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Ocorrência do fenômeno La Niña pode favorecer chuvas em 2021 no Ceará, apontam meteorologistas

FOTO: Honório Barbosa

Meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam a consolidação do fenômeno La Niña, entre o centro e o leste do Oceano Pacífico. Isso significa que poderá haver um resfriamento das águas do Pacífico Equatorial (0,5°C ou menos) e, consequentemente, grandes chances de boas pluviometrias no Nordeste. 

“É um bom indicativo para o início da quadra chuvosa”, ilustrou o meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, Diego Jatobá. Ele aponta, ainda, que a La Niña vai influenciar também “as chuvas na pré-estação, no Ceará”. Apesar do tom de otimismo, ele ressalta, entretanto, ser “necessário frisar que é um fenômeno de rápida duração e de baixa intensidade”, e que pode se modificar até o fim do ano. 

Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), do governo norte-americano, segue a mesma análise do Inpe, mas pondera que o fenômeno ainda está “com fraca intensidade”. Estudos do Inpe mostram que, até o momento, a La Ninã deve permanecer durante o verão no Hemisfério Sul (início do ano, no Ceará), e perder força a partir da segunda quinzena de março. 

Para o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, esse grau de intensidade pode sofrer mudança até o fim do ano. “Até o momento, temos um cenário favorável, uma La Niña moderada, mas ganhando força. Só o fato de não termos El Niño (aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial) é um bom indicador”, explica. 

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Flaviano Fernandes, também considera que as chances de atuação da La Niña são boas. “Olhando para o quadro, agora, está muito favorável, mas vamos depender mais uma vez do Atlântico”, afirma. “Se o Atlântico Sul ficar mais quente do que o Norte, então teremos chuvas intensas, mas essa resposta só teremos em janeiro do próximo ano”, pondera. 

O cenário se torna ainda mais favorável quando analisado outros fenômenos. Humberto Barbosa destaca o aspecto da Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), que é um fenômeno climático de caráter cíclico que influencia diretamente as transformações climáticas da Terra, de longa duração, e que está negativa, ou seja, diminuição da temperatura das águas superficiais do Pacífico Equatorial, o que é bom para o Nordeste. “É um outro dado favorável à ocorrência de chuva dentro ou acima da média no semiárido nordestino, pois favorece a La Niña”. 

Apesar do bom prognóstico, os institutos são uníssonos ao afirmarem ser preciso seguir o monitoramento para identificar a definição da temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Tropical Sul. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), por sua vez, diz que divulgará as análises e previsões “próximo ao fim do ano”. 

Agricultura beneficiada 
Após seis anos de chuvas abaixo da média, o Ceará registrou em 2020, 2019 e 2018, pluviometria dentro ou acima da média histórica. Além de melhorar o cenário hídrico nos açudes cearenses e, consequentemente, reduzir o drama no abastecimento em centenas de localidades do interior, as boas chuvas convergem à uma melhora da safra. Os números corroboram. 

Neste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de grãos foi a segunda melhor dos últimos dez anos, ficando atrás apenas de 2011. Se confirmado o prognóstico de, mais uma vez, pluviometria acima da média histórica em 2021, o cenário tende a ser ainda mais animador. 

“A matemática é simples, quando há boas chuvas, temos boa safra”, pontua o diretor técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Itamar Lemos. Ele, no entanto, diz não ser possível fazer nenhuma projeção de colheita para 2021. “Ainda é cedo para isso”. 

Apesar de cedo, os agricultores, otimistas, já preveem mais uma boa safra. Na localidade de Angelim, zona rural de Iguatu, no interior do Ceará, os agricultores Paulo Lima e Manoel Clares, vão plantar, juntos, quatro hectares de milho e feijão. O dobro da área do ano passado. “Estamos com fé que teremos boas chuvas”, diz Lima. 

“A gente reza e torce para isso acontecer”, acrescenta o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Sebastião Alves.

(Fonte: G1 CE)

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