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Romaria ainda é mercado para fotógrafos de Juazeiro do Norte

Antes dos smartphones, o mercado da fotografia
nas ruas de Juazeiro era próspero. Agora é reduzido.
Mas, nas romarias ainda salvam. FOTO: Antonio Rodrigues
Juazeiro do Norte. Na Romaria de Nossa Senhora das Dores, deste ano, Juazeiro espera receber cerca de 400 mil visitantes, entre os dias 9 e 15 de setembro. A população na cidade aumenta mais que o dobro. É nesse período que o comércio informal movimenta a economia local. Ambulantes e camelôs aparecem no Município em busca de aumento de renda; enquanto os moradores também se arriscam em vender nos dias de festejos.
Os romeiros costumam procurar, principalmente, panelas de alumínio, bijuterias, redes de renda, confecções, artigos importados e as imagens de santos. No entanto, há profissionais enxergam a festa como a garantia de sustento: os fotógrafos.
Horto do Padre Cícero
A cidade se notabilizou por ter muitos deles, principalmente, após a inauguração da estátua do Padre Cícero, em 1969, que se tornou o principal cartão-postal de Juazeiro do Norte. Lá, no alto da Colina do Horto, milhares de romeiros visitam o monumento e registram a passagem pela "capital da fé".
Antônio Bento da Silva, 61, é um desses fotógrafos, que trabalham diariamente nos pés do patriarca do Município. Há 43 anos, ele faz fotografia e é dela que se mantém. "Foi o meio que encontrei para sobreviver", lembra. Após juntar dinheiro e comprar a primeira máquina, aos 17 anos, Antônio iniciou o trabalho no Horto com monóculos, peça que visualiza o negativo por meio de uma lente de aumento, e garante que, ainda hoje, tem gente que os procura. Depois que tecnologia começou a avançar, Antônio Bento teve que se adaptar às exigências dos novos clientes, principalmente, os romeiros que visitam a cidade. "O monóculo era uma tradição muito grande que a gente tinha aqui no horto. Aí, veio o filme, a foto de papel. Isso acabou com o monóculo de uma vez", explica o fotógrafo.
Com a chegada da máquina analógica, Antônio mudou a rotina: de manhã, fotografava no Horto; de tarde, descia até o Centro para revelar as fotos. "Eu ia nos hotéis, nos ranchos e na Matriz para entregar. A gente entregava o cartão de visita para identificar a pessoa", completa. Hoje, ele utiliza a máquina digital e acredita que este outro avanço tecnológico facilitou sua vida, pois o tempo de revelação - agora impressão - diminuiu e ele entrega em cinco minutos para o cliente. Além de Antônio, outros fotógrafos alugam espaços na Horto onde deixam suas impressoras para entregar o produto rapidamente ao romeiro.
Principal concorrente
Por outro lado, Antônio Bento acredita que a tecnologia tornou ainda mais difícil a profissão do fotógrafo. Segundo ele, o principal concorrente é o celular. "O celular está acabando com a fotografia. Você bate aqui e já envia pra qualquer parte do mundo", explica. O fotógrafo conta que diminuiu muito o número de clientes com o passar dos anos. "Muitos romeiros já vieram aqui várias vezes e não tiram a foto mais. Já tiraram no mesmo local e querem fotos diferentes", acrescenta ele.
Mas quando chega na época de romaria, Antônio Bento e outros fotógrafos aproveitam o expressivo número de visitantes e trabalham com mais frequência. Nos dias comuns, cerca de 15 profissionais fotografam no Horto. Já na romaria, a partir do dia 10 deste mês, o número sobe para cerca de 50. Muitos deles já têm os clientes fixos, que os procuram no pé do monumento.
Além do Horto, os serviços são encontrados na Basílica de Nossa Senhora das Dores e na Praça Padre Cícero. O preço de cada foto fica em torno de R$ 10; duas fotos, podem ficar por R$ 15,00. O cliente paga os custos da impressão. Só que o romeiro pode negociar, pessoalmente, com o fotógrafo.
Um dos clientes de Antônio Bento, o servidor público Júlio Xavier, acredita que os fotógrafos ainda são muito procurados porque os romeiros gostam da qualidade do serviço. "Da maneira que você quiser tirar, eles tiram. É rápido e a fotos que eles entregam e não desbotam", explica o morador de Barbalha, que sempre visita a cidade vizinha durante as romarias.                    (Diário do Nordeste)                                         Cariri Principal

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