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“Vidas humanas é um preço justo?”, questiona juiz sobre aglomerações em campanhas de Juazeiro

FOTO: Felipe Azevedo

A Justiça Eleitoral subiu o tom com os candidatos a prefeito de Juazeiro do Norte. Uma reunião com representantes de todas as coligações, Ministério Público, Polícia Militar e juízes eleitorais tentou estabelecer acordos para que as campanhas não descumpram o decreto estadual, que estabelece medidas sanitárias contra a proliferação do coronavírus. 

Assim como ocorre em outras cidades cearenses, Juazeiro do Norte tem campanhas onde há severa aglomeração de apoiadores. Nas carreatas, passeatas e atos de rua, ocorre, diariamente, flagrantes situações de desrespeito às normas sanitárias. Baseando-se nisso, o juiz Francisco Mazza, da 119ª Zona Eleitoral, questionou aos candidatos se estariam dispostos a arcar com possíveis “dividendos negativos” em troca dos possíveis votos durante atos de campanha. 

O magistrado lembrou que o país já conta com 157 mil mortos na pandemia, e que o Ceará, que antes estava “no azul” acerca do aumento dos óbitos, recentemente encontra-se na lista dos locais onde há elevação no número de mortes. “Não são apenas números […] deixo claro aos candidatos que há normas jurídicas que serão implementadas”, destacou o juiz. 

Mazza também lembrou que, na prática, as campanhas teriam condições de oferecer aos apoiadores durantes atos de rua, máscaras e álcool em gel, por exemplo. “Se oferece combustível para os carros”, exemplificou. O juiz também lembrou que, devido a pandemia, muitos empresários precisaram se sacrificar para cumprir decretos que estabeleceram o fechamento de lojas e indústrias, e que os candidatos também deveriam ceder. 

“Vamos pagar com o fechamento de empresas, perdas de postos de trabalho, a falta de respeito à vida humana, por conta de dividendos políticos? Esse preço é justo?”, questionou. Além de Mazza, o juiz Giacumuzaccara Leite Campos, da 28º Zona Eleitoral, também esteve na reunião. 

Ao fim do encontro, não houve um acordo definitivo entre MP, Justiça e candidatos. Os promotores eleitorais Flávio Côrte e Carlos Félix optaram por não estabelecer nenhum tipo de acordo com as partes. Isso porque preferiram aguardar o julgamento de um recurso impetrado à instância superior, que poderá estabelecer multas propostas pelo MP. 

Participaram ainda os candidatos a prefeito Arnon Bezerra (PTB), Ana Paula Cruz (PSB), Glêdson Bezerra (Podemos) e Demontieux (PSOL). Um representante do candidato Nelinho Freitas (PSDB) também esteve presente de forma virtual.

(Fonte: Site Miséria)

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