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Salto nos casos de Covid-19 no Cariri e Centro-Sul deixa hospitais-polo na beira do colapso

O cenário fica ainda mais preocupante frente a alta taxa de ocupação do Hospital Regional do Cariri (HRC), em Juazeiro do Norte
O salto dos casos da Covid-19 na região Centro-Sul do Ceará, fez com que todos os 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) fossem ocupados, em Icó e Iguatu, no último fim de semana. 

O cenário fica ainda mais preocupante frente a alta taxa de ocupação do Hospital Regional do Cariri (HRC), em Juazeiro do Norte. A unidade, referência para 44 cidades do Sul do Estado e uma população estimada em 1,5 milhões, também colapsou entre sábado (20) e domingo (21).

No entanto, como o fluxo de pacientes internados é dinâmico, existindo alta médica e óbitos, este cenário pode variar diariamente, como aconteceu nesta segunda, com a disponibilidade de três vagas em Iguatu e seis no HRC. 

O presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece) e prefeito de Cedro, Nilson Diniz, conta que encontrou dificuldades ao buscar, no último sábado (20), uma vaga de UTI para um paciente grave de Covid-19 do seu Município. “Foi um desespero. Busquei vaga em Iguatu, Icó e em Juazeiro do Norte e só consegui em Brejo Santo. Um paciente grave não suporta longas transferências, como para Fortaleza", conta. 

Vagas limitadas 
Na macrorregião do Cariri, que inclui Iguatu e Icó, a oferta de leitos preocupa frente ao rápido aumento nos casos do novo coronavírus. Além dos 60 leitos no HRC, há cinco vagas no Hospital São Raimundo, em Crato; uma no Hospital Municipal José Facundo FIlho, em Jucás; e 18 em dois hospitais de Barbalha. A situação permanece grave em Brejo Santo, no Instituto Madre Teresa de Apoio à Vida, que também está com seus sete leitos de UTI em ocupação máxima. 

A disponibilidade de leitos de UTI, no entanto, não acompanha a curva ascendente nos casos da Covid-19. Somente em Juazeiro do Norte, maior Município do interior, o crescimento dos casos do novo coronavírus foi de 358% nos primeiros 22 dias deste mês, chegando a 1.785, conforme a Secretaria da Saúde do Município. O salto, replicado também em outras cidades do Sul, como em Iguatu (199%), que agora tem 560 infectados, impacta diretamente na ocupação dos leitos e causa preocupação. 

A taxa de transmissão na macrorregião do Cariri é, segundo o IntegraSUS, plataforma de dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a maior do Ceará. Considerada de “alta transmissão”, a média chega a 1,02, o que aponta para uma maior circulação do vírus. Já a taxa de letalidade (4,02) só fica atrás para a taxa de Fortaleza (7,74). 

Antecipação de crescimento 
Para Nilson Diniz, essa curva crescente, a qual a Aprece “já vinha chamando a atenção”, era prevista, mas somente para o fim do mês. “Houve uma antecipação em pelo menos dez dias e infelizmente a tendência é de continuação no aumento dos casos”. A preocupação, ainda segundo o representante da Aprece, é acentuada devido “a estrutura limitada de saúde do interior”, evidenciada neste fim de semana com o colapso dos principais hospitais. 

A presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Moura Cidade, também externa preocupação com a onda de crescimento nos casos do novo coronavírus e o consequente estrangulamento do sistema de saúde. Ela antecipou que o Cosems vai pleitear “reforço e ampliação da estrutura de atendimento nas cidades do interior à Secretaria da Saúde do Estado”. Segundo sua avaliação, “os municípios precisam de mais apoio do Estado”. Nilson Diniz ressaltou que a Aprece também entrará com solicitação, junto ao governo do Estado, “para reforço nos leitos”. 

A reportagem questionou à Sesa se há previsão de abertura de novos leitos de UTI na macrorregião do Cariri. No entanto, até o fechamento desta matéria, a resposta não foi enviada. 

Atendimento em Fortaleza 
Segundo o secretário da Saúde do Estado, Dr. Cabeto, Fortaleza está recebendo pacientes do interior, principalmente da região Norte e, neste fim de semana, da região Sul. "Em media 10 pacientes por dia". 

Já o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio, disse que, mesmo diante da estabilização nos casos na Capital cearense e tendência de queda, o Hospital de Campanha do Estádio Presidente Vargas ficará montado para ampliar a oferta de vagas. “Podemos receber pacientes do interior”, disse.                 (G1 CE)

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