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Logo no início, PIX pode reduzir preços em 1,5% no Ceará


A uma semana para ser liberado, o PIX, novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, promete agilizar as transferências financeiras no País. E no mercado cearense, pela facilidade e rapidez prometidas, a perspectiva é de que o preço de vários produtos ao consumidor final possam ser reduzidos a uma porcentagem entre 1% e 1,5% já no começo da operação, podendo até mesmo ter essa proporção de desconto elevada a partir da adesão dos usuários. 

A perspectiva foi apresentada pelo vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Cid Alves, e corroborada por especialistas consultados pela reportagem.

Como o novo sistema, que entra em vigor no próximo dia 16, tende a ter taxas menores que de outros mecanismos - como DOC, TED e pagamentos com cartão de débito -, é muito provável que os custos para os lojistas sejam reduzidos consideravelmente. Isso deverá fazer com os preços, no curto prazo, sejam reduzidos de maneira proporcional. 

Alves ainda projetou que o cartão de débito deverá ser o mecanismo mais substituído pelos clientes durante as compras, o que deve extinguir a cobrança de taxas neste modelo. "Se o cartão de débito nos cobra entre 1% e 1,5%, imediatamente esse custo vai acabar para quem usar o PIX no lugar do cartão", explicou. 

Apesar da perspectiva positiva, o diretor da Fecomércio-CE revelou que muitos comerciantes ainda estão inseguros sobre a utilização do novo sistema. Empresas estão acionando os departamentos jurídico e contábil para eliminar todas as dúvidas e se preparar para o momento da liberação. 

"A grande maioria ainda está querendo entender o sistema. O comércio irá se adaptar, claro, mas é preciso que os clientes comecem a usar o PIX para que as empresas passem a usar mais também. Esse momento é muito mais uma busca por informação", disse. 

Para auxiliar pequenos e médios empresários, a Fecomércio-CE deverá divulgar um material com esclarecimentos sobre o PIX, construído a partir das avaliações dos setores jurídico e contábil da instituição. O objetivo, segundo o vice-presidente da Federação, é dar suporte aos empresários que desejarem usar o PIX. Contudo, ele garantiu que a consolidação do sistema dependerá da adesão pela população no Estado. 

Novos padrões
Além da redução de custos operacionais para as empresas, que pode gerar uma economia entre 5% e 12%, o PIX poderá ocasionar variações de preços por modalidade de pagamento, segundo aponta o professor da Faculdade CDL - instituição de ensino vinculada à Câmara de Dirigentes Lojistas -, Christian Avesque. 

Ele apontou ser provável que muitas lojas passem a oferecer descontos nas compras efetuadas pelo PIX por conta das taxas reduzidas negociadas com as instituições financeiras. O processo deverá gerar preços diferentes para um mesmo produto se a pessoa decidir pagar com um cartão de débito, de crédito, ou com o próprio PIX. Contudo, Avesque ponderou não ser possível ainda projetar o percentual de diferença entre as modalidades de pagamento.

O professor da Faculdade CDL também destacou que as compras pelo e-commerce, já impulsionadas durante a pandemia, deverão ganhar ainda mais espaço no mercado cearense. Como as pessoas já estão mais propensas a fazer compras pela internet, o PIX deverá ajudar a impulsionar o segmento, já que não haverá mais espera para a confirmar uma transação. Segundo o Banco Central, os pagamentos pelo PIX poderão ser realizados 7 dias por semana, 24h por dia, todos os dias do ano. 

Com essa nova funcionalidade, Avesque projeta que será indispensável às empresas no Ceará investir em plataformas de e-commerce para poder sobreviver no mercado. Será preciso entender, além disso, a integração dos ambientes físico e digital na hora de ofertar um produto ou serviço. 

Banco de dados 
A possibilidade de converter informações de padrão de consumo de clientes geradas pelo PIX em um banco de dados é outro ponto positivo para as empresas de grande e médio porte, aponta Avesque. Essa nossa funcionalidade deverá dar mais capacidade de gerência às empresas maiores para elaborar planejamentos estratégicos para atrair consumidores, gerar novas formas de oferecer produtos e criar novas promoções. 

Ele, contudo, destacou ser necessário que as empresas invistam em plataformas integradas de gestão e de dados. "A captura do hábito de compra do consumidor, frequên-cia, tiquete médio, percentual do desconto, estará na mão do empresário para que ele possa classificar melhor os clientes deles em grupos, identificando os mercados. As lojas ficam mais eficientes ao saber os padrões de consumo de forma instantânea". 

Inadimplência 
Já o especialista em finanças e consultor financeiro Frederico Barreto apontou que até o nível de inadimplência no mercado cearense poderá apresentar queda a partir da utilização do PIX. Ele explicou que, como as transações serão feitas instantaneamente e em qualquer dia da semana, os "pagamentos prometidos" devem diminuir. 

"As compras vão ser feitas a partir do dinheiro que as pessoas terão. Existem muitas operações que se baseiam em uma promessa de pagamento, mas agora, se o negócio for fechado, mesmo no fim de semana, o dinheiro já vai ser transferido. Não será preciso mais aguardar esse dinheiro ser enviado em qualquer tipo de negociação. Até as empresas terão novas relações com fornecedores, e eles precisarão se adaptar", disse.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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