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Primeiro mês de pré-estação ainda com chuvas reduzidas no Ceará

FOTO: Honório Barbosa

O bimestre dezembro e janeiro é temporada de pré-estação chuvosa no Ceará e como o nome sugere antecede o principal período de chuvas, que vai de fevereiro a maio. A média de precipitação para o período é de 130mm. Apenas em dezembro a média é de apenas 31.6mm. Na primeira quinzena deste mês, os dados parciais colhidos pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registram somente 5.4mm, ou seja, choveu até agora menos de 83% do esperado para o dezembro. 

Apesar do registro pluviométrico reduzido, dezembro é um mês em que os olhares dos agricultores que conservam a experiência herdada dos ‘profetas da chuva’ estão voltados para os sinais da natureza – formação de ninhos de aves, comportamento de cupim, casca de árvores, formigueiros, existência de nuvens ao nascer e ao pôr do sol e a incidência do vento Aracati no sertão. 

Para o atual dezembro atingir a média histórica mensal é preciso chover mais de 25mm até o fim do mês. O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Flaviano Fernandes, observa que as precipitações ocorrem com maior intensidade “na segunda quinzena e em maior quantidade no Cariri cearense (Sul do Estado)”. 

O mês de novembro passado foi favorável, registrando 28.6mm, ou seja, 396.4% acima da média do período que é de apenas 5.8mm. 

No campo, os agricultores estão confiantes que 2021 terá fortes chuvas. “Vamos ter um bom inverno”, disse o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Sebastião Alves. A aposentada rural, Francisca Sampaio, disse que “na roça os cupins estão assanhados e isso é um bom sinal”. 

Um olhar estatístico entre 2010 e 2020 revela com base nos dados colhidos pela Funceme que em apenas três anos dezembro registrou chuvas acima da média: 2018 (86.8mm); 2013 (36.7mm) e 2010 (88.2mm). 

O mesmo intervalo de 11 anos indica que em apenas quatro anos houve registro de chuvas acima da média mensal, que é de 98.7mm em janeiro: 2020 (141.6mm); 2019 (109.0mm); 2016 (189.6mm) e 2011 (212.9mm). 

Já para o bimestre – dezembro e janeiro, período de pré-estação chuvosa, cuja média histórica é de 130.3mm, somente houve precipitações acima do esperado nos anos de 2010 (297.6mm); 2015 (200.5mm); 2018 (195.8mm) e 2019 (151.8mm). Esse levantamento considera o intervalo entre 2010 e 2019. 

O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, pontua que “as precipitações de pré-estação não têm relação com o resultado dos meses seguintes”. Essa observação também é feita pela gerente de Meteorologia da Funceme, Meiry Sakamoto: “Os sistemas meteorológicos atuantes em dezembro e janeiro são diferentes dos observados na quadra chuvosa”. 

De acordo com o Inmet, nesse período há formação de sistema La Niña, caracterizado por resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. A não existência de El Niño, que é o fenômeno contrário, já indica um quadro que pode ser favorável para a quadra chuvosa de 2021, mas conforme ensina Flaviano Fernandes “o fator principal é o aquecimento das águas superficiais do Oceano Atlântico Tropical Sul, que atrai a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)”, que é o principal sistema indutor de precipitações para o Ceará entre fevereiro e maio. 

Na segunda quinzena de janeiro próximo, os institutos meteorológicos – Funceme, Inmet e o Centro de Previsão e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) divulgam conjuntamente a primeira previsão para a quadra chuva de 2021.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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