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Cenário hídrico desenha-se animador para o Ceará em 2020

A chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco
(Pisf) ao Ceará é uma das soluções viáveis para garantir o
abastecimento do sertanejo. FOTO: Nilton Alves
O ano de 2020 pode ser mais promissor para o Ceará na questão hídrica. Se desde 2012 o Estado enfrenta a maior crise de água dos últimos 100 anos, para o próximo ano, porém, um conjunto de ações apontam para uma mudança deste cenário. Juntamente com a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco, aguardada para março do próximo ano, estão previstas obras hídricas do Governo do Estado por meio do projeto Malha D'Água, orçadas em mais de R$ 5,5 bilhões. Além disso, a perspectiva de uma quadra chuvosa, no mínimo, regular, faz com que, quem depende do recurso vislumbre um ano mais tranquilo. 

A chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf) ao Ceará é uma das soluções viáveis para garantir o abastecimento do sertanejo. A obra é encarada como um mecanismo importante de segurança hídrica para o Açude Castanhão. Assim, cerca de seis milhões de pessoas Ceará serão beneficiadas. "Se chegar durante a quadra chuvosa vai regularizar a vazão em trechos dos rios Salgado e Jaguaribe", frisa o titular da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), Yuri Castro de Oliveira. 

A água irá partir do Riacho Seco, no Estado da Bahia, em direção aos rios Batateiras, Salgado, até chegar ao Jaguaribe e, depois, ao Castanhão, maior reservatório. "O nosso modelo de gestão vai depender da chuva no próximo ano", pondera Castro. "Se a água do São Francisco chegasse no período seco (agosto a dezembro), certamente haveria mais problemas, mas esperamos que venha quando os leitos dos rios estiverem cheios", acrescenta Yuri Castro. 

Previsão de chuva 
Diante da proximidade da próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio), a chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Morgana Almeida, destaca que há maior probabilidade de chuvas dentro da normalidade para os meses de janeiro e fevereiro. "Ligeiramente acima da média no centro norte do Estado", acrescenta. 

A tendência é de que essa previsão se mantenha ao longo do primeiro semestre de 2020. Segundo o Centro Americano de Meteorologia e Oceanografia (NOOA), a propensão é de que as chuvas, embora dentro da média, fiquem mais distribuídas no Nordeste a partir de fevereiro, mês que marca o início da quadra chuvosa no Ceará. A Funceme, por sua vez, não apresenta prognóstico antecipado. O meteorologista do órgão, Raul Fritz, aponta que as previsões antes de janeiro tendem a não ser tão assertivas. 

Preocupação recorrente 
Apesar do melhor volume hídrico (14,8%) dos 155 açudes cearenses desde 2014, o Estado segue em alerta em pontos estratégicos. "A nossa maior preocupação é com a porção Centro-Sul, onde as chuvas têm sido abaixo da média nos últimos anos", aponta o diretor de Operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Bruno Rebouças. No Centro-Sul, estão as cabeceiras dos principais rios do Ceará - Jaguaribe e Salgado. São eles que abastecem dois dos principais açudes do Estado - Castanhão (2,9%) e Orós (5,4%). 

Além deles, o Banabuiú (6,2%), outro importante reservatório, se encontra em situação semelhante. Os três juntos compõem reservas estratégicas que atendem seis milhões de moradores no Vale do Médio e Baixo Jaguaribe, além da Região Metropolitana de Fortaleza. 

Aposta para 2020 
Projeto que surge com a proposta de minimizar os impactos gerados pelo período de seca, o Malha D'Água prevê a construção de redes de adutoras permanentes distribuídas pelo Estado. A obra deve ser iniciada no primeiro trimestre de 2020, na região do Sertão Central, a partir do açude Banabuiú. "Inicialmente, nove cidades e 37 distritos serão atendidos", anuncia o superintendente Yuri Castro. O investimento, financiado pelo Banco Mundial, equivale a pouco mais de R$ 5,5 bilhões. 

O projeto prevê a captação e tratamento da água em estações instaladas nos açudes beneficiados. Depois, a água segue em dutos para outros reservatórios. 

"A vantagem é que o sistema adutor evita o desperdício por evaporação, infiltração, desvios e contaminação da água nos açudes e nos leitos dos rios", frisa Yuri Castro. "Este projeto grandioso vai começar no próximo ano", comemora o representante. 

Além do Malha D'Água, que deve atender todo o Estado, a construção de dois reservatórios em afluentes do Rio Acaraú - Macacos e Pedregulho, no Norte do Estado, deve auxiliar, pontualmente, no abastecimento da região. "Está em fase de projeto executivo, na Cogerh", disse Yuri Castro. "Queremos aproveitar as boas chuvas que banham a região Norte e dar segurança hídrica ao Vale do Acaraú".                              (Diário do Nordeste)

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