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Conheça a história do cratense que passou de gari a professor, e hoje fala dois idiomas


O gari, que conseguiu se tornar professor, começou aluta pela vida aos quatro anos, quando venceu a febre aftosa. FOTO: Antonio Rodrigues
Aos 4 anos de idade, o pequeno Cícero Rodrigues Ferreira contraiu a febre aftosa, até então desconhecida na cidade do Crato. Depois de muito tempo, o mais velho dos cinco filhos de Vicente e Marlene, foi internado e conseguiu sobreviver à doença. "Deus não permitiu", exalta o primeiro gari a conquistar um diploma de Ensino Superior do Município.

Aos 38 anos, 'Ferreirinha', como é conhecido, concilia o trabalho na limpeza pública com aulas de Teologia. Teve uma infância pobre, em uma casinha com apenas um cômodo, no bairro Alto da Penha. Sua mãe sempre o incentivou a estudar, já que ela não teve este "privilégio". O pai trabalhava carregando caminhões, despejando cargas de areia em obras.

Escolas
'Ferreirinha' só passou por escolas públicas. Sua disciplina preferida era Ciências. Na adolescência, inclusive, sonhava ser astronauta. "Naquele tempo você quer ser uma coisa e depois já quer outra", brinca. O inglês despertou interesse do jovem, por causa do cantor jamaicano Bob Marley. "Eu tinha uma banda e gostava muito de reggae. Por ser fã, aprendi um pouco e fui professor secundário de inglês básico".

'Ferreirinha' conseguiu seu primeiro emprego aos 18 anos. Nesse período, desenvolveu um hábito pouco comum entre seus colegas: começou a guardar os livros encontrados jogados entre sacolas plásticas e caixas de papelão. "Nunca esperei ninguém. Sempre procurei conhecimento. Sempre procurei estudar".

Virada
A virada na sua vida começa no início de 2015, quando ingressou no seminário para estudar Teologia. "A Bíblia é uma ciência exata. Entrei na academia para me preparar melhor", explica. Foram mais de três anos de aulas, depois validados como bacharelado.

Depois disso uma nova etapa seria iniciada: foram 18 cadeiras concluídas e, com isso, o diploma de mestre conquistado. A partir daí começou a seu trabalhar como professor. Inclusive, uma das disciplinas ofertadas por ele é Grego Instrumental, idioma que aprendeu sozinho.

"Aprender grego nasceu de uma necessidade. A Bíblia, o Novo Testamento, foi escrita em grego. Como sou professor, tinha que entender os escritos originais. Eu aprendi sozinho. Comprei livros de gramática. Se você aprender o alfabeto, vai embora". Além do inglês e do grego, 'Ferreirinha' compreende e fala um pouco de hebraico.

Como professor, já foi convidado para dar aulas em Jaguaribe, Icó, Quixadá e Iguatu. Inclusive, os alunos estudam com o próprio material escrito pelo gari, que é autor de cinco livros ainda não publicados. "Nunca paro de escrever. Estou escrevendo outro sobre depressão. Mas não tenho condições de publicar", lamenta. "Continuo sendo gari, com muito orgulho. Minha ficha é de gari, me formei como gari". Casado e pai de um menino de 9 anos, 'Ferreirinha' busca se tornar uma inspiração para o filho.      (Diário do Nordeste)

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