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Ceará tem desabastecimento de máscaras descartáveis; preço das unidades que restam varia mais de 400%


O mercado cearense de farmácias está sofrendo com desabastecimento de um item, anteriormente pouco comercializado: as máscaras descartáveis. Com o coronavírus ganhando o mundo após o surto na China, o mercado local não conseguiu responder à demanda. Muitas lojas já não tem o produto no estoque em Fortaleza e algumas só possuem poucas máscaras em algumas cidades no Interior e Região Metropolitana.

Nesta quarta-feira (26), o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de um brasileiro infectado pelo novo coronavírus (Covid-19). No Ceará, não há nenhum caso sob suspeita, garantiu o órgão. 

“Já é um reflexo do brasileiro com relação ao coronavírus. Primeiro sintoma que o mercado pode ser desabastecido. Isso pode ser um problema até no nosso País. A China veio comprar máscaras para lá aqui no Brasil”, ressaltou Maurício Filizola, diretor-tesoureiro do Sincofarma (Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará) e presidente do Sistema Fecomércio Ceará. 

Sem tanto produto para vender e muita procura, em uma pesquisa feita pela reportagem, verificamos que já está havendo uma majoração dos preços tanto de máscaras descartáveis quanto das mais reforçadas, as N95 (popularmente chamadas de bico de pato). As descartáveis variam entre R$ 17,90 e R$ 50 a caixa com 50 unidades, uma variação de 179,33%. Já as N95 vão de R$ 11,95 até R$ 35 a unidade, quando o preço inicial era R$ 6. Uma variação de 483,33%. 

“Não tem abastecimento. Aí entra a lei da oferta e procura. Não tem fornecedor produzindo na quantidade suficiente e acaba faltando. No momento de falta alguns estão atualizando os preços de acordo com a procura”, informa Filizola.

A nutricionista Mariana Melo sentiu o peso do medo do coronavírus no bolso. Ela sempre costuma comprar a máscara N95 por R$ 6, em média, a unidade. E no sábado retrasado, quando procurou uma loja para repor seu estoque foi informada que a unidade estava sendo vendida por R$ 35. “Quando questionei o preço a moça afirmou que aumentou por conta do vírus. Só que naquele momento nem tínhamos casos de coronavírus confirmado no Brasil”, disse Melo que complementou dizendo que está usando descartáveis por enquanto. 

Paliativo 
Uma alternativa é compras conjuntas e online para tentar reduzir o preço do frete.  A mesma N95 que em Fortaleza pode ser comprada por R$ 35, está até R$ 13 na internet com frete de cerca de R$ 22. Se for comprada em quantidade, este preço final, mesmo com o preço da entrega, terá impacto menor e ficará mais barato que comprando em lojas físicas na Capital cearense. 

O diretor-tesoureiro do Sincofarma concorda que o consumidor deve fazer uma pesquisa de preço para tentar encontrar melhores ofertas. Afinal, o cenário atual não deve mudar tão rapidamente. “Buscar se encontra mais barato. Pesquisar neste momento é uma solução. O cearense não deve comprar acima do preço praticado no mercado”, afirmou. 

Sobre as fábricas, a reportagem conversou com um representante de uma marca que produz a N95. Ele não autorizou o nome da empresa, mas confirmou que há um risco de desabastecimento e que isso se deve muito a compra dos estoques brasileiros pelo mercado chinês. Por enquanto, a indústria seguirá normalmente entregando para hospitais o que já havia sido contratado. Ele também deixou claro que o preço de R$ 35 pela máscara reforçada está bem acima do que eles estão vendendo para as lojas do setor. 

Se há um cenário de tranquilidade ainda para hospitais, o mesmo não pode ser dito para farmácias. “Eles (fábricas) tinham uma demanda de mercado para atender hospitais e clínicas que utilizam de forma frequente. O varejo vende muito pouco este produto no dia a dia. Aumentou agora porque é a população que está buscando se proteger contra o vírus”, finalizou deixando claro o risco de desabastecimento ou a escalada de preços por conta da oferta e procura. 

Em contato com as farmácias procuradas pela reportagem, os atendentes informaram que já há pedidos por novos estoques de máscaras há semanas sem sucesso ou previsão de novos estoques chegarem. 

Defesa 
O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE), Thiago Fujita, afirmou que ainda não receberam nenhuma demanda sobre aumento de preços de máscaras. “Se aumentar demais do preço sem uma justificativa, por exemplo, majorar em 100% o valor do produto, isso pode constituir uma prática abusiva”, disse. 

Para Fujita, seria interessante o consumidor pegar a nota fiscal e se voltar ao estabelecimento e ver se o produto dobrou de preço ou aumentou muito fora da razoabilidade. “O consumidor poderia tirar uma foto do produto e fazer uma denúncia aos órgãos de defesa do consumidor. Pode enviar para a OAB por e-mail (cdc@oabce.org.br). Tem que ficar atento, pois é um momento diferente no mercado. Se for algo sistêmico a OAB pode entrar por ser demanda coletiva”, completou.                           (Diário do Nordeste)

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