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Após período de queda, taxa de transmissão de Covid-19 estabiliza em 0,7 no Ceará

FOTO: Natinho Rodrigues
Há uma semana, os índices de Reprodução Efetiva (RT) para Covid-19 no Ceará seguem estáveis. A manutenção da taxa surge após um período de intensa diminuição, percebido entre os dias 18 e 29 de agosto. No intervalo, a RT caiu de 0,87 para 0,7, nível mantido pelo Estado desde então. As informações são da atualização mais recente do IntegraSUS sobre o assunto, publicada às 2h07 deste sábado (5). A plataforma é gerenciada pela Secretaria da Saúde (Sesa) e atualiza diariamente a situação da doença no Estado.

O índice 0,7, mantido pelo Ceará, coloca a transmissão local como média potencialidade. Usada para acompanhar a possibilidade de novas infecções, a taxa RT indica para quantas pessoas saudáveis um infectado pode transmitir a doença e está dividida em níveis: na baixa transmissão, a possibilidade de infecção oscila entre zero e 0,5 pessoas; na média transmissão, a potencialidade está entre 0,5 pessoas e 1 e, finalmente, para ser considera como alta transmissão, os valores da RT devem ultrapassar o mínimo de uma nova pessoa infectada. 

Todas as cinco macrorregiões do Estado estão com RT abaixo de um, com o maior coeficiente observado no Litoral Leste e Jaguaribe. Somados, os 20 municípios que compõem a área registram 0,95 de RT. O Sertão Central aparece em seguida. As 20 cidades da região registram RT acumulado de 0,94. No Cariri, formado por 45 municípios, o índice está em 0,84 enquanto na Região Norte, composta 55 cidades, a taxa é de 0,81. Os arredores de Fortaleza indicaram a menor transmissibilidade entre as macrorregiões: somados, os 45 municípios ao redor de Fortaleza estão com índice em 0,8.

Endemia 
Para Luciano Pamplona, epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), a estabilização mostra que o cenário cearense entrou em uma nova fase. “Não tem como diminuir toda semana para sempre. Isso indica que podemos estar em uma situação endêmica, quando a doença já está instalada. Não vamos deixar de ter novos casos, o vírus ainda permanece por aí, mas não estamos como no começo”, esclarece o médico. Essa outra configuração da infecção, completa Pamplona, faz parte do comportamento esperado para pandemias. 

“A partir de agora devemos começar a monitorar surtos localizados. Entrando em situação endêmica, nosso próximo passo é reduzir ou zerar o número de óbitos. E isso nós atingimos mantendo o distanciamento social adequado e usando máscaras. Quanto mais máscara, melhor”, recomenda o epidemiologista. 

Assim como Luciano, o médico sanitarista Manoel Fonseca vê a estabilização como ponto de virada. Ele atribuiu a redução anterior ao sucesso do isolamento social e a adesão da população a proteção individual, como máscaras. “Atingir esse nível, sem vacina, é positivo. O que acontece é que dificilmente haveria uma tendência para queda maior. Para uma epidemia chega ao auge com pelo menos 80% da população, estamos na faixa dos 20%. O vírus continua circulando”, reforça. 

Mas Fonseca chama atenção para os próximos dias. “Isso muito dificilmente indica possibilidade de rebote de infecção. Contudo, devemos acompanhar o que vai acontecer após a reabertura de escolas e eventos. Esse vai ser o nosso maior teste”, completa. 

Municípios 
Apesar da estabilização cearense, quando analisados separadamente, os municípios retornam outro cenário. Mesmo seis meses desde a chegada da doença no Estado, 175 das 184 cidades cearenses permanecem com registro de transmissão acima de 1 para o novo coronavírus (Sars-Cov-2), o que é considerado alto. Os únicos municípios a ficarem abaixo dessa faixa e que, portanto, considerados como em transmissão média são Crateús (1), Tianguá (1), Caucaia (0,99), Maranguape (0,99), Crato (0,98), Maracanaú (0,97), Sobral (0,94), Juazeiro do Norte (0,91) e Fortaleza (0,87). 

“Indica que a pandemia não chegou para todos os municípios ao mesmo tempo, é como se cada um tivesse uma endemia diferente”, elabora Luciano Pamplona. Ele vê como natural as menores taxas de reprodução estarem ao redor de centros urbanos. “Foram os espaços que mais concentram casos na pandemia. Então, a doença está em outro nível nesses locais. Nesses centros urbanos, a doença está andando de forma mais lenta”, indica o epidemiologista. 

Já Fonseca avalia que a manutenção das altas taxas nos municípios devem ser analisados com atenção. “Isso é preocupante, principalmente quando falamos em flexibilização. As pessoas começam a achar que está tudo bem mas não está”, indica o sanitarista. Por isso, a manutenção dos protocolos precisa continuar. “Não tem como acabar a pandemia. Essa situação pode mudar a qualquer momento. Quem pode fazer o isolamento deve continuar fazendo o isolamento social, e quem não pode tem que usar necessariamente máscara”, aconselha.                       (Fonte: Diário do Nordeste)

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