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Lixões ainda são realidade em cidades do interior do Ceará

Foto tirada em julho deste ano mostra que situação piorou
no lixão de Iguatu. FOTO: Antonello Veneri
Desde 2014, todos os lixões em território nacional eram para ter sido substituídos por aterros sanitários. Foi esse o prazo estabelecido pela lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Passados cinco anos, nada mudou. A constatação pode ser feita por qualquer um. Como fez o fotógrafo italiano Antonello Veneri. Ele visitou a cidade de Iguatu, na região Centro-Sul do Estado em 2007. À época, o cenário encontrado por ele foi "desolador". Ele registrou homens e urubus e ganhou prêmios internacionais de fotografia.

Doze anos depois, retornou ao Município. Ele conta que esperava encontrar uma realidade diferente. Mas seus anseios não se configuraram. "A situação piorou. A montanha de lixo aumentou bastante", lamenta o fotógrafo que percorre o Brasil "documentando comunidades que lutam para uma vida melhor".

Antonello lamenta a permanência dos lixões em cidades interioranas e ressalta que, em alguns casos, eles acabam marcando negativamente o município. "Em Iguatu, o lixão é o cartão-postal. Quem chega na cidade já se depara com a montanha de lixo e a intensa fumaça", relata. O novo anseio de Antonello é de que os próximos anos sejam marcados por avanços. "É importante a substituição por aterros sanitários", pontua ele, que voltará a Iguatu. Diariamente, 60 toneladas são depositadas no lixão de Iguatu.

Luz no fim do túnel
A problemática, no entanto, pode estar perto do fim. Iguatu e outras seis cidades do Centro-Sul assinaram acordo para uma gestão integrada de resíduos sólidos. As cidades protocolaram acordo para a formação do Consórcio Regional de Resíduos Sólidos do Alto Jaguaribe (Corraj). A medida visa pôr fim aos lixões de Iguatu, Acopiara, Catarina, Cariús, Quixelô, Jucás e Saboeiro, atendendo, assim, aos requisitos da política nacional e estadual para preservação do meio ambiente com fundos, protocolos, criação da taxa do lixo e com a definição de destino dos recursos financeiros do Fundo Municipal de Meio Ambiente.

Por unanimidade, Iguatu foi escolhida para sediar a gestão deste consórcio, que prevê a construção de centrais municipais de resíduos em cada município e "ecopontos" para entrega voluntária. A proposta de criação do consórcio foi apreciada e aprovada pelas Câmaras de Vereadores dos respectivos municípios.

O próximo passo, conforme Marcos Ageu, secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Iguatu, é enviar toda a documentação necessária para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). A expectativa é que, no início de 2020, o consórcio já esteja em vigência. No mês passado, o Município iniciou o projeto-piloto de coleta seletiva no Bairro Cajazeiras, região mais afetada pelo lixão de Iguatu.

O resultado, segundo avaliação de Ageu, é de que a população precisa "andar junto com o consórcio". "Não adianta se construir um aterro, se a população não está preparada para um processo de coleta seletiva. Um aterro sem esse processo de separação torna-se um lixão num futuro breve", pontuou o secretário.

INCENTIVO
Para as cidades que de forma consorciada trabalhem o tratamento dos resíduos sólidos, o Governo do Estado vai repassar 2% do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Já a partir do próximo ano, os setes municípios do Centro-Sul esperam contar com o benefício.                (Diário do Nordeste)

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