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Planos de governo revelam distintas prioridades e propostas evasivas


Segurança, educação, saúde... Todos termos recorrentes no período de campanha eleitoral. Tais palavras também ocupam os programas dos candidatos ao Governo do Estado na disputa deste ano. A reportagem levantou quais são os termos que mais se repetem em cada um deles. Camilo Santana é o que mais fala em desenvolvimento. Hélio Góis, em segurança. Ailton Lopes, em saúde; e General Theophilo, em água.

É isso o que mostra a análise das palavras mais escritas pelos candidatos ao Executivo estadual nos programas de governo registrados junto à Justiça Eleitoral. Eles estão disponíveis no Sistema de Divulgação de Candidaturas e Prestação de Contas (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O governador Camilo Santana (PT), candidato à reeleição, como era de se esperar, adota no documento vocabulário voltado à ampliação de políticas já em execução. Campeão no uso de "desenvolvimento", que se repete 29 vezes ao longo das 16 páginas do programa, o petista também lidera no uso de termos como "fortalecimento" - 18 vezes - e "ampliação" - 17 vezes.

O segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, General Theophilo (PSDB), batizou seu programa de governo como "Ceará Compartilhado", tornando "compartilhar" uma das palavras mais citadas no documento. Ela se repete 27 vezes. "Compartilhado", por sua vez, teve 10 repetições. O candidato tucano também é o que mais cita os termos "meta" e "prioritária" - dez vezes cada um.

Para o candidato Hélio Góis (PSL), "segurança" é um destaque, repetindo-se 20 vezes ao longo do programa de governo. Ele tem algo de semelhante com Camilo Santana: ambos dão destaque ao tema do desenvolvimento, apesar de, no caso do oposicionista, o termo surgir com menos frequência: 17 vezes, mais do que "governo" ou "povo". "Jovens", por sua vez, é uma palavra que se repete dez vezes no programa de governo do candidato do PSL.

Ailton Lopes (PSOL) é o candidato que apresentou o maior programa de governo, com mais de 62 mil palavras - os programas dos outros três candidatos somados não chegam a 12 mil. "Saúde", no documento que reúne as propostas do PSOL, se repete 267 vezes e "social" aparece em 194 oportunidades. Ailton também é o que mais dá destaque à "educação", com 184 repetições. Ele é, ainda, o único que tem grupos minorizados nos termos mais citados, como "mulheres" - 70 vezes - e "indígenas" - com 64 repetições.

Programas
Um programa de governo, de acordo com especialistas, tem importância central na eleição. "Ou, pelo menos, deveria ter", declara Horácio Frota, cientista político e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Para ele, não raramente, candidatos fazem de seus programas de governo letra morta. "Há candidato sem proposta nenhuma ou que nem lê o próprio programa".

Apesar disso, diz Frota, a peça é central para assegurar que o eleitor tenha, ao fim de quatro anos, ao menos o que cobrar do eleito. "É algo muito importante", diz. O documento também dá indícios daquilo pelo que o candidato está disposto a empenhar-se diante de situações que fogem ao seu controle, como a composição das Casas Legislativas. "Possui um papel muito importante para sua bancada e para a aliança que vai levá-lo ao cargo de governador".

Já Josênio Parente, cientista político e também professor da Uece, ressalta que os programas de governo é que dão orientação para as políticas públicas que serão desenvolvidas pelo gestor, "que é o que interessa para o eleitor". Ele, entretanto, reconhece que, ao longo dos anos, têm sido constantes casos de "estelionato eleitoral", com promessas feitas no programa sendo colocadas para escanteio pelo eleito. "São impopulares e têm dado uma repercussão negativa para os candidatos", finaliza.       (Diário do Nordeste)

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