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Nove dos 43 batalhões da Polícia Militar do Ceará estão ocupados por homens encapuzados

Carros da polícia são retirados dos batalhões e ficam estacionados
em ruas com pneus esvaziados. FOTO: José Leomar
Homens encapuzados ocupam ao menos nove batalhões da PM no Ceará nesta sexta-feira (21), de um total de 43 unidades existentes (20%) no estado. Policiais militares que reivindicam aumento salarial acima do proposto pelo governador Camilo Santana realizam desde terça-feira (18) atos que a Secretaria da Segurança considera "motim" e vandalismo". 

Na noite desta quinta-feira (20), policiais se recusaram a encerrar motim após reunião entre líderes e o Governo do Estado. 

O Ceará registrou 51 assassinatos em 48 horas – mais de 1 por hora – em meio ao movimento de parte da categoria por aumento salarial. Até terça-feira (18), quando teve início o motim, a média de homicídios no estado em 2020 era de 6 por dia. As 51 mortes ocorreram entre as 6h de quarta e as 6h desta sexta-feira. 

Encapuzados invadiram os quartéis na madrugada de quarta-feira (19), retiraram veículos da polícia e esvaziaram pneus. Os carros ficam parados nas ruas em frente aos quartéis para evitar acesso à sede.

Batalhões ocupados por amotinados no Ceará: 
Fortaleza e Região Metropolitana: 
12° Batalhão, em Caucaia; 14° Batalhão, em Maracanaú; 16° Batalhão, em Fortaleza; 17° Batalhão, em Fortaleza; 18° Batalhão, em Fortaleza; 22° Batalhão, em Fortaleza. 

Interior: 
Batalhão do Raio, em Sobral; 10º Batalhão, em Iguatu; 2º Batalhão, em Juazeiro do Norte. 

Em um momento crítico da crise, o senador licenciado Cid Gomes foi baleado por homens encapuzados quando tentou entrar no batalhão da polícia em Sobral. Ele recebe atendimento médico e não corre risco de morrer, segundo familiares. Um vereador Sargento Ailton, suspeito de liderar o motim, foi expulso do partido. 

Quatro policiais foram presos e mais de 300 são investigados por vandalismo e desobediência, conforme o secretário da Segurança Pública, André Costa. 

Com a crise na segurança pública, o Ceará conta com reforço de tropas da Força Nacional e Exército fazem a patrulha nas ruas, cumprindo aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A GLO é utilizada quando as forças policiais regulares perdem o controle da situação. 

O G1 procurou a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, mas não obteve resposta até a última atualização desta notícia. 

Reunião termina sem acordo
A proposta do governo é aumentar o salário de um soldado da PM dos atuais R$ 3,2 mil para R$ 4,5 mil, em aumentos progressivos até 2022. O grupo de policiais que realiza as manifestações reivindica que o aumento para R$ 4,5 mil seja implementado já neste ano. 

Na noite de quinta-feira (21), houve um encontro entre representantes dos policiais que participam do motim e uma comissão de senadores para por fim à paralisação. Mas, não houve acordo. 

“Nós vamos continuar aqui [no quartel] com a decisão da maioria da categoria e nós só estamos aqui para obedecer o que a maioria decidiu”, disse o ex-deputado federal Cabo Sabino, que representa os policiais do movimento.

"Ele [o governo do Ceará] diz que até 7h da manhã, quem sair aqui do movimento, quem já está identificado não tem anistia. Quem não estiver identificado eles não vão atrás, mas não garante nada. Aqueles que estão respondendo IPM (Inquérito Policial Militar) vão continuar respondendo. Aqueles que foram identificados não tem anistia, não tem nada disso. E os que não foram identificados até 7h, não vão atrás de identificar", declarou Sabino. 

A assessoria do governador Camilo Santana diz que não negocia anistia para os policiais. Mais de 300 policiais são investigados por participar do motim.                   (G1 CE)

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