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Pacientes tratados em casa no Ceará custam até cinco vezes menos à gestão pública de Saúde

Rita Vieira Lima, 79, tem doença pulmonar crônica e recebe
atendimento domiciliar. FOTO: Fabiane de Paula
A doença pulmonar obstrutiva crônica tomou de Rita Vieira Lima, 79, a capacidade de falar, interagir e até de respirar sozinha, mas a internação por meio do Serviço de Assistência Domiciliar (SAD) devolveu a ela a convivência familiar ao receber tratamento e equipamentos médicos em casa. Outros 656 pacientes em Fortaleza integram o sistema, de acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). 

De acordo com Úrsula Wille, diretora de Processos Assistenciais do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), referência em atendimento domiciliar no Ceará, as vantagens do serviço para as saúdes do paciente e financeira do Estado são consideráveis. “Uma diária de leito hospitalar com ventilação mecânica custa, em média, R$ 700 (R$ 21 mil/mês). Em casa, nas mesmas condições, custa R$ 4 mil por mês. Com um paciente que não está em ventilação, são uns R$ 400 por dia (R$ 12 mil/mês) no hospital, e menos de R$ 2 mil mensais em casa. Com ventilação é mais caro, porque inclui o aluguel do aparelho e mais visitas”, estima a médica. 

O SAD funciona, além do HGWA, em mais cinco unidades públicas de saúde da capital cearense: os Hospitais de Messejana (HM), São José (HSJ), Geral Dr. César Cals (HGCC), de Saúde Mental de Messejana (HSM) e Infantil Albert Sabin (HIAS). Os objetivos da “desospitalização” dos pacientes, de acordo com a Sesa, são “diminuir os riscos de infecções, reduzir custos hospitalares e, ao mesmo tempo, dar continuidade ao tratamento de forma humanizada”.

Úrsula ressalta que a necessidade de expansão do programa é urgente.

“Existe demanda para aumentar equipes, não temos condição de acompanhar mais pacientes do que os atuais. Uma equipe atende, por dia, até quatro casas em toda a cidade. Leva tempo para o deslocamento e para a visita em si”, explica a médica.

São 14 pessoas na fila de espera por ventilação mecânica só no HGWA. “E é muito raro dar alta e entregar a outro paciente. A maioria fica dependente para o resto da vida.” 

Saída do hospital 
O Waldemar Alcântara é, hoje, uma unidade de transição: os outros hospitais encaminham para lá os pacientes elegíveis para atenção domiciliar. As equipes avaliam os casos e conduzem todo o processo de desospitalização, desde a preparação dos familiares responsáveis pelos cuidados até as visitas semanais que o paciente recebe. 

A possibilidade de retirar a mãe do ambiente hospitalar e dar a ela “o máximo de conforto” foi o que moveu a professora Ana Cleyde Vieira, 37, a buscar o acesso ao atendimento domiciliar. Após uma década inalando a fumaça do forno em que fazia bolos e pães para sobreviver, dentro de casa, os pulmões de Rita sucumbiram. Como sequela de pelo menos três paradas cardiorrespiratórias, a mãe de Cleyde respira por meio de ventilação mecânica, equipamento fornecido pelo HGWA, unidade onde Rita conseguiu vaga após ação judicial da família por meio da Defensoria Pública do Estado.

“Me orientaram de que o ambiente hospitalar era muito mais perigoso pra infecções. E por mais que ela não interaja, a gente sabe que ela tá escutando. Quando falo no ouvido dela, canto, oro, ela tem uns espasmos que pra mim são respostas. Mesmo de longe, nesse ambiente escuro que ela tá, ela reconhece que tá em casa”, emociona-se Cleyde.

No total, 195 pacientes são atendidos em casa pelas cinco equipes multidisciplinares do HGWA. O hospital disponibiliza 210 vagas, das quais 50 incluem a oferta da ventilação mecânica recebida por Rita. Segundo Úrsula, mais de 2.500 pessoas já receberam assistência domiciliar no período. “As equipes capacitam os cuidadores familiares enquanto estão no hospital, e quando eles vão para casa, nosso trabalho é orientação, supervisão e auxílio nas intercorrências. Durante as visitas semanais, a equipe verifica se está tudo certo, faz troca de sondas e curativos, quando necessário”, explica.

No Ceará, 39 municípios são habilitados pelo Ministério da Saúde (MS) com equipes de atendimento domiciliar, dos quais nove (Amontada, Barbalha, Canindé, Fortaleza, Ipu, Itarema, Limoeiro do Norte, Ocara, Quixeré e Trairi) foram incluídos na lista pela portaria n° 3.654, de dezembro de 2019. De acordo com a pasta federal, foram habilitadas 34 novas Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMADs) e 15 de Apoio (EMAPs), totalizando 68 EMADs e 38 EMAPs no Estado.             (Fonte: G1 CE)

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