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Crato tem déficit de 280 leitos nos hospitais

Profissionais da área da saúde apontam deficiências na estrutura médico-hospitalar do município cratense, que almeja sediar um curso de Medicina. Aloísio Brasil, médico reumatologista e clínico geral, lembra que o Crato perdeu três instituições de saúde nos últimos anos. Os hospitais Manoel de Abreu, o Pediátrico e o Santa Tereza (psiquiátrico) fecharam suas portas. Outro ponto desfavorável para a saúde pública, segundo o médico, foi o descredenciamento do Hospital São Miguel do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para Aloísio Brasil, as perdas geraram um dé-ficit estimado de 280 leitos de atendimento público, o que excluiu o Município dos padrões ditados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda a media de 3 a 5 leitos para cada mil habitantes. “Considerando os preceitos da OMS e tomando por base a população do Crato, que é de 130 mil habitantes, conforme censo 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente, o Município necessitaria de 390 leitos. Mas, as duas únicas unidades hospitalares da cidade, credenciadas pelo SUS, contemplam apenas 223 leitos, criando-se uma soma deficitária de 167 vagas, sem contar com o baixo número de 15 leitos para a pediatria e um resumido número de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em todo o sistema da micro-região de saúde”, avalia Aloísio Brasil.
Para ele, a deficiência vem comprometendo o atendimento público de saúde. O médico estima que, se continuar assim, em até 10 anos a situação vai se agravar ainda mais. As 400 ações ajuizadas pela população cratense nas varas cíveis da comarca local, solicitando judicialmente serviços assistenciais, refletem na precária situação estrutural que o Município oferece, que segundo ele está na iminência de um colapso. “Gestores públicos, população e a classe médica do Município devem unir forças e lutar por melhorias, e evitar que o pior aconteça”, pondera o médico. A estrutura médico-hospitalar do Crato foi agravada com o fechamento do Santa Teresa, especializado em tratamento mental. Alo- ísio lamenta a desativação do hospital que funcionava como unidade regional, já que atendia pacientes de municípios circunvizinhos e até de outros estados. “Com a desativação do Santa Teresa, não ficou nenhum leito reservado aos pacientes portadores de doenças psí- quicas, diferentemente do que acontece em várias cidades do interior do Ceará, que disponibilizam em seus hospitais não especializados leitos para esses tipos de pacientes. “A responsabilidade maior é do Estado, que se mantém em silêncio em relação ao caso.
O Município cratense, como detentor da gestão plena, deveria ter implantado um plano B, para criar meios de não deixar órfãos tantos doentes mentais e suas famílias. Um Município com 130 mil habitantes não ter um leito para tratamento psiquiátrico é uma situação muito grave”, alertou. Para a professora de Enfermagem, Ana Cláudia de Oliveira, a estrutura médico-hospitalar em qualquer cidade ou região serve como parâmetro de avaliação do bem-estar das pessoas. A professora destaca a fila para espera de exames ou decisões judiciais para tratamento de saúde como duas das principais deficiências na estrutura médico-hospitalar, porém os considera problemas de cunho nacional. “A falta de hospitais municipais é uma das grandes baixas na estrutura da rede pública de atendimento de qualquer região ou município. O Crato está inserido nesse cenário, mesmo quando se sabe que a forma de administração desse tipo de unidade é a mais fácil do sistema, a partir da parceria entre entes públicos e privados”. Ainda segundo Aloísio Brasil, na Microrregional de Saúde do Crato já existe um consórcio com personalidade jurídica com poderes para gerir um hospital público no Município a serviço de uma população estimada em 500 mil pessoas de 13 municípios, o que levaria a ensejar uma melhor qualidade de vida de toda região. Para o especialista em gestão hospitalar, Francisco Vieira Gonçalves, se o Ministério da Educação usar como critério a estrutura médico-hospitalar do Crato e sua microrregional para aprovar o curso de Medicina, o processo poderá se tornar inviável.                            (Jornal do Cariri)              Principal

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