abrangência do projeto será em todo o território cearense. Os recursos destas doações, acrescenta Carmina, serão utilizados em sua totalidade para execução do aludido projeto em prol da requalificação urbanística, ambiental, paisagística e de desenvolvimento sociocultural.
Com o advento do projeto Luz do Horto, Carmina Freitas estima que a Igreja deva ser concluída em "dois ou três anos, no máximo, dependendo das doações dos fiéis". Para setembro, está prevista a finalização da primeira etapa, que compreende o altar da Igreja. "É uma obra de beleza estética e religiosa. Padre Cícero sempre foi um visionário e sonhava ter uma grande igreja construída na Colina para acolher os milhões de romeiros que todos os anos vêm a Juazeiro do Norte", diz Carmina. Quando finalizada, a Igreja com área total de 6 mil metros quadrados, terá capacidade para 30 mil pessoas, e será a quarta maior do País. O valor total, que engloba a construção da Igreja e a revitalização da Colina, está estimado em cerca de R$ 30 milhões.
De quase todos os cantos da cidade é possível apreciar o teto da Igreja, erguida no ponto mais alto de Juazeiro. A arquitetura, cujo projeto é italiano, impressiona. A construção foi desenvolvida de modo a acolher milhares de católicos, sem pontos cegos e com acústica especial. O ponto mais alto do teto, a Cruz, atinge 50 metros do chão. Além disso, serão três templos, dentro de um, explica Carmina. "O projeto contempla um altar para as grandes missas ao ar livre; a igreja propriamente dita; e uma capela própria para pequenas cerimônias", explica.
A área da construção é de 5.700 metros quadrados, dos quais 2.000 estão sob a grande cobertura. A igreja acolherá 1.300 lugares sentados; a capela outros 100; enquanto, na arquibancada podem encontrar lugar outras 3.000 pessoas em pé. A parte externa da Igreja poderá acolher, em missa campal, 30 mil pessoas. "A igreja se estende idealmente e praticamente a toda a colina, até a Estátua do Padre Cícero, que fica em posição de acolhida dos peregrinos e convidando-os a entrar no grande espaço sagrado que faz da arte e da natureza uma única epifania", pontua Carmina Freitas.
Religiosidade
A religião também está presente na arquitetura. "No nosso entender, a igreja precisa expressar um pouco desta vida do sertanejo e de sua comunhão com o Senhor, por isso esse formato em espiral, que representa o abraço, o acolhimento", detalha a administradora do Horto. Ela destaca, ainda, o altar, como símbolo maior da Igreja. "Ele ocupa justamente o centro. Será um lugar banhado pela luz. Ao redor, foi concebido um piso que lembra a palmeira ou folha carnaúba. Esta árvore tem um sentido muito grande para quem aproveita dela tudo o que pode oferecer: alimento, sombra e abrigo", diz.
Até mesmo a cor preta do granito do piso foi pensada de forma a refletir "todas as cruzes que estão nos painéis de metal ao redor do presbitério". A proposta é revestir as paredes com azulejos brancos, amarelos e azuis, e com desenhos da natureza e do local, como a flor do Juá, palma, jandaia e jangada. Carmina lembra ainda do ambão, local onde se leem as escrituras, a fonte batismal que terá água corrente coletada da chuva e o design da arquibancada. "Será um projeto majestoso. Que une simplicidade e fé, na sua concepção máxima da palavra", finaliza.               (Diário do Nordeste)

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