Header Ads

Fevereiro é quase junho: quadrilhas do Cariri já ensaiam para o São João



Enquanto boa parte das pessoas está focada no carnaval – que, diga-se de passagem, está a menos de um mês – os quadrilheiros do cariri já ensaiam para o São João. E se você acha que está muito cedo para pensar nisso, saiba que algumas quadrilhas juninas começam os preparativos no ano anterior ao da apresentação, ou seja, tem quadrilha ensaiando desde 2018 para o junho deste ano.

Ricardo de Macedo, vice-presidente da Agremiação Junina Cariri, de Juazeiro do Norte, conta que o trabalho é longo, sendo necessário em média seis meses de preparação para a coisa toda acontecer, juntando a elaboração do tema, arrecadação de fundos, ensaios, preparativos de roupas e cenário. “Também temos que preparar as pessoas que tem mais dificuldade com a dança”, conta Ricardo.

Gilberto Soares (Gil), com 39 anos no meio junino e diretor cultural da Quadrilha do Gil, conta que o planejamento da “história” a ser seguida esse ano começou no ano passado, “o tempo voa”, dia ele.

Todas as quadrilhas de competição (que participam de festivais) apresentam um tema a ser trabalhado ao longo do ano, ou seja, a história a ser contada pela quadrilha. Desse modo, tudo gira em torno do tema: o casamento, as roupas, as danças e tudo mais que estiver em cena durante a quase uma hora que a quadrilha permanece em quadra (se apresentando).

Família
Além do glamour dos brilhos as quadrilhas também sustentam a fama de criar laços entre seus brincantes. Esses laços, por vezes, tornam a sede da quadrilha uma casa, e os participantes a própria família do grupo. Muitos relatam que, quando se aproxima o mês de junho, veem e convivem muito mais com os colegas de dança do que com os próprios pais.

“Tentamos acolher da melhor forma possível [os iniciantes], passando a dança passo a passo”, fala Ricardo acerca da recepção dada a quem é novo no meio e que deseja fazer parte da “família”.

Financiamento
Uma das maiores dificuldades das quadrilhas juninas para se manterem ao longo dos anos é a questão financeira. A maior parte da verba vem do bolso e esforço dos próprios brincantes. Cada roupa pode custar em torno de R$ 700,00 por casal, segundo Gil, sem contar o valor do cenário e objetos usados ao longo da apresentação. O regional, banda que toca ao vivo enquanto a quadrilha dança, também é um privilégio de quem consegue levantar fundos para cobrir mais essa despesa.

Já os noivos e a rainha da quadrilha costumam usar pelo menos duas roupas durante as apresentações, podendo custar até R$1.800,00. Quanto mais brilho mais caro. Durante a encenação do casamento, que ocorre antes da dança, também podem haver trocas de roupa.

Para isso, os grupos fazem de tudo um pouco, como conta Gil, “começa com [a venda] do figurino do ano passado. Parte dela já vai para os figurinos desse ano”. O suor e esforço dos quadrilheiros conta muito, “os brincantes entram com uma pequena parte, por exemplo R$150 ou R$ 200 reais, isso para os acessórios. Pedimos alguns patrocínios, sempre participamos do edital junino, e o restante é com o trabalho do grupo”, conta ele.

Nesse trabalho do grupo entra a venda de rifas, pedágios em sinais de trânsito, promoção de bingos e festas por parte dos dançarinos. Tudo isso conta para findar no glamour e brilho tão admirados pelo público seis meses depois, na época de São João.

Das antigas
Para Ricardo, os anos não fizeram tanta diferença na estrutura das quadrilhas, a não ser na questão financeira, “os grupos tem investindo mais em adereços, cenário e figurino. Com isso, os projetos acabam se tornando mais caros”, conta.

Gil vê outras diferenças, como o papel do marcador da quadrilha (aquela pessoa que dança sozinho no meio dos brincantes, dando os comandos dos passos), “há anos atrás, o marcador não fazia parte de julgamento, era julgado o conjunto. Hoje passou ser quesito individual, dai o crescimento”. Diz ele sobre os julgamentos nas competições que dão prêmios aos conjuntos juninos, “tivemos que ir nos adequando aos moldes”.

Ele ainda fala que a quantidade de festivais era reduzida: “quase não tinham [festivais], só o municipal mesmo”. Hoje há festivais na maiorias das cidades do cariri, fora a competição estadual, que tem eliminatórias regionais. Esses festivais oferecem prêmios e troféus às quadrilhas ganhadoras, diante de uma comissão que julga de acordo com normativas pré-estabelecias, que determinam tempo de apresentação, desenvoltura, evolução ao longo do show, tema, noivos, rainha, marcador, passos e uma infinidade de quesitos que deleitará o público no mês de junho.    (Site Badalo)

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.