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A história de um cineasta do Cangaço que vive sozinho na estação de trem em Juazeiro do Norte


Sérgio, 71, cuida do prédio desde 1979 e afirma que mantém o lugar protegido dos vândalos. FOTO: Felipe Azevedo
Aos 71 anos, Sérgio Barros passa maior parte do tempo no prédio da antiga estação de trem, no bairro Franciscanos, em Juazeiro do Norte. Desde 1979 cuidando do lugar, há alguns meses transformou uma das partes do prédio em uma exposição sobre o Cangaço, contando a história do bando de lampião, mas ainda não recebeu muitos visitantes. 

Na verdade, nenhum. Além da conversa que teve com esta reportagem, Sérgio conta que ninguém mais se interessou em visitar a galeria que montou com fotos, roupas, chapéus e quadros dos cangaceiros. Seja por falta de divulgação ou por se tornar improvável que o prédio abrigue mais do que poeira e madeira velha, "ninguém se interessa", ele diz.

Natural de Fortaleza, Sérgio mantém uma relação com a história do cangaço nordestino há muitos anos. Foi amante do cinema e, ainda na capital, conheceu os filmes do Tarzan e do Zorro pelas telas gigantes. Em certo ponto fez amizade com um dos projetistas e aprendeu o básico de como produzir filme.

Migrando para o interior, em 1979 desembarcou na estação de Juazeiro do Norte, lugar onde sabia através dos jornais que havia sido um dos redutos da trupe de Lampião, Padre Cícero e demais personagens da história do cangaço.

Aqui se encantou pelo prédio da Rede Ferroviária Federal, a Rffsa, e após uma conversa com o então prefeito Ailton Gomes de Alencar (1977-1983), recebeu a permissão de cuidar do lugar. Foi ali que Sérgio pôs em prática o que aprendera em Fortaleza, das próprias mãos saíram as peças, os figurinos, e do próprio pulso os roteiros das falas dos filmes que no futuro viria a produzir.

O primeiro deles foi no início dos anos 2000. O cenário do cangaço foi no Sítio Pedrinhas, zona rural juazeirense. O novo cineasta (que também se virava como ator, produtor, câmera, roteirista e contra-regra) encheu de aspirantes a atores e atrizes dois ônibus amarelos do tipo escolar cedidos pela prefeitura e partiu para gravação. Ninguém cobrou cachê.

Assim nasceu "Lampião - Eu sou a Lei", primeira película de Sérgio que, na verdade, tornou-se segundo plano. No meio da produção, uma ligação de um amigo de Fortaleza mudou o rumo das gravações. O longa-metragem fora interrompido para a produção da "Saga de Corisco", curta sobre um dos agregados de Lampião, que foi exibido dias depois na capital, para orgulho de Sérgio.

Com semblante cansado, Sérgio Barros confidencia que não é "apegado ao dinheiro". Com os olhos marejados ele se lembra das vezes que literalmente saiu de porta em porta pedindo apoio em suas produções. "O que eu quero é ser lembrado como um homem que falou e não deixou a memória cangaceira morrer", diz.

Todos os anos, desfila caracterizado de Virgulino Pereira da Silva, o Lampião. Ele e seu bando interpretam as investidas tal qual fazia o bando no século passado. Para tal, conta com a ajuda de órgão do Governo Federal, fomentadores da cultura na região e produtores culturais.         (Site Miséria)

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