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Ceará tem 23 cidades com "alta vulnerabilidade" climática; 4 são do Cariri

FOTO: Eduardo Queiroz
Dos 184 municípios cearenses, 23 (12.5%) estão em "alta vulnerabilidade" nos aspectos climatológicos, agrícolas e sociais, segundo estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgado na última sexta-feira (14). Os resultados têm como base o Índice Municipal de Alerta (IMA), referente ao primeiro semestre deste ano (janeiro a junho). 

Fazem parte dessa lista os municípios caririenses de Abaiara; Nova Olinda; Granjeiro e Salitre (Saiba mais no final da matéria). 

Neste ano, o Ceará registrou o segundo menor número de Municípios em alta vulnerabilidade desde o início da série histórica, em 2004. O objetivo do IMA é identificar as cidades mais vulneráveis a problemas ocasionados por irregularidades climáticas. O instrumento disponibiliza informações técnicas para adoção de ações voltadas a soluções temporárias e permanentes nestas cidades. 

O analista de Políticas Públicas e autor da pesquisa, Cleyber Nascimento, aponta que o Ceará tem 90% do território inserido no semiárido, o que potencializa a necessidade do estudo. "Uma característica comum (dessas regiões) é a ocorrência de secas períodicas. O Ipece calcula o IMA para contribuir com um instrumento de planejamento e gestão". 

O índice é calculado anualmente, sempre após a quadra chuvosa (fevereiro a maio), usado para identificar os municípios mais vulnerváveis, com maiores necessidades de políticas de assistência e distribuição hídrica. 

Número de municípios em alta vulnerabilidade na série histórica: 2020: 23 / 2019: 24 / 2018: 17* /  2017: 32 / 2016: 26 / 2015: 24 / 2014: 26 / 2013: 29 / 2012: 31 / 2011: 24 / 2010: 25 / 2009: 28 / 2008: 27 / 2007: 25 / 2006: 25 / 2005: 27 / 2004: 25. 

Aplicação do IMA
Entre os anos de 2012 e 2017, o Ceará passou por um longo período de estiagem, sendo necessárias políticas públicas para garantir a seguranças hídrica da população. "Cita-se a construção de cisternas, barragens e açudes, construção de adutoras, perfuração e instalação de poços e o Cinturão das Águas", lista Nascimento. 

O especialista aponta que essas ações estratégicas só são possíveis através do conhecimento das regiões mais vulneráveis. 

"A ideia é que o IMA seja um instrumento para orientação preventiva após o período chuvoso, indicando os Municípios mais vulneráveis. O IMA é usado, por exemplo, pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) na seleção de Municípios para a implementação de políticas públicas". 

Segundo o secretário do Desenvolvimento Agrário, De Assis Diniz, o índice tem um impacto importante porque identifica como as vulnerabilidade climáticas irão alterar as ações e políticas do governo - em todas as secretarias. "A grande maioria dos Municípios está classificada na média-alta e média vulnerabilidade. Mais de 40% do total tem essa classificação". 

Ao identificar esses indicadores traz uma responsabilidade na elaboração das políticas principalmente no que diz respeito ao uso da água", ressalta o titular da SDA.

Resultados 
Os cinco municípios que apresentaram os maiores valores, neste ano, foram: Monsenhor Tabosa, Catarina, Abaiara, Boa Viagem e Pedra Branca. Por outros lado, 24 cidades apresentaram baixa vulnerabilidade às adversidades climáticas. Os cinco considerados menos vulneráveis são: Ibiapina, São Benedito, Guaraciaba do Norte, Moraújo e Ubajara. 

Segundo o documento, estas regiões concentram os municípios com maiores precipitações pluviométricas neste ano e também possuem "boas condições de infraestrutura hídrica, melhor situação relativa de produção agrícola e satisfatórios indicadores de assistência social”. Nascimento destaca, no entanto, que a maior parte dos municípios se concentra nas classes de média-alta e média vulnerabilidade. 

Média: 0,6391 
Máximo: 0,8414 
Mínimo: 0,3511 

*Quanto mais próximo de 1, mais vulnerável é o município. 

