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Covid-19: cemitérios da Região Metropolitana de Fortaleza sepultaram pelo menos 10 casos suspeitos

Cemitérios da Grande Fortaleza, como o Jardim Metropolitano, ampliam capacidade. FOTO: Camila Lima
Na Itália e na Espanha, o novo coronavírus mata mais de 800 pessoas diariamente, pressionando o serviço de cemitérios e crematórios, que chegam a receber filas de caixões. No Ceará, o setor funerário já começou a se organizar para que a situação não chegue a esse ponto. A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) confirmou, até o momento, 9 óbitos pela doença, mas cemitérios de Fortaleza e Região Metropolitana já realizaram, pelo menos, dez sepultamentos de pessoas com suspeita do vírus. 

O Memorial Fortaleza declarou dois casos suspeitos. Já o Parque da Paz, seis. Monte Sinai e Memorial Sol Poente atenderam a casos em que a família afirmou suspeita, mas sem confirmação de laudo oficial. Parque da Saudade e Jardim do Éden disseram ter recebido casos, mas não informaram quantos. Outros três equipamentos - São João Batista, Jardim da Esperança e Memorial Ternura - ainda não receberam, mas informaram que já adotam prevenções sanitárias para isso. 

Mayra Grisólia, presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Estado do Ceará (Sefec-CE), considera que Fortaleza e Região Metropolitana dispõem de bons empreendimentos funerários - são 11 cemitérios particulares - e "muita disponibilidade" de jazigos. "A maioria trabalha com uma reserva grande", informa Mayra, mas sem mencionar números absolutos. 

No entanto, diante da pandemia do coronavírus, a orientação da entidade aos equipamentos filiados é "se preparar para o pior cenário". "Quem disser que está preparado está mentindo", ressalta a presidente. Os gerentes dos espaços têm promovido discussões sobre o preparo da situação, inclusive calculando a abertura de novos jazigos. 

A Sesa informa que, na ocorrência de óbito confirmado, inconclusivo ou descartado para Covid-19, a unidade de saúde deve proceder com a "notificação imediata" dos serviços de Vigilância do Óbito do Município e Estado. Se a coleta de material biológico não tiver sido feita em vida, deve ser realizada post-mortem "para posterior investigação da equipe de vigilância local". 

Caso haja óbito sem elucidação diagnóstica, deve ser feito o contato da unidade com a Central de Regulação de Necropsias do Serviço de Verificação de Óbitos Dr. Rocha Furtado, do Governo do Estado, para avaliar a "extrema necessidade" da autópsia. O procedimento, segundo a Pasta, expõe a equipe a riscos adicionais. 

Preparação 
"Semana passada, mandei montar mais 50 jazigos que não foram vendidos, e temos estoque de mais 50", afirma o diretor do Cemitério Parque da Paz, Newton Padilha. 

"Quem já tiver jazigo tem que fazer exumação porque, quando sepultar, não pode abrir mais. A gaveta tem que ficar lacrada". Para prevenir a contaminação, os 100 funcionários no campo estão trabalhando com luvas, máscaras e álcool em gel e em regime de revezamento. As missas se tornaram mais curtas, e as cadeiras da capela foram espaçadas de dois em dois metros. Serviços como poda de grama e limpeza de lápides foram postergados. "Fica para depois porque estamos atentos 24 horas a essa doença", diz Newton. 

Já o Memorial Sol Poente, em Caucaia, tem 200 jazigos disponíveis para a "programação normal", estimada até o mês de agosto. O local costuma montar mais unidades antes da quadra chuvosa, período que impossibilita novas construções, mas sem previsão de aumento exponencial da demanda, segundo o proprietário Ricardo Carvalho. 

"Se aumentar muito a procura, vamos ter um pouco de dificuldade. Temos condições de atender aos nossos clientes, mas, para atender a alguma necessidade do Estado, é quase impossível", pontua. Carvalho afirma que já possui estoque extra de caixões e que as atividades nas salas de velório e na capela estão temporariamente suspensas. "Chegou, fazemos sepultamento. As pessoas não entendem e acham que estamos sendo mercenários, mas é para nossa proteção e a proteção delas", ressalta. 

Além dos serviços privados, o planejamento também afeta os cinco cemitérios públicos municipais de Fortaleza. Ou, pelo menos, o Cemitério Público Parque Bom Jardim, na Regional V, único que ainda recebe sepultamentos na Capital. Com a ausência de terrenos na cidade capazes de receber uma nova necrópole, o local passa constantemente por exumações para abrir mais vagas e recebe cerca de 13 enterros por dia. 

Conforme a Secretaria Executiva Regional V, não houve alteração na média de sepultamentos nos últimos dias. A administração informa que "está acompanhando de perto todas as atualizações referentes ao coronavírus em Fortaleza para assegurar que os serviços à população sejam minimamente afetados". Hoje, o equipamento dispõe de 1.000 vagas para sepultamento imediato, mas possui contrato vigente de exumação que assegura mais 4 mil vagas em 2020. 

O Parque Bom Jardim está funcionando apenas para sepultamentos, que podem ser acompanhados por, no máximo, 10 pessoas. Estão suspensas visitas, atos ecumênicos, velórios, cortejos ou qualquer atividade que leve à aglomeração de pessoas. 

A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) não informou, até o fechamento desta edição, quantas pessoas foram enterradas com suspeita de coronavírus em março, nos cemitérios públicos de Fortaleza. 

Urnas 
Segundo Mayra Grisólia, as agências funerárias também estão se precavendo quanto ao estoque de urnas mortuárias. Quando o primeiro decreto estadual de fechamento de estabelecimentos entrou em vigor, houve a paralisação da fábrica de caixões em Russas, principal fornecedora do mercado cearense. Após pedido do Sefec-CE, o local voltou a operar. 

"Como temos uma fábrica dentro do Estado, temos até certa tranquilidade. Eles já trabalham com a capacidade total para ficarmos com maior estoque possível", garante a presidente, sem, novamente, revelar números da produção. Por enquanto, Grisólia explica que o maior foco das empresas é manter restrições durante os velórios. 

Uma decisão da Justiça do Ceará, assinada no dia 20 de março, proibiu a realização de cerimônias para eventuais mortos em decorrência do coronavírus. A medida impõe que o enterro ocorra logo depois da liberação do corpo nas unidades hospitalares. 

Além disso, também devem ser interrompidos procedimentos de somatoconservação, ou seja, as técnicas utilizadas para conservar os corpos por mais tempo. Em relação aos mortos por demais causas, são permitidos velórios somente no período diurno, com duração máxima de uma hora e presença de até dez pessoas. 

"Não é tanto pelo risco de contaminação pelo falecido porque a própria Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) manda lacrar a urna. Chamamos atenção sobre o contato entre os vivos, porque alguém da família pode ter sido contaminado antes. Alguns bairros de Fortaleza insistem em ter velórios numerosos", alerta Mayra. 

Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de letalidade da Covid-19 varia de acordo com a faixa etária. Os dados colhidos na China, epicentro da epidemia, mostram que ela atinge apenas 0,2% dos casos na faixa entre 10 e 39 anos, aumentando paulatinamente até vitimar 8% dos pacientes entre 70 e 79 anos e 14,8% dos idosos com idade igual ou acima de 80 anos.                              (Diário do Nordeste)

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