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18,3% da população cearense utiliza planos de saúde


A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) divulgada nesta sexta-feira, 4, mostrou que cerca de 18,3% da população cearense tem acesso aos atendimentos em planos - saúde, médico ou odontológico. O Ceará fica em quarto lugar entre os estados do Nordeste, próximo da média regional que registrou um total de 16,6% da população pagante pela cobertura. Os resultados correspondem ao ano de 2019 e foram catalogados e divulgados hoje, 4, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde (MS). 

No ano passado, um total de 59,7 milhões de pessoas (28,5% da população) pagaram algum plano de saúde no País, enquanto o nordestino é um dos públicos que menos financiam o complemento. O Ceará e o Nordeste seguem abaixo da média nacional dos pagantes, repetindo alguns resultados da PNS 2013.

O médico de família e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marco Túlio, relaciona o surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará com os planos complementares de saúde. Com a implementação do SUS no Estado, parte da população cearense segue no atendimento público por não ter condições de financiar uma saúde complementar. 

"Sabemos que as condições de renda da população nordestina tem uma média menor do que a da população do Sudeste e do Sul. Na periferia, grande maioria são dependentes do SUS e isso tá totalmente relacionado às rendas e a uma questão histórica." Túlio cita a herança de um sistema escravocrata no Brasil que ainda se atrela às questões sociais. 

As estimativas, inclusive, apontam para um perfil do consumidor: pessoas brancas e com ensino superior são as com as maiores proporções de cobertura. Um total de 38,8% da população branca possui o serviço, em contraponto de 21,4% da população preta e 20,1% da população parda - essa última registrou um acréscimo de 1,4 ponto percentual no acesso, quando comparada ao ano de 2013. 

A educação também influencia o bolso na hora de pagar: quanto mais elevado a instrução da pessoa, maior seu acesso à cobertura. Dos pagantes que responderam ao estudo, um total de 67,6% tinham superior completo; enquanto outros 16,1% que tinham acesso ao serviço tinham fundamental incompleto ou sem instrução. "Quanto maior a escolaridade, maior o nível socioeconômico. Temos na rede privada profissionais que fazem seus próprios planos ou que atendem em consultórios", cita Túlio. 

A cobertura de saúde é mais predominante do que a odontológica no País. Um total de 26% da população brasileira consumia o plano de saúde, em contraponto a cerca de 13% com acesso aos planos odontológicos. O Ceará seguiu abaixo da média nacional em todas às duas coberturas: cerca de 10,6% da população consome algum dos planos odontológicos disponíveis, enquanto outros 15% tem acesso ao plano de saúde médico. 

"Percebemos uma construção cultural da neglicenciação da saúde bucal. Sabemos que ela também funciona pelo SUS e pelo plano de saúde. Mas há uma tendência da população mais jovem em cuidar da saúde bucal do que idosos", relaciona.

Os dados ilustram um perfil de quem pode pagar pelo serviço, mas também refletem quem não pode financiar uma saúde particular, uma vez que 71,5% das pessoas não têm acesso aos planos pagos. "Isso ilustra uma forte dependência da população brasileira em relação aos serviços de saúde pública", informa o IBGE. 

Para o epidemiologista do Hospital São José (HSJ), Érico Arruda, a pandemia da Covid-19 veio para reforçar a importância do SUS nos atendimentos. "A doença trouxe o debate de maneira cruel e angustiante, ao ponto de discutirmos se havia leito ou não porque a quantidade de pessoas que chegou era muito grande", cita. 

A mesma pesquisa também traz o Nordeste como sendo a região com maior registro de atendimentos públicos no País em 2019: cerca de 77,8% dessa população que ficou internada em hospitais por 24 horas ou mais utilizaram os leitos do SUS - e não os privados. 

O SUS é a principal porta de entrada de atenção à saúde pública no País e possibilita o atendimento de diversos serviços, de atendimentos primários a transplantes de órgãos.                 (O Povo)

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