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Lixão de Juazeiro do Norte segue com diversos pontos de combustão e ameaça a saúde da população

120 catadores de materiais recicláveis trabalham no lixão de Juazeiro do Norte. FOTO: Antonio Rodrigues
Há pouco mais de um mês, o DN noticiou os incômodos e danos causados pela fumaça formada no lixão ao céu aberto de Juazeiro do Norte. De lá para cá, a situação ficou ainda pior: vários pontos em combustão e a emanação cada vez maior, podendo ser avistada do Centro da cidade, a seis quilômetros de distância. Às margens da CE-060, a fumaça produzida incomoda os moradores de comunidades vizinhas e, também, os catadores de materiais recicláveis. 

“Todo ano aqui é assim. Aqui embaixo é tudo fogo. Está queimando, porque é um gás que solta. A gente vem trabalhar, porque precisa”, desabafa um catador de materiais recicláveis, que preferiu não se identificar, minutos antes de se embrenhar no meio da fumaça. 

Se em agosto o Sistema Verdes Mares flagrou fumaça em pontos isolados, já controlados pelo aterramento feito por tratores, ontem (21) a situação estava mais grave. Inclusive com chamas expostas em várias parte do lixão e o volume de fumaça que tornava a visibilidade ainda mais complicada. 

“É difícil até para dormir de noite. Quem tem criança pequena em casa, fica preocupada”, narra a dona de casa Cícera Rosendo, da Vila Padre Cícero, que fica a mais de um quilômetro do local. 

Este problema, que é recorrente no período mais quente do ano, já causou prejuízos aos catadores. Pedro Felix, por exemplo, há três anos viu sua barraca de madeira e rola ficar completamente destruída. “Perdi roupa, uma feira, o material de R$ 300 para vender. Até um celular velho eu perdi. Perdi tudo. Só não perdi os documentos, porque não guardava aqui”, pontua.

De acordo com o superintendente da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (Amaju), o engenheiro ambiental, Sidney Kal-Rais, em locais com grandes quantidades de lixo é comum em épocas de altas temperaturas, porque a decomposição destes materiais gera gases, como o metano, que é inflamável . 

“Muitas vezes, o vento sai disseminando o foco de queima no lixão. Neste tempo, se for em qualquer lixão, é quase certeza ter combustão”, admite. 

Outro problema, segundo o superintendente da Amaju, é que os próprios catadores ateiam fogo no lixo para queimar o material plástico. “Fica apenas o alumínio e o ferro”, conta. A orientação, neste período de combustão, é que não trabalhem no local. “Mas não tem esse controle. Cortam o arame, adentram sem autorização”, completa. 

Solução
De agosto para cá, Sidney confessa que não foi possível cessar o fogo totalmente, por ser um período muito quente. Ainda assim, foi destinado um maquinário exclusivo para tentar conter a fumaça, composta por dois tratores, dois caminhões caçamba e uma pá mecânica. 

Para solucionar o problema, a Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos de Juazeiro do Norte (Semasp) está tentando firmar um contrato emergencial para destinar os resíduos do Município em dois aterros particulares da cidade. 

“Isso solucionaria definitivamente. Estamos estudando a melhor forma. Prazo não tem como dar agora, principalmente em período eleitoral. É muito complexo”, acrescenta. 

Com população estimada em 274 mil habitantes, Juazeiro do Norte produz, em média, 280 toneladas de lixo por dia, segundo a Amaju. Tudo isso é depositado no lixão. Isso representa, pouco mais de um quilo por morador. Lá, trabalham cerca de 120 catadores de materiais recicláveis.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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