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Doações de plasma sanguíneo para tratamento contra a Covid-19 no Ceará ainda são baixas, diz Hemoce

FOTO: Thiago Gadelha
No mês de junho, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) recebeu 59 doações do chamado plasma convalescente, a parte líquida do sangue, de pacientes infectados e recuperados por Covid-19. O material biológico já foi aplicado no tratamento de pacientes em hospitais de Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte, mas o hemocentro esperava um número maior de doadores. 

“Até o momento, as doações estão conseguindo suprir as necessidades dos pacientes, mas, dependendo do grupo ABO, temos dificuldade em manter um estoque seguro. Principalmente do tipo A, do qual temos o maior número de solicitações, e do AB, pela quantidade reduzida desse grupo na população”, explica a médica Denise Brunetta, diretora de hemoterapia do Hemoce. 

Os números não refletem o número de pessoas curadas da doença. Até esta segunda-feira (29), somente Fortaleza já tinha mais de 26 mil pacientes recuperados, de acordo com a plataforma IntegraSUS. A ampliação da iniciativa também depende da compatibilidade entre doador e receptor. 

A aplicação de plasma de pessoas infectadas e recuperadas da doença no Ceará é individualizada e depende da solicitação do médico diretamente responsável pelo tratamento do paciente. 

A principal hipótese dos cientistas é que pessoas curadas da Covid-19 desenvolvem anticorpos no plasma que podem ser úteis à recuperação mais rápida de outras, sobretudo com formas de moderada a grave. Porém, não é unanimidade. 

“São evidências ainda pequenas porque é uma doença nova com a qual a gente ainda está aprendendo a lidar. Temos trabalhos na literatura científica que mostram benefícios, mas há outros que ficam na dúvida se esse benefício é real”, afirma Denise Brunetta. 

Somente homens 
Envolvida no processo, está uma reação chamada lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, uma das principais causas de mortes relacionadas a transfusões que está associado a anticorpos presentes em mulheres. “Por isso, essa doação é muito mais segura em doadores do sexo masculino”, explica a médica. 

A primeira etapa do processo é uma triagem clínica do potencial doador, quando há a coleta de uma amostra de sangue para avaliação da quantidade de anticorpos contra a Covid-19. Após dois dias, o candidato retorna para consulta. Caso não esteja apto para doar o plasma, é convidado para doação de sangue convencional. Sendo liberado, pode gerar até três bolsas de plasma convalescente. 

Outros critérios definidos pelo Hemoce são: ter entre 18 e 60 anos de idade, pesar acima de 50kg, ter diagnóstico de Covid-19 confirmado previamente por PCR (biologia molecular), sorologia ou teste rápido, e estar sem sintomas da doença há mais de 30 dias. 

A diretora de hemoterapia reitera que a doação de plasma segue uma doação de sangue convencional, “tranquila, segura, feita com equipamentos de uso individual esterilizado e sem risco de contaminação”.                 (G1 CE)

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