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Espedito Seleiro: do solo sertanejo às passarelas de moda

FOTO: Raul Sampaio

Quando lampião encomendou a um vaqueiro uma alpargata retangular que despistasse os soldados das volantes, mal podia imaginar que dessa forma estaria influenciando a moda para além do seu tempo. Raimundo Veloso, o homem que aceitou a encomenda do cangaceiro, era pai de Espedito Veloso de Carvalho, conhecido hoje, nacional e internacionalmente, como Espedito Seleiro, o responsável por reverberar essa história e a identidade sertaneja.

Espedito por muito tempo reproduziu os ensinamentos do pai fabricando vestimentas em couro para vaqueiros, mas quando percebeu escassez de clientela, decidiu inovar. “Foi se acabando o cangaceiro, o vaqueiro, esse pessoal que usava as peças de couro e aí eu tive que trabalhar para a cidade grande, e foi assim que deu certo”, conta Espedito, que hoje assina peças que vão de sandálias e bolsas a móveis e itens de decoração.

A lida com o couro é de família e já passa por 5 gerações. “É uma coisa que eu gosto e que faço para me manter e para manter a nossa cultura, que é a coisa mais valiosa que possuímos”, diz o artista em entrevista. Filho mais velho de onze irmão, Espedito também foi um autodidata. Em determinado momento, quando percebeu que as sandálias de couro cru estavam perdendo adeptos, iniciou uma jornada trabalhosa de testes e experiências de tingimento natural até chegar às tonalidades que trabalha hoje. Com Urucum tingiu o couro de vermelho, com casca de Angico, de marrom, e até de onde não se esperava ele tirou cor, da lama de açude, o preto.

Sua forte intuição inventiva o levou a ser conhecido pelo mundo e celebrado pelos seus conterrâneos. Espedito não produz peças desenhadas por outras pessoas, mas o seu trabalho inspira artistas e designers de diversas áreas. Seu ateliê-loja fica em Nova Olinda, no Cariri cearense, onde aportaram, em 2005, os estilistas de uma grande grife paulista de roupas em busca de suas peças para um desfile na São Paulo Fashion Week.  “ Se eu não tivesse ido, eu não teria nem acreditado! Era uma coisa que eu queria ter feito e aconteceu, porque era um trabalho conhecido só no Sertão, e ver o desfile das peças que eu fiz dentro da cidade grande foi uma bênção de Deus”, relata. Passarelas, filmes, novelas… o trabalho de Espedito Seleiro ganhou fama, reconhecimento e o desejo do público.

FOTO: Raul Sampaio
Aos novos empreendedores e artistas, Espedito deixa um recado: “ Você tem que criar alguma coisa, fazer só o que já existe não vai dar muito sucesso… Quem cria tem o que mostrar, tem o que vender, tem tudo”.

Hoje é possível comprar suas peças pela internet, apesar de o artista não ser tão favorável à virtualidade, e quem gosta das redes sociais pode encontrá-lo em: https://www.instagram.com/espeditoseleirooficial/?hl=pt-br, mas Espedito gosta mesmo é da sua lojinha física, lá ele segue criando, produzindo e contando histórias. (Portal Badalo)

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