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Após 35 anos, o cafezinho mais famoso do Crato pode acabar por falta de apoio político

Juciê vende café há três décadas, mas comércio deve se
encerrar em breve. FOTO: Felipe Azevedo - Site Miséria
O cafezinho mais famoso do Crato poderá deixar de existir em breve. Prestes a completar 80 anos, Juciê Souza Floro, que vende a bebida há pelo menos 35 anos na praça Siqueira Campos, não pretende continuar a tradição caso não seja cumprida a promessa feita por políticos de construir ali um pequeno quiosque de apoio. 

O café é bom e a conversa, também. Uma mesinha de plástico com várias garrafas térmicas em cima e banquinhos em volta é o ambiente necessário para manter viva a tradição de vender cafezinho praça. Mais do que cultural, é dali que ele tira o sustento há três décadas e foi assim que criou os quatro filhos.

Juciê começou como funcionário do Café Líder, pequeno ponto comercial na Siqueira Campos, cujo dono era o empresário Oreste Costa. Pouco tempo depois o local passou a se chamar café Crato e depois de muitos anos trabalhando ali, o rapaz já experiente na arte do café comprou todos os utensílios para o preparo da bebida e passou a ser dono do negócio.

Assim passou muitos ano. Juciê conhece a Siqueira Campos como a própria casa. Sabe decorado todos os detalhes de como era, como é e como deveria ser aquele lugar histórico. Com o tempo decorou como cada cliente fiel gosta do seu café. Sabe, por exemplo, quem gosta com muito, pouco açúcar, adoçante e até de quem nem toma café, ma gosta de conversar.

Há seis anos recebeu a notícia de que o ponto comercial onde trabalhava seria vendido para construção de um pequeno prédio. Se viu um tanto quanto perdido e montou sua mesinha ali em frente, em cima da praça, sob a promessa do prefeito de que construiria no local um quiosque com a estrutura necessária e tratou de esperar.

"Eu não sei como por aí ainda vendem café de 25 centavos", ele desabafa. Vendendo duas garrafas de café por dia, ainda fatura cerca de um salário mínimo por mês e, juntando com a aposentadoria, "dá pra pagar as contas". Bom mesmo era quando vendia 10 garrafas diariamente, ele relembra, e desabafa: "a crise chegou até pra mim".

Hoje com 78 anos, Juciê desabafa e diz que aos chegar nos 80 deverá parar de trabalhar. para ele, que hoje tira um salário mínimo por mês, já não é mais tão fácil carregar todos os dias  o material da sua casa - distante seis quarteirões dali - até a praça. "Se tivesse o quiosque era melhor, eu deixaria minhas coisas aqui, teria mais condições de trabalhar e continuaria vendendo café", diz.

Ele não quis dizer quais foram os autores da promessa, preferiu deixar no anonimato e esperar mais um pouco que se cumpra a palavra. Em tempos de cafeterias decoradas, cappuccinos com Nutella e tanta firula, o velho e bom cafezinho da praça corre o risco de deixar de ser uma tradição e se transformar em memória.                (Site Miséria)

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