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Acusado de matar a esposa e filha, empresário Marcelo Barberena é julgado, hoje, em Paracuru

FOTO: Kid Júnior

Foram quase dois mil dias, mais de cinco anos até que chegasse o dia do julgamento do empresário Marcelo Barberena Moraes. O homem, acusado de matar esposa e filha, é protagonista de um caso com repercussão nacional. As vítimas Adriana Moura Pessoa de Carvalho Moraes e a bebê Jade Pessoa de Carvalho Moraes foram encontradas mortas em uma casa de veraneio, em Paracuru, no dia 23 de agosto de 2015.

O júri tem início às 9h desta segunda, 30/11, na Câmara Municipal de Paracuru, a aproximadamente 90 Km de Fortaleza. De acordo com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no início da sessão, ocorrerão as oitivas das testemunhas. Há previsão de serem ouvidas 26 pessoas da defesa e da acusação, sendo três delas por meio de videoconferência. Na sequência, o réu deve ser interrogado e, posteriormente à oitiva, haverá os debates e a votação dos jurados. Não há horário estipulado para o fim da sessão, podendo ela se prorrogar até o dia seguinte.

Conforme a titular da Vara Única da Comarca de Paracuru e presidente do júri, juíza Bruna dos Santos Costa Rodrigues, esta é a primeira vez que um julgamento de tal magnitude será realizado na Comarca da cidade. 

"A presidência do Tribunal de Justiça do Ceará enviou todos os esforços para que a sua realização seja de forma organizada e que sejam respeitadas todas as previsões constitucionais. Houve uma grande mobilização para que o julgamento se tornasse possível e destaco o esforço de vários atores que contribuíram para isso, como os servidores da Comarca e outros Juízos. A Comarca de Paracuru se preparou até mesmo para a possibilidade de o júri se estender por mais de um dia com aparato da Corte cearense", disse a magistrada. 

A defesa do réu, representada pelo advogado Nestor Santiago, "espera que seja feito com imparcialidade e baseado nas provas, não na emoção. Ele é inocente e nega a autoria". Já Leandro Vasques, assistente da acusação, diz "a família enlutada, dilacerada por todo o sempre com a inominável perda de Adriana e Jade, está confiante em um veredicto condenatório do acusado, que apesar de ter confessado o crime em quatro ocasiões, optou por negar a autoria quando ouvido em juízo". 

Denúncia 
Marcelo foi denunciado como autor do duplo assassinato triplamente qualificado, com motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. A decisão do empresário ir a julgamento foi proferida em outubro de 2016. A defesa do réu recorreu ao Tribunal e, entre idas e vindas no processo, no último mês de julho, a pronúncia foi mantida em primeira instância, e a data marcada há pouco mais de um mês.

Consta na denúncia ofertada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) que na madrugada do dia 23 de agosto de 2015, após discussão do casal Marcelo e Adriana, o acusado efetuou disparos contra a esposa e, em seguida, atirou na filha que estava dormindo. Na casa, duas famílias, a das vítimas e a do irmão do acusado, passavam o fim de semana. 

Barberena foi preso horas após o crime. Em um dos primeiros depoimentos prestados, ele confessou os homicídios. Depois mudou sua versão sobre os fatos alegando ter sido forçado por policiais a confessar a ação. Atualmente, o réu sustenta já ter se deparado com a esposa ensanguentada no dia da tragédia. 

"Eu fui dormir 0h30 e acordei 5h40. Fui falar com a Adriana. Cheguei no quarto e a Adri estava gelada. O travesseiro sujo de sangue. Saí dali nervoso. No meu primeiro depoimento eu disse que não tinha sido eu. Estava com meu advogado presente. No dia seguinte, às 5h, a delegada me tirou do DHPP, me colocou no camburão e me levou de volta a Paracuru. 

Lá foram três horas e meia de interrogatório. Depois disso, durante todas as noites, a delegada me tirava para fazer interrogatórios individuais. Foram sete depoimentos que eu dei até ela ficar satisfeita", contou o réu em entrevista concedida ao Sistema Verdes Mares, em agosto de 2019, quando foi solto da prisão por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Para o advogado Leandro Vasques, negar a autoria do crime é uma tese mentirosa. "A arma pertencia a Barberena, o DNA dele consta da mesma. Foram encontradas partículas de chumbo na roupa de Barberena. Uma criteriosa perícia constatou que não houve nenhum sinal de arrombamento na casa em que se verificou o crime. Negar agora a autoria e inventar coação por parte da Polícia configura uma tese, além de cínica, desafiadora da inteligência humana. Esperamos que seja feita Justiça com a condenação severa de Marcelo Barberena pelo imperdoável holocausto que causou nessa família enlutada, que agora vive uma hemorragia perpétua", afirmou o assistente da acusação.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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