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Dia das Crianças: fortalecer laços e trocas de afetos favorece pequenos e adultos

FOTO: Thiago Gadelha

Viver um dia sem sentar na área da casa da matriarca, aos fins de tarde, e ouvir as tiradas divertidas de Ísis, imensa em seus dois anos de idade, era inimaginável para a família de Suyanne Nogueira, 38, mãe da menina. Com a pandemia de Covid-19, porém, a rotina foi quebrada: para preservar a saúde de todos, principalmente da avó, Felisbela Frota, 94, o hábito comum a vizinhanças tranquilas e à família delas foi suspenso, voltando agora aos poucos. 

Entre as três crianças da família, uma é a responsável por todo o agito e o corre-corre pelos corredores: é a “chefe da gangue”, como brinca a mãe. “A Ísis faz e diz umas coisas que você precisa filmar pra acreditar. Ela é engraçada todos os dias! Minha tia diz que ela é uma criança, mas dentro dela é uma velhinha, porque tem umas coisas precoces demais”, diverte-se Suyanne.

A tia em questão é Sheila de Sena, 62, que também é madrinha de Ísis – e amargou a saudade imposta pelo isolamento social. “No auge da pandemia, era muito difícil ela vir aqui. Fazia falta demais, chega ficava quieto", descreve Sheila, um dos maiores “apegos” de Ísis – protagonista de boa parte das lembranças leves que tornaram (e tornam) todos os dias da família um pouco melhores. 

"Ela chega aqui e é a maior alegria. Quer logo um papel e uma caneta pra escrever o nome dela, desenhar, não sossega. Sobe na minha cama, pega o tablet, abre vídeo, faz tudo sozinha." 

Convivência 
Para Débora Rocha Carvalho, psicóloga especialista em saúde da família e comunidade, as mudanças abruptas causadas pela pandemia afetaram principalmente as crianças.

“O universo da infância, incluindo os espaços lúdicos e de aprendizados coletivos, tão importantes e necessários para a infância, tiveram que ser suspensos ou bastante limitados, e por isso, reinventados, muitas vezes, dentro das suas próprias casas, ou ainda, dentro de uma tela de computador ou de celular”, analisa. 

Assim, alerta a psicóloga, “se tornou cada vez mais necessário fortalecer o laço familiar, a convivência e a troca de afetos diante de um momento tão singular”, o que favorece o processo de “cura” e a retomada da rotina não só para os pequenos, mas também para os adultos. “Para isso, o brincar se torna a principal ferramenta. Além de proporcionar a diversão e a construção de afetos e aprendizados, favorece no desenvolvimento da subjetividade da criança. As brincadeiras, os jogos, o contar histórias e principalmente o estar junto possibilita valiosas elaborações das experiências do contexto atual”, finaliza Débora.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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