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Incerteza sobre frete atrapalha saída de mercadorias do Ceará para outros estados

Material da Aço Cearense preso em estoque por
falta de frete. FOTO: DIVULGAÇÃO
O Governo mais uma vez voltou atrás sobre a tabela atualizada do frete mínimo. Revogada, no último dia 7, a regulação do transporte de cargas causa indefinição para os caminhoneiros e impacto no transporte de cargas a setores da economia cearense. Reflexo disso são mercadorias aguardando despacho para outros estados, represamento de preços por receio de queda no consumo e diminuição da frota de caminhões para atender as empresas no Estado.

No segmento de eletroportáteis, a Mallory teve de paralisar as operações e contabiliza alta de 150%, em média, no frete de mercadorias para o Sudeste. A fábrica fica em Maranguape. “Falta caminhão para ir para o Norte, porque os caminhoneiros querem ir para o Sudeste, porque os valores para lá encareceram quase três vezes aquilo que cobravam antes. Piauí, Maranhão e Belém têm lucratividade menor. Caminhoneiros pegam carga e com 2, 3 horas devolvem porque encontram fretes mais elevados para realizar”, afirma Annette Reeves, vice-presidente da Mallory.

Matéria-prima não chega à fábrica e há ruptura da Mallory no fornecimento de mercadorias aos clientes. “Alguns produtos nossos anunciados em promoção nos tabloides não conseguimos entregar e isso impacta em multa para nós”, explica Annette. Para diminuir a dependência do modal rodoviário, a empresa optou por cabotagem (navegação entre portos brasileiros).

“Temos materiais que estão em estoque. Nossa carteira de entrega é muito grande, mas a escassez de veículos prejudica a operação. Muitos caminhoneiros deixam de rodar por causa do vai e volta do Governo”, critica Ian Corrêa, vice-presidente da Aço Cearense. O impacto é de 35% no volume de entregas ao dia. Há atrasos e não existe previsão de colocar as entregas em dia. Segundo ele, o custo do frete aumentou 120%.

A Carbomil, que trabalha com insumos para a construção civil, vê os custos logísticos prejudicar o envio de mercadorias, especialmente para estados do Sudeste, além de Alagoas e Pernambuco. “Não conseguimos despachar mercadoria por causa do frete mínimo, mesmo após a revogação. Temos materiais estocados e a previsão é que possamos parar uma unidade produtiva”, diz Mário Jorge Nunes, diretor de logística da Carbomil. A companhia possui fábricas em Limoeiro do Norte, Banauiú e Quixeré.

O agronegócio cearense já calcula um 10% a mais no frete por conta das indecisões do Governo. “Diferentemente de outros setores que podem segurar os produtos e esperar a resolução desse impasse, nós não temos tempo. Nossa mercadoria é perecível, precisamos despachar com rapidez. Fizemos algumas negociações e hoje trabalhamos com um aumento de 10% do frete. Não aplicamos a tabela. Se assim fosse, esse percentual subia para 60%”, explica Luiz Roberto Barcelos, diretor da Agrícola Famosa e presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Os valores das frutas, por sua vez, não sofreram alteração. “Mercadorias mais caras significam menos consumidores. Menos consumidores respondem por menos produção. Assim, todos perdem nessa equação, inclusive o setor de transportes”, calcula.

Para o empresário Honório Pinheiro, vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojista do Ceará (FCDL), a revogação aumenta a insegurança jurídica. “Ficamos a três mil quilômetros dos centros produtores e sofremos com essa alteração na tabela”, diz. Ele afirma que as transportadoras trabalham com frota reduzida por conta das indefinições. “Os transportadores que tenho conversado estão inseguros. Não sabem quanto vão cobrar. Eles querem garantir a volta ao sair do Ceará. Com uma regulação, isso se torna mais difícil. No fim, todos somos reféns das indecisões, da fraqueza e da falta de compromisso do Governo diante das pressões”, critica.

O vice-presidente de M. Dias Branco, Geraldo Luciano Mattos Júnior, considera cedo para mensurar o tamanho do impacto no preço dos produtos. Ele cita as promessas de mudanças e os processos judiciais contra o frete mínimo. Para Geraldo Luciano, mesmo que não haja ajuste na tabela atual, haverá aumento forte nos custos. “Principalmente para as empresas do Nordeste, porque tabelaram pelo preço de São Paulo”. O Grupo vai discutir o tema na próxima semana. No caso do setor de massas e biscoitos, existem outras pressões mais fortes, como o preço do trigo e a alta do dólar.          (O Povo)

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