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Mestre Aprígio morre em Ouricuri aos 79 anos; artista confeccionou peças em couro para Gonzagão e também morou em Crato


Morreu na noite desta segunda-feira (27), Mestre Aprígio (José Aprígio Lopes), Patrimônio Vivo da Cultura. Ele trabalhava em Ouricuri, Pernambuco, com o artesanato em couro.

Mestre Aprígio era hipertenso e tinha uma doença crônica. Chegou a passar alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Segundo o filho de Mestre Aprígio, Romildo Aprígio, o pai estava internado no Hospital Regional Fernando Bezerra em uma sala próxima à UTI. Ele tinha apresentado melhoras. “Ontem eu conversei com o médico, que tinha dito que ele estava melhor. Mas depois piorou. Fizeram procedimento para reanimar”, disse Romildo. 

Mestre Aprígio teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há mais de 10 anos, segundo Romildo Aprígio. O artesão do couro faleceu no Hospital Regional. Segundo Romildo, o pai foi submetido na segunda-feira a um segundo teste da Covid-19 (SWAB). O primeiro tinha dado negativo. O resultado do SWAB deve sair em cerca de quatro dias.

Antes de adoecer, o mestre continuava em plena atividade de artesão, confeccionando peças em couro. Natural de Exu, ele confeccionou alguns dos chapéus usados por Luiz Gonzaga. 

Nascido no dia 25 de maio de 1941 (79 anos), o Mestre Aprígio contava que conhecia bem o repertório de Luiz Gonzaga. Ele confeccionou vários dos chapéus de couro usados pelo Rei do Baião, se tornando referência para grande nomes da música nordestina, a exemplo dos chapéus de Alcymar Monteiro, Chambinho do Acordeon, Flávio Leandro, Flávio Baião, Jaiminho de Exu e Joquinha Gonzaga, sobrinho de Luiz Gonzaga. 

“Meus chapéus serviram de coroa para os dois grandes reis que conheci, veja só que privilégio, Luiz Gonzaga e Dominguinhos”, dizia o Mestre Aprígio. 

Os chapéus, gibões e sandálias confeccionados por Seu Aprígio ficaram imortalizados também quando a Escola de Samba Vila Isabel desfilou na Sapucaí do Rio de Janeiro contando a vida de Miguel Arraes, político cearense, nascido no Crato, três vezes governador de Pernambuco. 

No desfile o cantor Martinho da Vila encarnava um cangaceiro. O sambista se emocionou do começo ao fim da passagem da escola, da qual é presidente de honra e símbolo maior. Detalhe: o chapéu de couro e o gibão eram confecção do artesão. 

Nas diversas entrevistas concedidas, ele contou que acompanhava o pai no trabalho da roça, mas foi aos onze anos, cuidando da comida do gado, que as roupas de couro dos vaqueiros encheram os seus olhos e mudaram seu destino. 

Aos 15 anos, comprou uma faquinha, um esmeril, um compasso e começou sozinho a fazer do sonho sua vida. “Acho que é um dom, tem que ser um dom assim, sei lá, por causa que muita gente sempre foi para trabalhar, mas não dá para aquela arte assim”. 

Com a morte do pai, aos 19 anos, conseguiu uma espécie de estágio na oficina do Mestre Juarez, no Crato. Ele acabou ficando três anos por lá, depois voltou para Pernambuco como artesão profissional. 

Luiz Gonzaga, conheceu o mestre artesão, gostou tanto do trabalho dele, que passou a encomendar chapéus e gibões, que usou em shows pelo Brasil afora. Isso ajudou na trajetória que transformou o menino tímido de Exu, em patrimônio vivo de Pernambuco. 

“Luiz Gonzaga ficou muito grato, porque eu recebi ele bem, com muita ansiedade de conhecer ele também , porque ele já era artista e eu não era. E eu, mais rapaz, eu, está nas mãos de um artista desse, mas tem nada não, a gente vai ver o que é que faz. Aí ele disse assim: 'Tenho uma surpresa para você'. E eu, pode falar, mestre: 'Eu tenho umas encomendas para você fazer pra mim usar nos meus shows, não é negócio pra vaqueiro, nem pra usar assim, só pra quando eu tiver no meu show, usar'. Eu perguntei a ele: 'Qual a peça?'. Ele disse: 'Um gibão, um chapéu e um vestuário de couro muito bem feito, o que você puder fazer, pode jogar em cima, que aí, eu acredito que sai do jeito que a gente quer mesmo'. De lá pra cá, a gente ficou se conhecendo, chegava lá na minha casa, entrava, sentava, tomava café", relembra. 

Um dos filhos trabalhava com ele na oficina, Romildo. O neto Joelson Lopes também decidiu cedo que seguiria os passos do avô. É a terceira geração da família de artesãos. “É uma coisa que eu faço com muito amor, porque é uma arte muito difícil, a gente tem que seguir em frente”, afirmou o neto. 

A Secult/Fundarpe, através de nota lamentou a perda do Patrimônio Vivo de Pernambuco e sertanejo ilustre José Aprígio. 

Aos familiares, amigos e admiradores, deixamos as nossas condolências e os mais sinceros pêsames.

(Gazeta do Cariri - Com informações do site Rede GN e G1 Petrolina)

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