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Privatização da Eletrobras desperta temor de desabastecimento no Ceará

Barragem de Sobradinho, na Bahia, é administrada pela Companhia
Pensada como uma forma de capitalizar a Eletrobras com recursos privados, em vez de recursos da União, a privatização da companhia vem gerando debates sobre como se dará a gestão das águas do rio São Francisco, onde a companhia administra hidrelétricas. Embora seja essencial para suprir a demanda energética do Nordeste, o São Francisco é também a principal fonte de água da região. E sua vazão é impactada diretamente pela operação das usinas.

“Há que se ter o cuidado em relação ao uso múltiplo da água, visto que se requer uma gestão bem detalhada para se poder compartilhar adequadamente todos os interesses envolvidos”, observa Benildo Aguiar, presidente do Sindicato das Indústrias de Energia e Serviços do Setor elétrico do Ceará (Sindienergia). “Acredito que essa é uma questão que irá alongar as negociações sobre a privatização”, aposta.


Para a presidente do Sindicato dos Eletricitários do Ceará (Sindieletro), Luciana Fonseca, é preciso ter algum tipo de garantia na privatização. “A Chesf sendo privatizada não sabemos como fica a gestão das águas. Se a empresa que receber a concessão vai assumir obrigações ou não com a transposição… Ou se vai ter algum tipo de controle das águas e se houver riscos de rompimento de barragens”, interroga Luciana.

Segundo o especialista em energia Jurandir Picanço, membro da Academia Cearense de Engenharia (ACE), o ideal, para resolver esse impasse e avançar com a privatização, seria deixar a gestão hídrica sob responsabilidade de um ente federal. “Esse é o cuidado que se deve ter nesse processo. A ACE fez uma proposta para que a Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), que tem atuação na gestão do Rio, assumisse a transposição do São Francisco”, conta.

Impactos para o Ceará
Quanto aos efeitos da privatização para o Ceará, a expectativa é de que a medida contribua para a expansão da malha de linhas de transmissão. “Considerando a geração de energia e a possibilidade de construção de novas linhas por meio de leilões, essa transferência é muito boa. A privatização em si é um benefício para o setor mas, evidentemente, é preciso que as companhias interessadas paguem o preço adequado ao valor dos ativos”, diz Picanço.

A Eletrobras atua no Ceará por meio de sua subsidiária, a Chesf, que opera, além de linhas de transmissão, 16 subestações próprias, sendo quatro delas em Fortaleza, duas em Sobral, e o restante distribuídas em Icó, Milagres, Banabuiú, Caucaia, Quixadá, Russas, Varjota, Tauá, Acaraú e Quixeré.

Para Benildo Aguiar, a privatização da companhia deverá impulsionar os investimentos no setor elétrico como um todo, diante da baixa capacidade de investimento da empresa. “A privatização da Eletrobras não resulta em grandes impactos para o Estado do Ceará no que diz respeito ao sistema de transmissão de energia, linhas e subestações, visto que já é um setor que funciona com grande participação da iniciativa privada”, diz. “Mas acredito que teremos melhora dos processos porque, hoje, a empresa está sem capacidade de investimento”, completa.

Em evento comemorativo pelos 300 dias de governo, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que a Eletrobras vem reduzindo a participação no setor de energia e que, hoje, a empresa tem capacidade de investimento de R$ 3,4 bilhões, enquanto seriam necessários R$ 14 bilhões para que ela mantivesse participação no mercado. Hoje, a Eletrobras é a maior companhia do setor elétrico da América Latina, de capital aberto.

Demissões
Segundo a presidente do Sindicato dos Eletricitários do Ceará (Sindieletro), hoje a Chesf tem cerca de 300 funcionários no Ceará. Ela teme que com a privatização ocorra corte de funcionários. “Há uma pressão muito grande para a redução de trabalhadores e para terceirizar outros serviços. E isso nos preocupa muito, porque são pessoas extremamente qualificadas e pode ocorrer queda na qualidade do serviço”, destaca Luciana.

A perspectiva do Sindieletro é que a Chesf terceirize, até 2020, a operação das subestações de Acaraú, Aquiraz e Russas. “Profissionais terceirizados têm menos tempo de treinamento, são mais exigidos fisicamente. Além disso, têm nível de treinamento menor, colocando em risco suas vidas”, diz Fonseca, alertando também para o risco de erros de operação que possam causar falhas ou até apagões.

Atualmente, a Eletrobras tem 14.459 funcionários, sendo 3.869 da Chesf no Nordeste. A Eletrobras pretende demitir, segundo aponta o Sindicato, até dezembro deste ano, 1.248 trabalhadores da Chesf pelo Plano de Desligamento Consensual (PDC), representando uma queda de um terço do quadro de funcionários do Nordeste.                             (Diário do Nordeste)

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