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Atleta prodígio baixa renda anuncia saída do esporte por falta de apoio, em Altaneira



Liderando o sub-23 do Campeonato Cearense XCO, o jovem atleta prodígio no ciclismo de montanha Higor Gomes, 20, conseguiu colecionar, em apenas quatro anos, 35 medalhas e troféus em pódios de competições, além de inúmeros outros de participação. Seu nome é repetido como um dos mais notáveis da região do Cariri e do Ceará. Mas, para surpresa de todos, Higor anunciou que está deixando o esporte e vai procurar futuro em São Paulo. O motivo: não há apoio para jovens atletas em seu município.

Natural de Altaneira, região do Cariri, onde mora e treina, Higor revelou a decisão em desabafo pelas redes sociais. O texto onde diz "meu muito obrigado aos ´governantes´ da minha cidade, verdadeira máquina de destruir sonhos", viralizou entre moradores.

Repercutiu também entre Vereadores que, segundo o Presidente Adeilton Silva, deverão levar a questão do cumprimento da lei de incentivo ao esporte ao plenário.

O atleta afirma estar sem qualquer incentivo financeiro desde 2017, quando o governo municipal interrompeu o programa Bolsa Atleta - criado no ano anterior, que determina o pagamento de uma quantia média de R$ 100 aos atletas que obtiverem títulos em suas modalidades.

Até mesmo o custeio de passagens para etapas do Campeonato Cearense seriam negadas ou ignoradas, segundo a Associação de Ciclistas Altaneirense. Assim, o sonho de se profissionalizar ficou cada vez mais difícil para Higor.

"Estou ficando para trás", o atleta observa. "Enquanto meus colegas estão na faculdade, tento criar meu futuro no Esporte, mas é difícil com tantas barreiras. Preciso me manter, ajudar minha família, pagar contas", lamenta o jovem de baixa renda que mora com a avó.

O Diretor de Esporte da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esporte, Junior Ponciano, lamentou a decisão de Higor e afirmou estar traçando uma maneira de convencê-lo a ficar "mesmo sabendo que é um esporte muito caro (o ciclismo)".

Segundo Ponciano, o investimento a ser feito com materiais para um único ciclista seria proporcional a realização de um campeonato de futebol. O Diretor não especificou custos.

Fora os custos, Ponciano acusa "uma briga política de famílias" de atrapalhar as negociações entre Prefeitura e ciclistas, criando atrito no relacionamento. Ainda assim, em seus planos está inclusa a criação do Fundo Municipal do Esporte e de uma seleção de ciclistas.

Até lá, eventos e participações dos ciclistas seguem com ajuda da iniciativa privada e Altaneira amarga a perda de um de seus maiores. "Não tenho dúvidas de que Higor teria um grande futuro no ciclismo. Basta ver seus expressivos resultados", declara o Diretor da Associação de Ciclistas Altaneirenses, Paulo Robson.

"Se ele tiver um equipamento de ponta e um preparador físico o acompanhando, ele vai longe", aposta.    (Site Miséria)

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