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UFCA está em preparativos finais para iniciar testes da Covid-19 no Cariri; exames não irão mais para Fortaleza

FOTO: Racquel Oliveira
A Universidade Federal do Cariri (UFCA) está executando os últimos preparativos para começar a realizar, na instituição, testes moleculares para detecção da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). De acordo com o diretor da Faculdade de Medicina (Famed/UFCA), professor Cláudio Gleidston, o laboratório onde serão feitos os testes está passando por reforma e, assim que ela for concluída (o que deve ocorrer ainda nesta semana), a Universidade aguardará certificação do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen), os kits de testagem e os profissionais para execução dos testes, para finalmente dar início aos exames no Cariri. Atualmente, todos os testes realizados no Ceará estão sendo feitos na capital do Estado, Fortaleza, tanto pelo Lacen quanto por instituições parceiras, certificadas para reforçar a capacidade de testagem do Ceará, como a Universidade Federal do Ceará (UFC), o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) e a Universidade de Fortaleza (Unifor). 

“Os riscos são vários [de enviar amostras de pacientes do Cariri para Fortaleza]: a perda da amostra, o manuseio inadequado dela, a demora da sua chegada ao Lacen Central e de retorno do resultado. Falando de uma doença que pode causar sérias lesões nos pulmões tão rapidamente, o tempo é um fator fundamental para recuperarmos um paciente [acometido da forma grave da Covid-19]. Então, o teste é importante porque, se tenho um paciente com H1N1 [enfermidade que também atinge o sistema respiratório], minha conduta é uma; se tenho um paciente com Covid-19, minha conduta é outra. A conduta médica adequada aumenta a chance de recuperação de um paciente”, explica o diretor da Famed/UFCA, médico com doutorado em Farmacologia e pós-doutorado em Saúde Coletiva. 

Além de Cláudio, encabeçam o projeto de testagem no Cariri a professora da UFCA Saly Lacerda (doutora em Ciências da Saúde), os professores da UFCA Roberto Flávio Fontenelle (doutor em Biologia Oral e Osteoarticular, Biomateriais e Biofuncionalidade) e Marcos Antônio Pereira (doutor em Biotecnologia em Saúde); além da técnica de laboratório da Universidade, Racquel Oliveira (doutora em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Medicamentos). 

Pelo fluxograma elaborado pelos pesquisadores, o laboratório vai funcionar de segunda a sábado, das 8h às 20h ininterruptamente. Já os domingos estarão reservados para limpeza e desinfecção do laboratório. Os testes serão realizados por duas equipes, que vão trabalhar, cada uma, por 6h. A expectativa da Famed/UFCA é de realizar cerca de 40 testes diariamente: “Vamos utilizar o RT PCR (polymerase chain reaction, ou “reação em cadeia da polimerase em tempo real”, em tradução livre), que é um equipamento que amplia o material genético do vírus até a sua detecção, tanto qualitativa quanto quantitativamente. A vantagem de um RT PCR frente a outros equipamentos que também identificam material genético de micro-organismos, como um termociclador [PCR], é que, no RT PCR, posso analisar mais amostras de uma só vez, o que amplia a capacidade de testagem”, afirmou. Segundo Cláudio, uma PCR convencional utilizando gel permite o ensaio simultâneo em torno de 8 amostras, em aproximadamente 12h. Já o RT-PCR amplia a capacidade para 46 amostras, no mesmo tempo. 

O que falta para o início dos testes? Segundo o professor, após a certificação do laboratório da UFCA, a Coordenadoria da Regional Sul da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa/CE), que abrange 45 municípios do Centro-Sul cearense, vai encaminhar os kits para testagem e também os profissionais que vão executar os exames. Além disso, a coordenadoria vai intermediar o contato dos pesquisadores da UFCA com os profissionais que coletam as amostras de pacientes com suspeita de terem contraído Covid-19, nos municípios de abrangência da Regional: “Faremos uma videoconferência com esses profissionais, explicando o protocolo adequado de coleta e de transporte. Depois, vamos treinar farmacêuticos selecionados pela Regional para a manipulação das amostras no laboratório da Famed/UFCA, o que deve durar um dia e meio. Com os equipamentos calibrados, com os profissionais treinados e com os kits à disposição, o laboratório será blindado por dois dias, para assegurar um ambiente adequado para a manipulação biomolecular. Depois disso, o laboratório poderá começar imediatamente a realizar os exames”, assegura o médico. 

Reforma 
Ainda conforme Cláudio – logo após a disponibilização, por parte da Reitoria, de equipamentos no laboratório da Famed/UFCA para as autoridades estaduais de saúde, no fim de abril passado -, duas auditoras do Lacen vieram ao Cariri para a verificação das instalações: “essa reforma já estava programada antes mesmo de começar tudo isso [a quarentena]. Iríamos fazer de maneira mais lenta mas, depois da inspeção, as auditoras solicitaram que entregássemos a reforma completa mais rapidamente. Levei [a demanda] à gestão universitária, que autorizou a agilidade nas obras”, disse Cláudio. 

Segundo explica o diretor da Famed/UFCA, o revestimento anterior do piso (revestimento cerâmico não adequado) e das bancadas do laboratório (madeira revestida com fórmica) não era apropriado para lavagem nem para suportar o contato com substâncias corrosivas. A reforma substituiu ambos por revestimentos laváveis e resistentes, como granito: “também trocamos o sistema hidráulico, fizemos melhorias na parte elétrica. Instalamos um nobreak [equipamento que mantém fornecimento de energia em caso de queda na distribuição], capaz de suprir a demanda de energia elétrica do laboratório por até 6h. Além disso, também instalamos outro ar condicionado, porque a temperatura no laboratório não pode oscilar. Então, se um [climatizador] apagar, o outro mantém a temperatura do ambiente, preservando assim as amostras”, disse Cláudio. 

Espaço físico 
O espaço onde os testes serão feitos está dentro de uma ala da Famed/UFCA chamada Laboratório de Patologia Experimental (Lapex/UFCA), onde são realizados serviços ao público e também atividades de pesquisa. O espaço comporta, além do laboratório que servirá para a realização de testes de Covid-19, também a sala dos cursos de Residência Médica, o Sistema de Verificação de Óbitos (SVO) e a sala de treinamento de Patologia. 

O laboratório para os exames está dividido em 4 espaços: sala de triagem, sala de extração, sala de mixagem e sala de leitura. Para ingresso nesta última, onde fica o RT PCR, é necessário paramento de proteção mais rigoroso que nas demais, com propé, avental, luvas, máscara, gorro, óculos (ou protetor facial). De acordo com o fluxograma, os profissionais receberão os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) meia hora antes do horário de início dos trabalhos no laboratório, das 7h às 7h30. 

Os profissionais que vão executar os testes precisarão ser vacinados conforme o calendário de vacinação nacional, que estabelece imunização periódica contra doenças como H1N1, tétano, tuberculose e hepatite. A imunização dos profissionais está em conformidade com a Lei de Biossegurança em vigência no país (Lei Nº 11.105, de 24 de março de 2005). Também é determinado pela lei a esterilização dos resíduos gerados no processo de feitura dos exames, para reduzir o risco biológico do material a ser expurgado.

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