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Índice de isolamento no Ceará está abaixo de 50% há três meses

Na Praia dos Crush, em Fortaleza, aglomeração de banhistas ausência de máscara de proteção. FOTO: Natinho Rodrigues
O último dia em que o Ceará ficou com índice de isolamento social acima de 50% foi em 7 de junho, quando atingiu a marca de 51,2%, de acordo com a empresa de geolocalização In Loco. Desde então, os valores variam entre 36% e 48%. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa ideal para a prevenção e combate à Covid-19 é de 70% das pessoas em casa. No entanto, com o feriadão da Independência, lotações foram registradas em diversos pontos turísticos do Estado, principalmente no litoral. 

As Praias do Futuro, Cumbuco, Jericoacoara e Canoa Quebrada, por exemplo, registraram grandes aglomerações desde o sábado. No domingo (6), o Ceará ficou em 12º lugar na lista de Estados em adesão ao isolamento social, com índice de 44,4%; no sábado, ele foi de 38,1%. Em meses anteriores, o Estado figurava em primeiro lugar no levantamento, conforme a In Loco. 

Até o fim da tarde desta segunda-feira (7), o Ceará registrou 222.473 casos confirmados e 8.567 mortes por Covid-19, desde o início da pandemia. Outros 86,4 mil casos da doença estão sendo investigados, segundo o IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde (Sesa). Por outro lado, 197.105 pessoas já se recuperaram da doença. Outros 599 óbitos passam por análise. 

O governador Camilo Santana considera que as imagens vistas na orla "preocupam muito", principalmente pela circulação de pessoas sem o uso de máscaras. 

"Para que não tenhamos uma nova onda de casos, é fundamental que haja a colaboração de todos. É inadmissível o que temos visto aqui e em vários locais do país. Por mais que equipes de fiscalização tentem agir, se não houver a colaboração das pessoas, fica tudo mais difícil", apela. 

Camilo lembrou que, desde junho, o Governo do Estado busca garantir o retorno de atividades econômicas - incluindo setores como barracas de praia e restaurantes -, "sempre com muito critério e responsabilidade". Conforme o plano de retomada responsável, atualmente, 139 municípios do Estado estão na Fase 4, ainda que em semanas diferentes. Apenas 45 cidades incluídas na região do Cariri passam pela Fase 3. 

Para a infectologista Mônica Façanha, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), o cenário é "preocupante" porque a transmissão do coronavírus continua ocorrendo. "Quanto mais aglomeradas as pessoas estão, mais fácil ela se torna. Essas pessoas também podem levar para casa, para outras que estão isoladas e que acabam sofrendo por conta das que estão se expondo. Temos risco de voltar a aumentar casos e óbitos com essa quantidade de gente saindo e achando que tudo voltou ao normal", observa. 

Descumprimento 
O aterrinho da Praia de Iracema e a Praia dos Crush, em Fortaleza, registraram intensa movimentação no domingo, repletas de frequentadores sem máscaras - o uso é obrigatório em todo o Estado - e desrespeitando o distanciamento social, na faixa de areia e no calçadão. A Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) informou que "intensificou as ações neste fim de semana no Centro da cidade e na Avenida Beira Mar, contemplando faixa de areia e calçadão, do Mercado dos Peixes à Praia de Iracema", informa. 

A praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, também recebeu um grande número de frequentadores nas barracas. No geral, quase ninguém utilizava máscaras, e o distanciamento entre as mesas era pequeno. Provas da aglomeração foram os extensos engarrafamentos que se formaram nas estradas de ida e volta do local, principalmente na CE-085. 

Ainda que recebam famílias e pessoas mais velhas, a maior parte do público das áreas de lazer é formada por jovens adultos. A psicóloga e analista do comportamento, Carolina Ramos, explica que essa faixa etária costuma buscar recompensas imediatas dentro dos grupos que participam para evitar solidão e rejeição. 

"Como eles também têm uma crença de que sabem o que é melhor para si, questionam algumas regras e se engajam em comportamentos que podem colocá-los em risco", analisa. 

Outros municípios da orla cearense tiveram intensa movimentação no feriadão. As ruas da Vila de Jericoacoara, no Litoral Oeste, foram tomadas por turistas e frequentadores na noite do sábado. Muitos visitantes não usavam máscaras de proteção contra a Covid-19 e não mantinham o distanciamento social. Com todos os leitos ocupados, a rede hoteleira operou com capacidade máxima. 

A Prefeitura declarou que, desde a reabertura em 8 de agosto, realiza fiscalizações com apoio do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur). 

A praia de Canoa Quebrada, em Aracati, no Litoral Leste, também foi palco de uma série de desrespeitos às normas de segurança sanitárias impostas para conter o avanço da pandemia. Nas noites de sábado e domingo, foram flagradas aglomerações na orla e na Avenida Broadway, que atrai turistas de diversas regiões do Ceará e de fora do Estado. 

A Prefeitura de Aracati informou que fiscalizações diárias são realizadas pela Vigilância Sanitária, Guarda Municipal e Polícia Militar do Ceará (PMCE), em todos os horários. Até um toque de recolher foi imposto na região por segurança: às 22h, estabelecimentos comerciais devem fechar, e, os turistas precisam voltar para suas acomodações. 

Desrespeitos 
Outro local de aglomerações no Interior do Estado foi o açude de Orós, que recebeu dezenas de carros, caixas de som e pessoas consumindo bebida alcoólica. A secretária de Saúde do município, Zuila Maciel, lamentou o ocorrido em entrevista ao Sistema Verdes Mares. Ela reconheceu que o número de agentes de fiscalização é pequeno, mas que uma equipe iria ao local para tentar inibir a situação. Em Guaramiranga, as ruas do centro da cidade também ficaram lotadas na noite do domingo. 

Segundo a infectologista Mônica Façanha, em praias e ambientes arejados, o risco de contágio é bem menor do que em ambientes fechados - contudo, ele não é zero, como alguns podem pensar. "Num lugar mais aberto, com mais ventilação, essa secreção de quem tosse, espirra ou fala mais alto pode ser desviada. Se tem muita gente próxima, ela pode ir não para quem está à frente, mas ao lado. O grande problema da aglomeração é que a secreção expelida por um possível portador do coronavírus vai alcançar alguém porque tem muita gente disponível", explica.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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