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Perímetros irrigados sofrem com falta de água e infraestrutura no Sul do Ceará

No perímetro irrigado Jaguaribe - Apodi, os pivôs estão todos
danificados e tomados pelo mato. FOTO: HONÓRIO BARBOSA
Na década de 1970 começou o sonho para centenas de agricultores de base familiar a partir da obtenção de lotes em perímetros irrigados. Havia a expectativa de produção agropecuária, que geraria renda. O tempo passou e o sonho virou pesadelo para milhares de famílias. Agricultores olham para um cenário triste: terra seca, improdutiva e ociosa. As famílias dependem de aposentadorias rurais ou de programas de transferência de renda. 

O nome "perímetro irrigado" perdeu o sentido, já que não há irrigação nos lotes. Um exemplo vem do Perímetro Icó - Lima Campos, no Centro-Sul cearense. A maioria dos canais, onde deveria ter água, está seca, quebrada e com rachaduras pela ação do tempo. Os lotes estão ociosos. A terra tornou-se árida, culturas se perderam. A produção caiu drasticamente e a renda familiar despencou. Bem diferente da expectativa inicial que previa 10 mil hectares, sendo 2.500 irrigáveis, gerando trabalho e renda para as famílias. 

Passado 
Os mais idosos lembram do tempo de ampla produção de arroz. "Aqui, já houve muito trabalho e fartura", disse o agricultor José Santana. Passados 46 anos, a realidade é outra. Quase não há produção e o clima é de desânimo. Os colonos não acreditam na volta do período áureo.

O gerente da Associação do Distrito de Irrigação Icó - Lima Campos (Adicol), Francisco Alexandro Fabrício, confirma que o perímetro está quase parado. "A produção praticamente zerou por falta de água. Culturas permanentes como banana e coco limitam-se a uma área muito reduzida".

Alguns agricultores sobrevivem com criação reduzida de bovinos de leite e, onde há poços, conseguem manter a área de capim para alimentar o rebanho. É o caso do criador Luís Custódio. "A gente vem resistindo com muita dificuldade, só para sobreviver mesmo com a venda do leite. Outros já abandonaram o trabalho", afirma o criador.

O servidor do Dnocs, em Icó, Erivan Anastácio de Souza, foi enfático: "Sem água, não há vida, não há produção, não há trabalho e renda". Ele reafirmou que a situação dos agricultores é grave. "Sobrevivem de aposentadoria rural", frisou. O agricultor Luís Costa confirma a situação difícil: "a nossa salvação é o aposento".

Por conta própria, cerca de 30 produtores ainda conseguem captar água no Rio Salgado. "O Rio ainda está com um pouco de água e foi a nossa salvação neste ano", explicou Paulo Lima.

Antes da crise hídrica, alguns produtores fizeram financiamentos por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), mas a falta de água gerou prejuízos e anulou os investimentos. "Perdi toda a área do bananal", lamenta o produtor José Costa.

Antes da crise hídrica, a irrigação já estava paralisada há pelo menos 10 anos, por falta de viabilidade financeira do sistema de bombeamento para os lotes. Houve um projeto de construção de um canal de transferência de água por gravidade. A obra, orçada em R$ 15 milhões, foi mal elaborada e mal executada.

Apenas uma chuva, em fevereiro de 2015, destruiu um longo trecho. A obra continua abandonada e a questão está na Justiça. Além da infraestrutura danificada, veículos estão sucateados. "A situação é caótica e de abandono", disse o presidente da Adicol, Francisco Alexandro.              (Diário do Nordeste)

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