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Promotoria do caso 'João do Povo' encontra indícios de que Prefeitura de Granjeiro pressionava testemunhas

FOTO: Bárbara de Alencar
As investigações sobre a morte de João Gregório Neto, prefeito do município de Granjeiro, assassinado em dezembro do ano passado, revelaram indícios de que a atual gestão da prefeitura estava fazendo uso da máquina pública para coagir testemunhas da investigação criminal. Ticiano da Fonseca Félix, o atual prefeito, foi preso nesta quarta-feira (15) e também afastado do cargo. Ele é suspeito de participar do crime. 

"Existem, dentro do corpo das investigações, indícios de que a máquina pública estaria sendo utilizada para pressionar possíveis testemunhas do inquérito policial a modificar seus depoimentos, trazendo lesões a essas pessoas que estavam colaborando com a investigação criminal, de uma forma imotivada. Isso vai ser apresentado nos autos", confirmou Rafael Couto, promotor de Justiça, em Granjeiro.

Além de Ticiano Félix, o pai dele, Vicente Félix de Sousa, e um policial militar também foram presos nesta quarta. Segundo as investigações, o PM seria o articulador do crime. Ao todo, 9 pessoas foram presas preventivamente e três cumprem prisão domiciliar pelo caso. 

Vicente Félix já cumpria medida cautelar por suspeita de participação no assassinato desde janeiro deste ano, quando foi determinado uso de tornozeleira eletrônica ao homem, de 60 anos.

As prisões ocorreram durante operação da Polícia Civil do Ceará que cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão, sendo nove de prisões preventivas e três de domiciliares contra suspeitos de participação na morte de João Gregório. A operação foi realizada em Fortaleza, onde o atual prefeito foi capturado, Crato, Juazeiro do Norte, Granjeiro, e Salgueiro, em Pernambuco. 

Em Juazeiro, uma das pessoas presas estava com R$ 120 mil em espécie. Ele teria dito à polícia que o valor era fruto da venda de gado. No entanto, a investigação aponta que o homem foi o responsável por financiar o executor do crime. 

O irmão de Vicente Félix também é alvo de mandado de prisão, mas fugiu antes de ser encontrado pela polícia. No local, foi apreendida uma arma calibre 38. Além dele, outros dois suspeitos ainda são procurados, em Juazeiro do Norte e Pernambuco, informou a polícia. 

Testemunhas perseguidas 
Com as investigações, a polícia descobriu que a máquina pública do município estava sendo usada pra trazer prejuízo a testemunhas do crime. Foi o caso de um popular que testemunhou no processo e, no dia seguinte, foi notificado pela Prefeitura de Granjeiro para que deixasse o terreno do qual era permissionário. A justificativa foi de que o município realizaria obra na área. 

A promotoria solicitou à prefeitura documentos que comprovassem o planejamento da obra justificada pelo município, como cópias do projeto. "Aquilo que nos foi apresentado indica que o município não tinha nenhuma previsão de fazer aquela obra em data próxima. Não havia licitação, previsão, orçamento", disse Couto.

'Quebra-cabeça' montado 
O promotor afirmou, ainda, que o “quebra-cabeça” do crime está “praticamente montado”, e que a investigação está próxima do fim. 

“É um quebra-cabeça que não é pequeno, por envolver muitas pessoas, mas os indícios demonstram que estamos próximos a finalizar a investigação. A organização do grupo que veio a, possivelmente, cometer o crime, de acordo com o desenho que nós temos das investigações, pode até se alterar um pouco. Embora o quebra-cabeça esteja praticamente montado, ainda não findou”, comentou Couto. 

O inquérito policial sofreu prorrogação, mas, conforme o promotor, esta deve ser a última vez. “Com o fruto do trabalho de hoje, há possibilidade de apresentação de denúncia criminal”, frisou. 

Com a prisão do atual prefeito Ticiano Félix da Fonseca, assume a prefeitura o presidente da Câmara Municipal de Granjeiro.          

(Fonte: G1 CE)

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