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Velórios e missas virtuais são ofertados para reunir familiares e amigos de vítimas da Covid-19


Em meio ao luto, familiares e amigos de pessoas que morreram pela Covid-19 devem conformar-se, ainda, com a impossibilidade de realizar cerimônias presenciais de homenagem ao ente querido. Para amenizar a dor do momento, é possível solicitar um velório virtual ou ainda participar de missa de sétimo dia.

A iniciativa é oferecida pela Comunidade Católica Shalom. No site um ícone ao lado esquerdo mostra que padres fazem atendimento online durante a pandemia. Ao clicá-lo, o usuário pode solicitar uma cerimônia com a família durante um funeral, ou uma oração por enfermo internado. Para isso, é necessário preencher um formulário disponível no próprio site. 

O familiar será contatado pela central de atendimento da Comunidade, entre 8h e 18h, para acertar os detalhes a respeito do contato com um sacerdote. Na ocasião do atendimento, o encontro será realizado pelo aplicativo Google Meet, gratuito e disponível nas plataformas Apple Store e Play Store. O padre iniciará a reunião e enviará as informações para que o solicitante possa acessar. Outros parentes e amigos também podem participar virtualmente da cerimônia: basta compartilhar o link disponibilizado pelo sacerdote. 

“Um grupo muito pequeno da família vai até o cemitério, no local do sepultamento. Isso não vale só para mortos pela Covid-19, mas para qualquer tipo de funeral. Eles ficam diante da sepultura, mostram o caixão pela câmera do aparelho celular, e o padre e todos os outros familiares e amigos, em suas respectivas casas, podem visualizar”, explica o padre Silvio Scopel. 

Segundo ele, o padre lê um trecho da Bíblia e, em seguida, dirige palavras de conforto, carinho e esperança para o grupo. Ele pode ainda orar ou dar uma bênção. “Uma bênção não chega a ser um sacramento, que nós não podemos ministrar virtualmente”, pontua. “Temos vivido experiências muito belas nesse sentido”. 

O sacerdote revela que as cerimônias nesse formato têm um grande alcance, e que já participou de uma celebração fúnebre virtual com cerca de 100 pessoas. “Nada substitui o presencial. O ser humano é relacional, existe para o outro. Por mais que tenhamos esses meios de nos encontrar, o presencial é o modo supremo do encontro humano. No entanto, não havendo essa possibilidade, o virtual é o que nós dispomos, e o fazemos com todo o nosso coração”, declara. 

Missa 
Na funerária Ethernus, todas as pessoas atendidas ao longo de uma semana são convidadas a participar de uma live pelo Instagram às 19h, realizada às quartas-feiras. O evento online consiste em uma missa de sétimo dia, de Celebração da Esperança, voltada a todos que perderam entes queridos neste período. Antes de iniciar a missa, todos os que morreram têm seus nomes lidos por um sacerdote. 

“Antes da epidemia, a gente fazia velórios virtuais, que não fazemos mais no momento. Quando a pessoa falece por Covid-19, já vai direto para o sepultamento, então a família nem passa por aqui. Mas o familiar pode passar o nome do parente para a gente incluir na celebração da missa de quarta-feira", detalha Audisia Barbosa, cerimonialista da Ethernus.

Sepultamento 
Pouco após o início da epidemia no Estado, ritos de velório, missas e cultos foram descontinuados com a finalidade de impedir aglomerações, conforme explica Vicente Jales, vice-presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas Funerárias e Cemitérios Particulares do Estado do Ceará (Sintrafce). 

Já na ocasião do sepultamento, a recomendação é de que seja restrito à presença de no máximo 10 pessoas. “No entanto, as famílias têm a liberdade. É um momento delicado, não vamos impedir as pessoas de entrarem. Mas a nossa prática cotidiana tem mostrado que não têm ido sequer 10 pessoas. Vai, no máximo, um ou dois carros de passeio com quatro pessoas, em média”, detalha o vice-presidente do Sintrafce. 

Segundo ele, quem chega para acompanhar os sepultamentos de pacientes mortos por Covid-19 costuma utilizar máscara e trazer álcool em gel, conscientes sobre os meios de se protegerem contra a doença. As homenagens e despedidas se limitam a uma breve oração ou reza pouco antes do momento do enterro.                  (Diário do Nordeste)

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