Melhora 
No primeiro semestre deste ano, também houve uma melhora no indicadores de 42 cidades em comparação ao ano passado, o que “evidencia uma diminuição da vulnerabilidade aos fatores climatológicos e agrícolas nestes municípios”, aponta o estudo. Segundo Nascimento, a quadra chuvosa, acima da média, contribuiu significativamente para o resultado. 

"As chuvas acima da média e bem distribuídas no território contribuíram para o resultado." 

Segundo Nascimento, a quadra chuvosa proporcionou um menor déficit hídrico e a possibilidade de aumento da utilização da água na agricultura e pecuária. "Houve melhoras nos indicadores mensurados pelo IMA relacionado à climatologia, bem com a diminuição na perda de safra. A cobertura do Bolsa Família e Seguro-Safra também foi satisfatória, garantindo uma rede de assistência social". 

Veja alguns resultados do estudo: 

No Sertão dos Inhamuns (Tauá, Aiuaba, Arneiroz, Parambu e Quiterianópolis), todos os municípios foram classificados como possuindo média-alta vulnerabilidade. 

Os municípios com menor vulnerabilidade às questões climáticas, agrícolas e de assistência social estão nas regiões da Serra da Ibiapaba, Maciço de Baturité, Grande Fortaleza, Litoral Leste e Litoral Norte. 

As regiões da Serra da Ibiapaba, Grande Fortaleza, Sertão dos Inhamuns, Litoral Leste e Litoral Norte não possuem municípios no grupo de alta vulnerabilidade. 

O maior quantitativo e distribuição espacial das chuvas nessas regiões contribui para a menor vulnerabilidade. 

Segundo o estudo, Monsenhor Tabosa foi a cidade mais vulnerável neste ano, com IMA de 0,841. Os principais agravantes observados foram a "situação hídrica dos mananciais de água, o escoamento superficial, a produtividade agrícola por hectare e a utilização da área colhida com culturas de subsistência", aponta o documento. 

Por outro lado, o Município registrou bons resultados no número de vagas do seguro safra por 100 habitantes rurais, na a proporção de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família, do Governo Federal, e o desvio-normalizado das chuvas. 

Veja os 23 municípios vulneráveis, segundo o Ipece: 

Monsenhor Tabosa: 0,8414; Catarina: 0,7833; Abaiara: 0,7578; Boa Viagem: 0,7541; Pedra Branca: 0,7457; Quixadá: 0,7394; Nova Olinda: 0,7359; Limoeiro do Norte: 0,7290; Itatira: 0,7285; Quixelô: 0,7285; Forquilha: 0,7267; Irauçuba: 0,7210; Senador Pompeu: 0,7184; Independência: 0,7180; Iguatu: 0,7163; Morada Nova: 0,7162; Granjeiro: 0,7162; Tururu: 0,7146; Salitre: 0,7122; Novo Oriente: 0,7114; Aracoiaba: 0,7082; Cariré: 0,7079; e Jaguaribe: 0,7076. 

Veja quais os 12 Indicadores considerados no IMA: 
Produtividade agrícola por hectare; Produção agrícola por habitante; Utilização da área colhida com culturas de subsistência; Perda de safra; Proporção de famílias beneficiadas com Bolsa-Família; Número de vagas do Seguro Safra por 100 habitantes rurais.

Fatores climáticos 
Climatologia: medida pela média de precipitação pluviométrica dos municípios nos últimos 30 anos; Desvio normalizado das chuvas: variação percentual entre a precipitação observada e a média de 30 anos do município no período analisado; Escoamento superficial: volume de escoamento de água ocorrido no limite de absorção do solo; Os escoamentos são classificados em três intervalos: De 0 a 59 mm: crítico De 60 a 179 mm: regular De 180 mm acima: bom Índice de Distribuição de Chuvas: associa as variações volumétricas, temporais e espaciais de chuva 

De 0,000 a 0,100: crítica 
De 0,101 a 0,200: regular 
De 0,201 a 0,300: bom 
De 0,301 a 1,000: ótimo 

Índice de Aridez: precipitação histórica de um determinado ponto dividida pelo máximo de evaporação que se pode ter em um determinado ponto. Quanto menor o índice, mais árida é a região; 

Situação dos mananciais de água: classificação dos mananciais de água que abastecem as sedes urbanas caso haja um possível colapso. Situações de criticidade: Alta, Média e Baixa.                                (Diário do Nordeste)

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