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Quem são, de onde são e o que fazem os jovens missionários mórmons no Cariri?

FOTO: Alana Soares
Eles percorrem as ruas da cidade por quilômetros a fio, seja no típico sol ou na rara chuva, em busca de quem ouça suas mensagens de fé. São jovens, geralmente entre os 18 e 21 anos, de diversos lugares do mundo, encaminhados de maneira quase que aleatória para suas missões. Aconteceu de Daniel Facer e Connor Jibson, dos Estados Unidos, Bernardo Marques, do Rio Grande do Sul, e Mosiah de Souza, da Paraíba, se encontrarem em Juazeiro do Norte e por aqui cumprirem seus deveres espirituais.

Todos com o primeiro nome de "Élder" para identificar sua hierarquia básica dentro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os rapazes encaram uma rotina rígida: acordam às 6h, se alimentam e se exercitam "para manter o corpo saudável, que é nosso templo"; às 8h estudam; às 10h estão na rua, batendo nas portas, procurando espalhar a palavra do Senhor e "ajudar as pessoas a encontrarem o caminho", que é sua missão; almoçam na casa das irmãs de fé e retornam às ruas até 21h, quando param e descansam.

Esse é o dever dos jovens missionários em todas as 407 missões atualmente em andamento ao redor do mundo: voluntariamente dispor seu tempo, vigor e trabalho para espalhar o evangelho de Jesus Cristo. Por anos se preparam e até mesmo economizam finanças para realizar a missão que varia de 24 meses (para homens) a 18 meses (para mulheres).

A missão requer abdicação da família, dos amigos, do lazer, de namoro e da terra natal. Sem acesso a celulares, televisão, computador, eles se afastam de qualquer outra forma de entretenimento que possa desviar o foco. "É uma missão em tempo integral. Não podemos perder tempo", esclarece o estadunidense Élder Facer, 20, em português afetado.

Dos obstáculos encontrados, a culinária e o idioma prevalecem sob o calor. Com marcas de insolação nas bochechas, o jovem Jibson, 20, denuncia a estranheza que foi se deparar com arroz e feijão todos os dias. "É muito diferente dos Estados Unidos. Minha mãe adora fazer massas e quase nunca comemos arroz", diz. 

Mas o que realmente impressiona os rapazes é o jeito cearense de ser: entre a graça, a boa receptividade e a intolerância. Com cabeça baixa, lembram episódios de gritos ao bater portas, xingamentos gratuitos nas ruas, ameaças e até mesmo cuspe o jovem gaúcho Élder Marques já recebeu.

O que acontece depois? "Erguemos a cabeça e batemos em outra porta", determina Élder de Souza, ao passo que Facer completa: "Para achar alguém que não cuspa na gente".        (Site Miséria)

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