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Bloqueio de R$ 112 mi afeta pesquisa e estrutura de 4 universidades cearenses


No Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE),
546 projetos podem ser impactados. FOTO: José Leomar
Elaboração de inseticidas naturais para o combate às larvas do mosquito Aedes aegypti. Utilização da semente de moringa como alternativa na dessalinização da água do mar. Estudos de criação de camarões, qualidade da água e do ar, horticultura e meteorologia. Desenvolvimento de placas fotovoltaicas, robôs móveis e astronomia digital. A produção acadêmica que colabora para o crescimento da ciência no Ceará pode ser comprometida pelo anúncio do que o Ministério da Educação (MEC) chama de "bloqueio preventivo", nas instituições públicas de Ensino Superior.

Estudantes, professores e funcionários foram surpreendidos, no fim de abril, pelo anúncio do corte de 30% no orçamento de todas as universidades federais brasileiras. Em nota emitida na última quarta-feira (8), o MEC informou que o parecer foi "operacional, técnico e isonômico", em decorrência de "restrição orçamentária".

No Estado do Ceará, devido à decisão do Ministério, quatro instituições devem ter quase R$ 112 milhões a menos para a manutenção de serviços básicos, como energia elétrica, água, segurança e limpeza, além da continuidade de atividades de pesquisas acadêmicas, segundo anunciam as instituições.


No Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE), pelo menos 546 projetos podem ser impactados, direta ou indiretamente. A instituição teve bloqueados R$ 34,3 milhões dos quase R$ 90 milhões autorizados para este ano, ou seja, cerca de 39%. Para o pró-reitor de Administração e Planejamento do IFCE, Tássio Lofti, o desafio é utilizar o restante para gerenciar um corpo estudantil que supera a população de 139 municípios cearenses. "O IFCE tem 31 campi no Ceará. Cada um tem despesas de energia, água, esgoto, limpeza, conservação, motoristas? O valor bloqueado também custeia bolsas e insumos para pesquisas e extensão, nossa rede de 260 laboratórios, a alimentação do gado das nossas três fazendas e os insumos de gastronomia nos cursos de alimentos", enumera o gestor, destacando que, embora pareça elevado, o custo anual por aluno é de R$ 13 mil, abaixo da média nacional, de R$ 15 mil.

Contas
Na Universidade Federal do Ceará (UFC), "inúmeras pesquisas de grande relevância científica, de todas as áreas, são igualmente punidas porque os cortes são aleatórios", informou a Assessoria de Comunicação. O orçamento previsto para a Universidade, neste ano, era de R$ 158 milhões, mas R$ 45 milhões foram bloqueados, de acordo com o reitor Henry de Holanda Campos, em entrevista.

Desse total, R$ 43 milhões pagariam água, luz, restaurante universitário, manutenção, limpeza e segurança; e R$ 2 milhões seriam investidos na compra de equipamentos e finalizariam obras em andamento nos oito campi da Universidade. Segundo o reitor da UFC, Henry Campos, o percentual retido pode impactar ainda no funcionamento do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), estabelecimentos de saúde considerados referência no Estado do Ceará.

O congelamento também pode esfriar a produção acadêmica que, em 2017, teve 2.435 artigos publicados em periódicos, dos quais quase 60% foram indexados em bases de dados internacionais. O índice ajuda a situar a UFC como a 11ª instituição de ensino superior do Brasil com artigos no Top Ten da Web of Science. Na edição deste ano do QS World University Rankings, a entidade também aparece como a 19ª melhor do Brasil, 57ª da América Latina e a 801ª no mundo.

Impactos
A Reitoria da Universidade Federal do Cariri (UFCA) informou, por meio de nota, que teve um total de 47% - praticamente metade - do orçamento para este ano retido em dois bloqueios consecutivos, o último ocorrido no dia 30 de abril. "Para uma universidade nova, chegando aos seis anos de existência", o bloqueio, se não for revertido, "inviabilizará o funcionamento do grande patrimônio do Cariri que se tornou a UFCA", considera a entidade. Apenas recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) não sofreram bloqueio.

Já a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) teve 32,63% dos recursos bloqueados. Foram atingidas despesas que envolvem atividades de manutenção da universidade, apoio à pesquisa e à extensão e capacitação de servidores da instituição.

A Universidade destacou que, em seus oito anos de existência, já formou 1.469 graduados, 1.600 especialistas e 74 mestres, no Ceará e na Bahia, onde "reforça seu compromisso com a democratização, interiorização e internacionalização do Ensino Superior".

Hoje, a Unilab informa que tem mais de 70 laboratórios, 90 grupos de pesquisa e 236 ações de extensão, além de 198 projetos de pesquisa em andamento. A lista inclui estudos da área linguística e de análise do discurso, relações étnico-raciais, etnobotânica e estudos do café no Maciço de Baturité, identificação de fatores de risco cardiovasculares em adolescentes no interior do Ceará e redes artificiais para a estimativa de radiação solar em Redenção.

"A rede federal no Brasil todo é uma ilha de excelência. É questão de investimento e aposta em qualidade porque temos a missão de atender bem à sociedade", resume Tássio Lotif, do IFCE. Sem controle sobre os créditos, as instituições estão mobilizadas entre si, com o Governo, parlamentares e a sociedade civil para tentar reverter o quadro. "Os recursos não estão cancelados, mas bloqueados. Nossa expectativa é que haja uma sensibilização para o desbloqueio", complementou o gestor.          (Diário do Nordeste)

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