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Casos notificados de tuberculose aumentam 3,8% no Ceará nos últimos anos


Entre 2018 e 2019, o número de novos casos de tuberculose aumentou 3,8% no Ceará, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa). No último ano, foram diagnosticados 3.884 casos da doença no Estado, correspondendo a um coeficiente de incidência de 42,9 casos/100 mil habitantes, e 205 óbitos. Em 2018 o total de casos registrados foi 3.814, sendo 222 mortes. Ainda não há informações compiladas sobre 2020. 

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a tuberculose está na lista das dez doenças infecciosas de agente único que mais mata, superando o HIV. “A tuberculose é uma doença milenar. Evidências da doença foram encontradas em múmias do Egito. É diretamente associada a determinantes socioeconômicos como más condições de moradia, pobreza, baixa escolaridade, desnutrição”, explica o infectologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Ceará, Roberto da Justa. 

Anastácio de Queiroz, também médico infectologista e professor da UFC, diz que apesar dos indicadores sociais, as chances de uma pessoa de alto nível social contrair a tuberculose não estão descartadas e destaca a “proximidade com pessoas contaminadas, alimentação, educação e condições do sistema de saúde” como fatores definidores da disseminação da doença. 

Outro dado que chama atenção no boletim da Sesa é que, no Ceará, a maioria das pessoas infectadas são homens de 20 a 34 anos, correspondendo a 21,8% dos casos acumulados de 2008 a 2019. “A tuberculose é uma doença que acomete mais adultos jovens. Isso se dá em decorrência da maior exposição de pessoas em idade produtiva. Os homens são também naturalmente mais suscetíveis que as mulheres”, esclarece Justa. 

Diagnóstico 
Assim como outras doenças graves, quanto mais cedo descoberta a tuberculose, mais fácil será o tratamento. “O diagnóstico é feito através do exame do escarro. Primeiro o indivíduo tem que ser avaliado, e com a avaliação, o médico vai poder diagnosticar mais cedo”, informa Anastácio. Outros exames que podem detectar a doença são a radiografia de pulmão e métodos rápidos que possam detectar o bacilo no escarro. 

Além de aumentar as chances cura, o diagnóstico precoce também contribui com a interrupção da transmissão. O controle da tuberculose tem como principal indicador o percentual de cura dos casos novos bacilíferos. As metas recomendadas pela OMS são detectar 70% e curar, pelo menos, 85% dos casos. Porém, no Ceará, a proposta ainda é um desafio. Isso porque em 2008 se alcançou 78% de cura, mas a partir de 2016 os indicadores passaram a registrar declínio. 

Tratamento 
O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por disponibilizar todo o tratamento da doença. “O SUS garante todos os medicamentos necessários. A Atenção Primária é a porta de entrada para o diagnóstico e tratamento da tuberculose. Existem ainda serviços especializados para tratamento de casos mais complexos”, afirma Roberto da Justa. 

O processo funciona com doses de medicação que duram, no mínimo, seis meses. “É feito com quatro medicações nos primeiros dois meses. Depois do segundo mês para o sexto mês, são duas medicações. A medicação não tem faltado. Uma vez o diagnostico sendo feito, a unidade tem a medicação para oferecer ao paciente”, conta Anastácio Queiroz. 

Durante o longo período de tratamento, é comum que alguns pacientes interrompam o processo, mas os profissionais alertam que, mesmo que haja uma melhora, o procedimento precisa ser feito completamente para ser eficaz. 

Prevenção 
As formas de prevenção são inúmeras e vão desde medidas sociais, vacinação e avaliação prévia. “A vacina BCG protege crianças contra formas graves da tuberculose. Contactantes de pessoas com tuberculose também devem ser avaliados, assim como pessoas em situação de imunodeficiência (HIV, transplantados, em quimioterapia). O uso de isoniazida pode prevenir tuberculose nessas pessoas. O controle definitivo da tuberculose passa pela melhoria das condições de vida, redução da pobreza, melhoria da rede de atenção primária, capacitação de profissionais de saúde, diagnóstico precoce e tratamento oportuno e eficaz de todos os casos”, conclui o infectologista, Roberto da Justa. 

Tuberculose no Brasil 
Segundo o boletim da Sesa, o Brasil ocupa a 20ª posição quanto à carga da doença e a 19ª no que se refere à coinfecção TB-HIV. Desde 2003, a doença é considerada de atenção prioritária na agenda política do Ministério da Saúde (MS) do Brasil. 

No País, foram registrados 73.864 mil casos novos da doença em 2019, o que corresponde a um coeficiente de incidência de 35 casos/100 mil habitantes. Em 2018, foram registrados 4.490 óbitos pela doença, que equivale a um coeficiente de mortalidade de 2,2 óbitos/100 mil habitantes.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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