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Espera por resultado de teste de Covid-19 ainda chega a 15 dias no Ceará


A espera por resultados dos testes para Covid-19 que, no começo de abril, já chegou a ser de até 17 dias no Ceará, conforme o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), atualmente é de 5 dias no máximo para pacientes internados e entre 10 e 15 dias para quem não está hospitalizado. A estimativa do Cosems, segundo a presidente da entidade, Sayonara Cidade, refere-se ao cenário generalizado dos municípios do Ceará. No total, conforme a última atualização, às 17h21 de ontem (27), do IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde (Sesa), foram feitos 91.287 exames para Covid-19. Destes, 11.338 estão em análise. Os testes que aguardam resultados são de pessoas de 175 cidades. 

Dos 91.287 exames, a maioria, 53.519, foi RT-PCR, método de diagnóstico molecular; 35.097 testes rápidos e 2.657 de sorologia, testados a partir da amostra de sangue do paciente. Segundo o IntegraSUS, já foram realizados testes para a Covid-19 nos 184 municípios do Ceará. 

Em março, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que analisa os resultados dos testes RT-PCR da rede pública, tinha capacidade de avaliar, em média, 100 exames por dia. No decorrer dos meses de pandemia, com a necessidade de ampliação, segundo a Sesa, o Lacen foi reestruturado e atualmente analisa 900 exames diariamente. 

A presidente do Cosems, Sayonara Cidade, explica que, hoje, quando as secretarias da saúde registram no sistema de notificação que o paciente suspeito está internado, "o máximo que você espera são cinco dias. Quando não está (internado), fica entre 10 e 15 dias. Não está sendo menos do que isso", relata. A presidente do Cosems conta que, recentemente, o secretário da Saúde, Dr. Cabeto, recebeu as queixas de alguns municípios em relação à demora. Mas, segunda ela, o titular da Sesa informou que isso ocorreu por conta da aceleração das testagens de óbitos suspeitos. "Ele explicou que a quantidade de óbitos suspeitos fez com que dessem prioridade no Lacen a pessoas que foram a óbito e não tinham um diagnóstico. E que agora estava voltando ao normal, atendendo novamente os municípios", conta. 

Procedimentos 
O exame de RT-PCR, metodologia adotada pelo Lacen, é feito a partir de secreções coletadas do nariz e garganta do paciente por meio de sonda ou do swab, um tipo de haste de plástico com algodões nas pontas. Para esse tipo de teste, as equipes municipais de saúde fazem a coleta e enviam o material nos transportes das próprias prefeituras para análise no Lacen, em Fortaleza. 

Dentre os 10 municípios que mais têm testes em espera por resultados, no momento, 8 são da Região Metropolitana de Fortaleza. A Capital aguarda, atualmente, o resultado de 4.133 testes, seguida por Caucaia (846), Maracanaú (568), Cascavel (488), Maranguape (479), Horizonte (417), Pacatuba (303), Sobral (233), Aracati (224) e Eusébio (199). 

Além da dificuldade com os resultados dos testes, conforme a presidente do Cosems-CE, os municípios também vivenciaram o entrave da falta de testes. "Só alguns municípios tinham conseguido comprar. Mas agora temos testes do Governo Estadual e também testes enviados pelo Governo Federal. Duas remessas que chegaram. E os municípios também compraram testes e tivemos como aumentar as testagens". 

Sayonara não soube precisar quantos testes rápidos foram enviados aos municípios pelo Governo do Estado e pela União, mas informou que a divisão segue o critério populacional e foi dividida em seis remessas. Os municípios que têm comprado testes diretamente, relata ela, adquirem produtos importados e o tem feito por meio de dispensa de licitação. "A gente antes pedia teste e não tinha, porque o país não estava preparado. Agora estamos recebendo EPIs e testes tanto do Governo Federal quanto do Estadual. A distribuição é por critério populacional. Cedro, por exemplo, recebeu até agora 400 testes, em três remessas". 

Ampliação 
Na terça-feira (26), o governador Camilo Santana, informou que na quarta-feira (27) teria início a distribuição de 280 mil testes rápidos para diagnóstico de coronavírus no Estado. A representante do Cosems-CE, Sayonara Cidade, também acrescenta que devido à dificuldade anterior, eram testados, sobretudo, pacientes graves e profissionais de saúde. Agora, esses testes, de modo geral, estão sendo ampliados nos municípios. "Estamos fazendo por grupos. Fizemos os profissionais da segurança e agora vamos fazer os comerciantes". 

O processo de análise dos testes RT-PCR no Lacen, conforme a Sesa, dura em média oito horas e identifica a carga genética do vírus no período em que ele está agindo no organismo. O Diário do Nordeste solicitou à Sesa algumas informações sobre a atual situação das testagens e disponibilização de resultados de exames, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno. 

Na semana passada, a secretária de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida, afirmou que a testagem no Ceará tem chamado atenção pois o Estado é um dos que mais testa para a detecção de Covid-19. "Isso vem de um planejamento. Desde janeiro, quando criamos o Comitê de Operações Emergenciais, a gente vem planejando junto com o Lacen uma expansão dessa testagem. O Lacen, o laboratório Central de Saúde Pública,foi primeiro. Tinha capacidade ainda baixa, mas conseguimos ampliar", disse à época. 

Na ocasião, Magda também explicou que o atraso no resultado dos testes hoje já é menor que no início de abril e afirmou que a tendência é que seja ainda mais reduzido. "O RT-PCR é um teste que pode demorar até 5 dias para sair resultado. Já tivemos um represamento maior. Conseguimos, com essa amplitude de testes, diminuir o tempo de espera", afirmou. 

Além do Lacen, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) e a Universidade de Fortaleza também analisam exames de biologia molecular da rede pública. Juntas, informa a Sesa, as unidades fazem a análise de 1.200 testes de RT-PCR diariamente. A projeção é que, em breve, com a chegada de mais insumos, outras instituições, como a Universidade Federal do Cariri, também colaborem nesta análise. Além disso, a Sesa elaborou um chamamento público para outros laboratórios que queiram fazer essa testagem junto ao Estado. 

Em relação à prioridade para realização dos testes, a secretária Magda Almeida disse, na semana passada, que funciona da seguinte forma: "A rede prioriza os pacientes já internados, aqueles que têm comorbidades, principalmente os idosos com mais de 60 anos, além dos profissionais da saúde e segurança". Com a ampliação da capacidade de testagem, a expectativa, é que os casos mais leves entrem na estatística.                       (Diário do Nordeste)

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