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Ceará é um dos pontos de melhor localização e clima para observações astronômicas



Da curiosidade sobre a infinitude de pontos estrelados do céu se tem uma nova perspectiva sobre o nosso lugar da Terra onde, em solo cearense, astrônomos, estudantes e curiosos acompanham eventos celestes. Essa prática é facilitada no Estado pela proximidade com a Linha do Equador, onde há visibilidade mais completa do céu, a baixa nebulosidade e a menor densidade habitacional em municípios do interior, com pouca poluição luminosa. Como resultado da dedicação à astronomia, o Ceará tem destaque em olimpíadas internacionais e produção de pesquisas da área. 

O foguete chinês Marcha Longa 5, lançado em missão espacial para coleta de rochas do solo lunar, despertou atenção dos cearenses ao ficar visível no céu durante o início da noite do dia 23 de novembro. Neste mês, entre os dias 13 e 15 de dezembro, a chuva de meteoros Geminídeas deve colorir o espaço, além da conjunção entre Júpiter e Saturno – evento que não ocorre com essas proporções desde a Idade Média -, no dia 21, que pode encerrar os fenômenos astronômicos observados no Ceará em 2020. 

“Quem está no Rio Grande do Sul não consegue ver as constelações do Hemisfério no Norte, mas aqui no Ceará a gente consegue ver todas as constelações”, destaca o astrônomo amador cearense, Lauriston Trindade, membro da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon). 

Algumas localidades, como ressalta, possuem características ainda mais adequadas às visualizações. “Tem regiões com o céu bastante escuro como Canindé, Santa Quitéria, região de Parambu e Campos Sales, que são muito escuras e muito boas para observação. Esses fatores ajudam muito que a gente tenha uma boa visibilidade”, completa. 

A Seara da Ciência, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Planetário Rubens de Azevedo, ambos em Fortaleza, despontam com estruturas adequadas para as atividades dos interessados por observação astronômica. 

Além de conferir o aparecimento de asteroides, cometas e eventos raros, os participantes estudam física, matemática e recebem formações técnicas para manuseio dos equipamentos. “As observações são muito mais um atrativo. Por meio da imagem a gente conquista mais facilmente do que por meio de fórmulas. Funcionam como uma isca, de forma lúdica e mais suave”, destaca Lauriston Trindade sobre as reuniões feitas em grupos como em praças no período anterior à pandemia. 

O astrônomo dedica tempo ao estudo da astronomia há cerca de 25 anos, tendo publicado pesquisas sobre meteoros e apresentado trabalhos em congressos internacionais. Interesse despertado pela notoriedade do cometa Halley, em 1986, que marcou a sua infância. “Em uma das idas à uma antiga loja de Fortaleza, a Mesbla, em vez de um Atari 2600 eu pedi à minha mãe que comprasse uma luneta que, a partir daquele momento, era minha amiga para ir para todo o lugar. Colocava debaixo do braço e ia para todo canto para observar, era um tempo que não existia internet, então procurava em enciclopédias, bibliotecas públicas quando iam ter novos fenômenos como eclipses”. 

Destaque internacional
Outro risco raro no céu, feito pelo cometa Neowise em julho deste ano, proporcionou experiência similar para Bismark de Mesquita Nascimento, 18, primeiro estudante de escola pública na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) e que recebeu medalha de ouro na última semana. “Astronomia é uma ciência muito incrível porque é composta por várias outras ciências, não importa de qual área do conhecimento você seja, tem como gostar de astronomia e você acaba tendo ânimo para estudar física e matemática. Na astronomia você vê tudo de uma forma muito incrível”, observa. 

Aluno do ensino médio, da Escola Adauto Bezerra, Bismark entrou em curso preparatório para as olimpíadas de astronomia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) em 2018. Neste mesmo ano, o estudante recebeu medalha de prata e conquistou ouro em 2019. “Foi muito incrível ter participado da olimpíada, nós fizemos um longo processo seletivo, foram várias fases e eu consegui ser classificado para participar do time brasileiro e representar o país nessa olimpíada”. A equipe foi formada por mais outros quatro estudantes do País. 

Devido à pandemia do novo coronavírus, os grupos de astrônomos estão impossibilitados de se reunir, mas parte das atividades de observação ainda podem ser realizadas com suporte de aplicativos que simulam o céu, como conta Bismarck Nascimento. 

“Uma coisa que pesou muito, principalmente, no início da pandemia foi a ausência dos nossos encontros para, não só fazer essas observações, mas estudar juntos e se divertir. É algo que faz bastante falta”. 

Expansão
No entanto, o período de restrições de encontros presenciais abriu espaço, de outra maneira, para novos interessados pelo assunto, como observa o professor doutor Ednardo Rodrigues, coordenador do grupo de Astronomia da Seara da Ciência (GAS-Interestelar). “Nós fazíamos transmissões excepcionalmente e, com essas versões online, ocasionadas pelo isolamento social, acabamos alcançando um público maior. Nós recebíamos cerca de 300 participantes e, no canal, com divulgação, chega a 800 (participantes)”, estima. 

Os eventos realizados de forma remota, acrescenta, também contribuíram para a inclusão de estudantes de astronomia em competições internacionais. “Uma coisa interessante é que ocorreram as primeiras olimpíadas de astronomia online, então isso possibilitou a participação de muito mais alunos que não tinham condições de pagar passagem ou enfrentar o processo burocrático para ajudas de custo”, destaca Ednardo Rodrigues. 

Conhecimento prático
Além do conhecimento secular obtido durante os treinamentos, os estudantes aprendem sobre localização, identificação de objetos no céu e uso de softwares, como destaca o professor de astronomia Ednardo Rodrigues. “A maioria das observações não exige (ferramentas caras), eu recomendo às pessoas começaram com uma simples carta celeste, um aplicativo de celular para se acostumar com o céu, depois um binóculos e só então um telescópio”, destaca. 

O incentivo ao estudo da área, como propõe Bismarck Nascimento, deve aumentar o rendimento e a participação de estudantes cearenses em disputas internacionais. “Na minha escola nós formamos um grupo de astronomia recentemente e acho que isso vai contribuir muito para que mais alunos tenham acesso a esse conhecimento e possam se engajar mais. É algo que pode ser feito em várias escolas e nós pretendemos alcançar outras escolas”, ressalta. 

Quem se dedica à área têm, de forma mais consciente, uma noção de que integramos um grande sistema e de que usar os recursos ambientais de forma excessiva pode ser determinante para a vida do planeta. O astrônomo amador Lauriston Trindade diz que a experiência na astronomia ensina a valorizar o espaço terrestre. “Quando a gente observa as características de outros planetas, a gente percebe que nosso lugar, a Terra, é o que adequado para a vida da gente. Quando a gente observa, a extensão e o tamanho do universo dá para perceber que o lugar que a gente tem de cuidar é o lugar que a gente vive”.                    (Fonte: Diário do Nordeste)

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